segunda-feira, 2 de março de 2026

Insânia

 

No meio da insanidade instalada, ainda há pessoas inteligentes (mulheres e homens, claro) que conseguem perceber como é boa a solitude.  Não se sentem sozinhos/as, sentem-se em paz, e isso muda tudo.

Houve uma época (long time ago) em que ser solteira ou solteiro parecia algo a ser corrigido. Como se faltasse algo, ou como se fosse necessário alguém (um apêndice) para completar o cenário. Porém, muita coisa tem mudado para melhor; felizmente e cada vez mais, há pessoas livres, trabalhadoras, honestas, que pagam as suas próprias contas, moram na tranquilidade do seu próprio espaço, têm noites tranquilas na sua cama espaçosa, e seguem a vida no bom sentido. Cada um(a) construiu uma vida que lhes parece estável, segura, a sua vida. Sem ser necessário perturbar a vida de ninguém, e isso é tão saudável. Namorar ou ter alguém já não é uma necessidade. É uma escolha.

Por exemplo, nota-se, cada vez mais, mulheres bonitas - e inteligentes, só destas é que faço questão de falar - a preferirem a solitude feliz. Não estão a competir com outros homens, como poderá imaginar algum ser misógino. Não existe linha divisória. Não há corrida. A verdadeira competição é a paz de cada um(a). É o conforto que se sente ao chegar a casa e encontrar um espaço livre de dramas. É dormir sem ansiedade. É tomar decisões sem confusão emocional. Se alguém quiser entrar na sua vida, deles ou delas, vai ter que acrescentar valor a isso, não trazer desassossego.

No caso das mulheres (porque normalmente são elas que sofrem mais com experiências bizarras, quando abrem os olhos, e os ouvidos), elas não precisam ser salvas de nada. LOL. Uma mulher independente (além de inteligente) não precisa de ser mantida. Não precisa de validação. O que ela quer é parceria. Respeito. Risos. Apoio. Se um gajo trouxer caos, inconsistência ou stress, ela prefere ficar exatamente onde está. Porque a paz tem um preço, e ela conquistou-a com aprendizagens.

Então entendam bem, alguns homens (ou projetos de homens)! Estar sozinha já não é o ‘medo’ ou desconforto de (algumas) mulheres. O medo é o da acomodação a qualquer coisa baixo nível ou sem sentido nenhum. Se alguém vier e não conseguir melhorar a tranquilidade que uma mulher já conquistou, então não há razão para mudar uma vida, a nossa (seja quem for, homem ou mulher, obviamente). O amor é bem-vindo, mas só se for verdadeiro, ou seja: algo que vem para melhorar o conforto que se construiu sozinha, ou sozinho.

“By the way”, lembrei-me, ainda falando de alguns “projetos de homem”, esses que se intimidam ao conhecer uma mulher livre e independente, bem resolvida na vida - isso poderá resultar em curto-circuito imediato ou a médio prazo, ego em pânico, pilas a tremer. A intimidação é tanta (e também o baixo nível, claro) que a primeira palavra que lhes ocorre é sempre a mesma: “put@”. Porque, claro, o pressuposto é simples: se ela teve um passado, só pode ser fácil.

Li algo sobre este tema - muita gente agora a escrever sobre homem/mulher, a atual guerra dos sexos, e essa novela eu já vi há muitos anos... Se observarmos com atenção, percebe-se a verdade brutal: não é sobre ela esse insulto gratuito; nunca foi, é mesmo sobre ele. É sobre insegurança, medo de não ser suficiente, ego inflamado, comparação absurda e necessidade de justificar cada desejo reprimido. Cada rótulo de “put@” funciona como bode expiatório emocional, uma capa que esconde todas as limitações e medos do próprio homem. 

Ele projeta, julga, acusa, mas não olha para dentro. Não percebe que o problema não está nela, está na tremenda insegurança que o impede de lidar com desejo, intimidade e responsabilidade emocional. O sexo torna-se medida de valor, o passado dela torna-se prova de ameaça, e o que sobra é apenas medo disfarçado de moralidade. 

O curioso é que o gajo que acusa não vê que a facilidade que ele atribui à mulher é exatamente a sua própria incapacidade de lidar com a vida real: com histórias, experiências, escolhas e autonomia do outro. Além disso, normalmente, esses até são os que têm um passado ou histórico familiar duvidoso!

A mulher com passado não é ameaça; a ameaça é o homem (ou projeto de…) inseguro que se sente diminuído por tudo o que ele próprio não tem coragem de enfrentar, o pavor de encarar a própria vulnerabilidade. Cada “put@” pronunciada é, na verdade, um grito desesperado do ego: “Eu não sou suficiente, e ela não é minha para controlar”. 

Que pena. Mas é o mundo medíocre em que nos puseram. Mil vezes preferível uma put@ com passado do que um idiota (palavra suave, para não descer ao nível) sem presente nem futuro!

Obrigada meus ‘seguimores’ por me seguirem aqui, cusquem à vontade! 😊 Carpe Diem!


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O Amor e o Carnaval depois

 


Dia dos Namorados, ou o Carnaval do Amor 

Vem aí o Carnaval, essa época divertida em que o mundo decide fingir que o inverno não existe (isso na Europa, claro). De repente há brilhos, penas, máscaras e um colorido quase terapêutico a invadir os dias frios e cinzentos. Como quem diz: “Podes vir Primavera, que já vamos nos despindo"...

Porém, antes do Carnaval, ainda há um outro evento igualmente mascarado: o Dia dos Namorados.

Ah, o famoso dia do “Amor”.

Aquele dia especial em que as lojas e restaurantes aproveitam para explorar o lado emocional dos eventualmente “apaixonados” e a sociedade inteira finge que o romance vem em embalagens de chocolate e buquês de flores, com urgência.

O Dia dos Namorados pode perfeitamente ser comparado ao Carnaval: de repente, entra-nos pela vida adentro uma personagem apalhaçada, mas que disfarça bem — daqueles palhaços meio charmosos, meio perigosos — com as suas artimanhas, promessas e invenções criativas. Traz confetes, música para adormecer, declarações dramáticas… E deixa o caos.

Porque o amor, minha gente, muitas vezes é isso: uma festa inesperada organizada por alguém que não sabemos bem se foi atingido pela flecha do Cupido ou se é algum Carma para cumprir. No início, tudo parece divertido. Há muita boa disposição para rir, dançar, acreditar que tudo na vida é possível. Até que um dia o bobo da corte fica esperto. Olha à volta, vê a palhaçada instalada, e decide: “basta!”.

Dá-se um fim ao espetáculo.

Claro que há casos com finais felizes. Há histórias bonitas, há amores que duram, há carnavais que viram tradição e não apenas confusão. Poucos, infelizmente. Na maioria das vezes, são casos perdidos. Máscaras que caem, palhaços que devem desaparecer, corações que ficam a varrer as serpentinas do chão. Ainda assim… há que continuar a acreditar que a vida pode ser uma festa, enquanto quisermos. 

E às vezes o final feliz é mesmo ficares contigo, em paz, com sofá, chá e zero palhaçadas. Aprendendo que nunca se deve entregar o coração a qualquer palhaço sem primeiro ver se ele sabe mesmo fazer magia — ou apenas sabe fazer truques baratos.

Feliz Dia dos Namorados. E não deixem o circo pegar fogo! (No Brasil é que tá bom)...

"Eu quero mais é beijar na boca / E ser feliz daqui pra frente, pra sempre" 👄🎶😆

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Tempo Tempo Tempo

 

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo  
(Caetano Veloso)

Tempo de inverno rigoroso, com tempestades e cheias por todo o país, Tempo de eleições para presidente, haja Tempo também para parar e pensar por que motivo as coisas acontecem na Vida da gente. 

Contra a Natureza ninguém pode fazer nada, apenas aceitar. Tão triste assistir às notícias e ver o sofrimento alheio, mas felizmente ainda há muitas pessoas que acodem de alguma forma, e o nosso mundo fica melhor quando sabemos que afinal não estamos sós.

Por vezes esquecemo-nos de como somos abençoados. Temos um teto para abrigar-nos, eletricidade, água quente, lençóis limpos na cama, ainda podemos comprar alimentos, temos amigos e familiares que nos amam, e acordamos com lucidez e a saúde mental intacta todos os dias. Se isto não é ser abençoado, então não sei o que serão bençãos.

Li que no dia das eleições o mau Tempo poderá dar-nos tréguas. Bom para quem quer muito ir votar. Até eu, que sempre me autointitulava apolítica, ando a votar ultimamente. Sei lá. Tenho que participar de algum modo, ainda sabendo que todos prometem praticamente o mesmo, mas quando chegam ao “poleiro” haverá sempre alguém insatisfeito, é assim o animal humano, não dá para agradar a gregos e troianos.

E há também quem insista em dar pérolas a porcos e acaba por "dar com os burros na água"… Coisas da Vida, e assim caminha a mediocridade… Vamos mas é ter uma mente positiva e sonhar com um mundo melhor.

Sonhem cor de rosa e votem bem, nem que seja em branco LOL

"O Tempo me moldou, a Vida me lapidou"

domingo, 25 de janeiro de 2026

Ano do Cavalo - 2026


E janeiro já vai galopando…

Encerrado 2025, o ano da Serpente, símbolo da regeneração e do desapego consciente. Um ano que nos pediu para trocar de pele — não por escolha, mas por necessidade (como a cobra) — deixando cair crenças, papéis e identidades que já não nos representam.

Enquanto o mundo muda a um ritmo vertiginoso, também nós somos chamados a questionar: quem sou eu para lá do que veem ou esperam de mim? (as caixas invisíveis, os rótulos e as imagens começam a apertar quando a verdade quer respirar).

2025 vibrou no número 9: fechar ciclos, agradecer, soltar o que não interessa nada. Agora vibra o número 1 — o começo, a semente, a intenção clara. O próximo passo vem com a energia do Cavalo: movimento, coragem e liberdade para avançar mesmo sem garantias, confiando no caminho e em nós.

Boas vibes! Que ao longo deste novo ano sejamos capazes de manter um ritual consciente de libertação. Vamos honrar quem fomos, quem somos, o que queremos ser, neste novo ciclo com o coração disponível, os pés enraizados e o olhar livre.

Gratidão!

Agradecer todos os dias ao acordar;

Ignorar ambientes de intriga e fofoca, por exemplo, as redes sociais por onde andam as notícias e pessoas "fake" (falsas) - viver em modo OFF é o novo luxo!

Bloquear quem nos desrespeita ou nada acrescenta à nossa vida;

Deixar de alimentar relações com pessoas falsas, que mostram ser o oposto do que aparentam (muito cuidado);

Ter mais momentos de silencio, que nos trazem a PAZ;

Parar de explicar decisões que já tomámos, porque tivemos todos os motivos e mais algum;

Não levar tudo como pessoal, mas sempre ficar atento;

Focar na nossa vida e naquilo que controlamos;

Aproximar-nos de pessoas que inspiram confiança, respeito, sinceridade e evolução;

Fazer terapia, caso seja necessário (muita gente a precisar neste mundo caótico).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O jantar de natal

Foi ontem dia 15/1/26, porque não houve tempo em dezembro para o anfitrião preparar tudo. E lá estava tudo fantástico, como em todos os anos: a variedade de entradas, os bons vinhos e a comida tão bem preparada e ao detalhe, para agradar aos convivas. Foi uma surpresa encontrar ainda a decoração natalícia intacta, esperando passar este jantar para retirar tudo, desde os sininhos na porta de entrada até à árvore de natal azul e branca, e outros enfeites de cor azul por toda a sala – a bonita cor do grande clube nortenho, o FCP, de quem ele é grande fã, eu também...

O menu foi 1º prato: “roupa velha" como manda a tradição; 2º prato: barriga de porco com costelinha, cuja pele ficou super tostadinha no forno, fazendo lembrar o tão apetitoso leitão assado à bairrada!


Tão bom sentir que as amizades prevalecem e há ainda o prazer da convivência, nem que seja uma vez por ano. Tempo para recordações, fazer o balanço do ano findo, planos futuros de cada um, para falar até de escolhas políticas, com as eleições à porta. É isso que eu tanto gosto na amizade, que pode ser eterna quando verdadeira: a alegria genuína, a leveza. Obviamente, não há ninguém cem por cento perfeito, mas há atitudes que se destacam e demonstram quem nos quer bem realmenre. Ao contrário do tal "amor" falso, o tóxico, o insolente, aquele que ilude, desilude, aldraba, inventa…  até que uma das partes abre os olhos e cai fora, que é o melhor a fazer. Amor de verdade respeita limites.

E assim se vai aprendendo com as experiências, boas e más, para saber o que vale a pena manter na vida da gente. Entretanto, vou observando como (cada vez mais) as mulheres estão felizes na sua solitude, por opção, em especial aquelas que completaram os estudos, trabalharam para serem independentes e poderem diferenciar-se das que “comem gelados com a testa”…

Neste convívio conheci uma jovem senhora simpática, com estudos na advocacia, o ex marido também advogado. Ela me confidenciava que teve um casamento tóxico durante anos, conseguiu libertar-se felizmente. Agora tem um namorado, cada um a viver na sua casa. Os dois filhos já crescidos estudam em Lisboa e vêm às vezes no fim de semana para estar com a mãe. Assim, a vida corre bem com a decisão mútua de se encontrarem sempre que for possível para os dois, com leveza, empatia e amor, do verdadeiro, aquele que também é eterno enquanto durar, desde que exista respeito e confiança, acima de tudo.

Gosto de ouvir histórias de pessoas que têm uma mensagem a transmitir e nos fazem pensar. Porque há por aí tanto bombardeio de “amor”, um blablabla sem fim, mas as atitudes são de fugir!

Carpe Diem! Venham daí mais almoços e jantares, não só no natal, mas em qualquer oportunidade que surja para rever as boas amizades!