quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Haja Paz e Paciência :-)


A nossa vida transforma-se incrivelmente a partir do dia em que a gente acorda, diminui as expectativas sobre os outros, desiste de esperar que alguém cuide de nós, abandona as esperanças de que algo vai chegar e mudar o nosso destino, e passa a investir mais em si mesmo, no nosso crescimento físico, emocional e espiritual. É preciso aprender a cuidar da própria energia e entender que a nossa vida é responsabilidade de cada um de nós. O nosso mundo interior é a casa onde passamos toda a existência. É nosso dever cuidar, limpar, organizar os nossos pensamentos, lembranças e sentimentos e fazer dela um bom lugar para se viver. Se existe algo em que vale a pena investir é em nós mesmos. Porque a vida não é sobre encontrar alguém, é sobre encontrar-se, e estar o mais sadio possível internamente para fazer dos nossos encontros e conexões os melhores possíveis. Pois a melhor fase da nossa vida começa quando começamos a cuidar da nossa própria energia e a fazer brilhar a nossa luz.

Não está muito fácil encontrar gente sã, de corpo e mente. Sinais dos tempos, provavelmente. Ou terá sido sempre difícil, agora é que há mais tempo e mais conhecimento para analisar. E eu confesso: perco a paciência, muitas vezes.

Sem paciência para conversas da treta, o tal blablabla sem fim; para ouvir falar do que não me interessa minimamente; para escutar quem não me diz nada nem nunca vai dizer; quem só está bem a fazer julgamentos, falando de histórias ou pecados alheios.

Já não tenho paciência para egos inflados, para a mediocridade, o mais-ou menos, o “tem de ser”, o “é a vida”; para quem nunca consegue ver o lado positivo de cada situação, e ainda desdenha de quem é diferente e sabe ser feliz com tão pouco.

Já não tenho paciência para gente preconceituosa; gente fútil, que apenas quer açambarcar coisas, ou acumular cargos, poder ou dinheiro - o chamado “venha a nós o vosso reino” e os outros que se lixem. 

Já não tenho paciência para algo que não me apaixone, que não mexa comigo, que não me arrebate, que não me faça sentir, chorar de alegria ou outro sentimento qualquer, saltar, dançar, voar. 

Já não tenho paciência. Para quem nunca admite que falha e se engana algumas vezes; para quem se julga iluminado, imortal, sempre com razão, sempre irrepreensível, sempre “o maior da sua rua”. 

É isso, a paciência vai se esgotando aos poucos. Já só quero quem falha como eu, quem se engana ou quem cai como eu, quem é insuficiente como eu, quem tenha defeitos como eu, quem às vezes está triste, desmotivado, até infeliz, mas mesmo assim sempre pronto para encostar a cabeça num ombro amigo e desabafar, como eu. Afinal, todos morreremos um dia, chegando a tal hora marcada, dizem, faça o que se fizer… Carpe Diem!


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