A nossa vida transforma-se incrivelmente a partir do dia em que a gente acorda, diminui as expectativas sobre os outros, desiste de esperar que alguém cuide de nós, abandona as esperanças de que algo vai chegar e mudar o nosso destino, e passa a investir mais em si mesmo, no nosso crescimento físico, emocional e espiritual. É preciso aprender a cuidar da própria energia e entender que a nossa vida é responsabilidade de cada um de nós. O nosso mundo interior é a casa onde passamos toda a existência. É nosso dever cuidar, limpar, organizar os nossos pensamentos, lembranças e sentimentos e fazer dela um bom lugar para se viver. Se existe algo em que vale a pena investir é em nós mesmos. Porque a vida não é sobre encontrar alguém, é sobre encontrar-se, e estar o mais sadio possível internamente para fazer dos nossos encontros e conexões os melhores possíveis. Pois a melhor fase da nossa vida começa quando começamos a cuidar da nossa própria energia e a fazer brilhar a nossa luz.
Não está muito fácil encontrar gente sã, de corpo e
mente. Sinais dos tempos, provavelmente. Ou terá sido sempre difícil, agora é
que há mais tempo e mais conhecimento para analisar. E eu confesso: perco a
paciência, muitas vezes.
Sem paciência para conversas da treta, o tal blablabla sem
fim; para ouvir falar do que não me interessa minimamente; para escutar quem
não me diz nada nem nunca vai dizer; quem só está bem a fazer julgamentos, falando
de histórias ou pecados alheios.
Já não tenho paciência para egos inflados, para a
mediocridade, o mais-ou menos, o “tem de ser”, o “é a vida”; para quem nunca
consegue ver o lado positivo de cada situação, e ainda desdenha de quem é diferente e sabe ser
feliz com tão pouco.
Já não tenho paciência para gente preconceituosa; gente fútil, que
apenas quer açambarcar coisas, ou acumular cargos, poder ou dinheiro - o chamado
“venha a nós o vosso reino” e os outros que se lixem.
Já não tenho paciência. Para quem nunca admite que falha e se
engana algumas vezes; para quem se julga iluminado, imortal, sempre com razão,
sempre irrepreensível, sempre “o maior da sua rua”.
É isso, a paciência vai se esgotando aos poucos. Já só quero
quem falha como eu, quem se engana ou quem cai como eu, quem é insuficiente
como eu, quem tenha defeitos como eu, quem às vezes está triste, desmotivado,
até infeliz, mas mesmo assim sempre pronto para encostar a cabeça num ombro amigo e desabafar,
como eu. Afinal, todos morreremos um dia, chegando a tal hora marcada, dizem,
faça o que se fizer… Carpe Diem!
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