segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Marido de aluguer

Agosto terminando a gosto. Aliás, a Vida pra Ela tem sido sempre a seu gosto.

Uma mulher que sabe o que quer, e principalmente o que não quer… Descobriu que aprecia o facto de viver sozinha, na sua perfeita solitude, como tantas outras mulheres que estão se descobrindo aos poucos e vão soltando as amarras.

Há uma revolução silenciosa a acontecer. Não é que Elas tenham ficado amargas, traumatizadas ou zangadas com o sexo masculino. Nada disso. Simplesmente descobriram a PAZ. Estão a descobrir que conseguem viver perfeitamente bem sem um homem em casa. E não, não estão necessariamente infelizes. Muito pelo contrário. Elas vivem sozinhas, tomam as suas decisões, trabalham, fazem as suas contas, viajam, saem para divertir-se com amigas, comem quando querem, podem dormir atravessadas na cama, em suma: essa PAZ parece ser bastante viciante.

Não há discussões sobre a tampa da sanita ou o tubo da pasta dentífrica. Não há roupas ou toalhas abandonadas estrategicamente pelo chão. Não há o misterioso desaparecimento das coisas que ainda ontem estavam “mesmo ali”. Não há apoquentação por tudo e por nada, quando não existe a empatia e o respeito necessários numa relação amorosa.

Há silêncio. Há liberdade.

Até ao dia em que há um móvel do IKEA que parece ter sido desenhado por alguém que odeia mulheres, e fica difícil montar a estante. Ou apertar aquele parafuso que está frouxo há seis meses, ou um espelho no WC que precisa de luz, ou uma torneira que começou a pingar, ou é preciso colocar um estendal na varanda…

É nesse momento que a mulher independente olha para a caixa de ferramentas e pensa:

“Raios, aqui dava jeito um homem; talvez eu não precise de um marido, mas sim de um homem durante umas duas ou três horas.”

E dessa forma nasceu o conceito perfeito: o marido de aluguer (versão brasileira), em Portugal chamam-lhe o “faz-tudo” ou handyman (anglicismo) que atualmente está sendo muito requisitado, e by the way podem ganhar quanto querem.

E elas trabalham para poder pagar esse “luxo”; não querem mais o pacote completo, querem apenas algumas funcionalidades do sexo masculino. Faz lembrar aquela frase engraçada que alguém escreveu “é fod@, por causa de 100 gramas de linguiça, ter que levar com o porco inteiro” LOL

Elas querem um homem que saiba onde se mete a chave de fendas. Que consiga distinguir uma broca de uma chave Allen. Que não diga “isso é fácil” antes de estragar ainda mais. Que monte o móvel com paciência q.b. sem acabar com três peças misteriosas que “devem ser sobras”. E, sobretudo, que depois do serviço concluído vá embora.

Porque essa é a grande vantagem do marido de aluguer em relação ao pseudo marido ou companheiro que algumas arranjam. Não ronca. Não ocupa metade da cama. Não tem opiniões sobre a maneira como a mulher se veste. Não se atura mais a falta de confiança no "taco" de gajos que precisam de andar a controlar o telemóvel da parceira… Enfim: não “enche”, não dá tempo para desentendimento e cenas degradantes. 

Talvez seja esse o futuro das relações entre homens e mulheres. Estas deixam de procurar um homem para lhes “resolver a vida” e passam a procurar um homem que lhes resolva algumas coisitas em casa. E os homens, finalmente, poderão descobrir que existe uma área onde continuam absolutamente indispensáveis: a bricolage.

Claro que haverá sempre quem diga:

— Isso é conversa! No fundo, as mulheres precisam dos homens.

Talvez.

Mas há uma diferença importante entre precisar de alguém e achar alguém útil de vez em quando. E essa diferença muda tudo. Porque uma mulher pode perfeitamente dizer:

“Não quero marido.” E, cinco minutos depois: “Mas conhece algum que saiba montar este armário?”

É a independência feminina em estado puro. Elas não querem um homem a mandar na casa delas. Querem um homem que saiba arranjar a porta da casa, por exemplo.

E assim se resolve o eterno conflito entre os sexos: Ele entra, arranja, recebe e sai. Ou seja: depois do trabalho feito, vai embora e a PAZ permanece 😄


Nota: é claro que há mulheres que aprenderam o mesmo que os homens e poderão fazer qualquer tipo de serviço, também. Porém, ainda não se ouviu falar de esposa de aluguer (só barriga) nem de  handywoman...