segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Um ser diferente, especial

Brinco, ou Brinquinho, Marlon Brinko, Bóris Kaza, Joyns Brinkoptik...
13-02-1959 a 26-09-2015

Gostava de ter vários heterónimos, tipo Fernando Pessoa... e até no desassossego podia comparar-se ao poeta. Tinha uma energia fora do comum, e subitamente podia ficar muito em baixo, quase hibernava, fora do mundo.
Era muito conhecido no Porto pelo nome de Brinquinho, desde o tempo em que estudava em Belas Artes, pela forma irreverente de viver e apresentar-se aos outros. Pelas performances de rua em que gostava de chocar a plateia (ela ouviu contar algumas peripécias do seu passado, uma delas era que tinha andado acorrentado pela cidade do Porto, tipo Cristo!).  E a dançar, era um show, o espaço era todo dele, ninguém o segurava!

Anos 78/79. Ele vendia artesanato (especialmente brincos, daí o apelido) na rua Santa Catarina. 
Ela trabalhava numa empresa ali perto, quase em frente. Saía do trabalho no final da tarde e costumava juntar-se a amigos que também tinham banca ali na rua, outros juntavam-se mais tarde e ficavam todos na conversa. Olhava de relance para aquela "figura diferente", um rapaz que até era bonito, com ar de Marlon Brando, de cabelo loiro fino e comprido (apesar de pouquinho cabelo em cima), usando calças jardineiras sobre o peito nu, descalço, de brinco (não era coisa de homem naquela época), lábios pintados de preto (viu ela um dia) bem desenhados, em suma: um verdadeiro hippie. Foi dos primeiros, se não o primeiro homem, a usar guarda-chuva colorido. Era escandaloso para aquela época em Portugal. Tudo o que é diferente sempre a atraiu, e nunca lhe passaria pela cabeça que ele também tivesse reparado nela, uma rapariga insossa e meio arrumadinha, apesar de gostar de vestir-se meio africalhada.

Entretanto, ela, que morava no Estádio das Antas (ninguém podia acreditar) conheceu um basquetebolista de terras longínquas e apaixonou-se. Foi morar para o Brasil, casou-se, entretanto, porém mais tarde regressou, sentia-se longe e sozinha e preferiu voltar para perto da família.

Passaram-se alguns anos, era fim de ano 1995. Havia uma reunião de amigos para celebrar a passagem do ano. Amigos em comum. E lá apareceu ele, o Brinquinho, de boina, e ela reconheceu-o logo. Estava carequita, bem diferente. Era prof nos Açores há uns 7 anos e vestia-se de forma normal agora, parecia mais bem-comportado.
Não se sabe se foi paixão à primeira ou segunda vista. Simplesmente aconteceu. Enrolaram-se, apaixonaram-se, possivelmente estavam ambos carentes, anos sem terem alguém para amar e ser correspondido. Um dia ele comentou "nunca pensei envolver-me com uma filhinha do papá"... ("you are beautiful, but you got problems”) ...
Foram praticamente 2 anos a namorar pelo telefone, pois ele teve que voltar para os Açores. Depois, pediu transferência para o continente e casaram em 1997, pela igreja, como ela sonhava. Foi na aldeia com familiares e amigos, o burrito levou-os até à capela de Santo António. Ele estava lindo, vestido à Phil Collins (pensava ela). Ele era um homem bonito e estavam ambos felizes. Não houve fotógrafo contratado, alguém tomou a iniciativa de tirar fotos e depois soube-se que ficaram queimadas. Pouca coisa restou para a posteridade. Até nisso foi tudo diferente do normal.

Com o passar dos anos, as diferenças foram se acentuando. Ela esperava ser importante ao lado de alguém especial, levar uma vida interessante e com criatividade ao conviver com um artista, mas nem ela foi importante nem ele especial... a rotina instalou-se, houve muitos momentos bonitos, mas houve muitos mais desagradáveis, com palavras feias; ele era sempre do contra e criava conflitos onde quer que fosse. Odiava fardas e tudo o que representasse a lei; era antitudo. Francamente, parecia que tinha até casado contra ela (não com ela) ... Como qualquer mulher, queria ter uma mobília "normal" de sala, ele implicava com o assunto, ela foi comprar à revelia... quando a viu, ele mandou trocar tudo, veio outra melhor, na ideia dele... era uma consumição para fazer-se qualquer coisa...
Cada um começou a seguir por caminhos diferentes. Ela ainda queria (dar e) receber muito da vida, ele pouco ou nada queria! Os amigos de ambos não eram mais os mesmos, ela decidiu separar-se (infelizmente). Ele reagiu mal, mas já eram 7 anos à espera que a relação desse certo; parecia que ela perseguia a Luz e ele procurava as trevas. A irreverência deu lugar ao inconformismo, ao mal-estar. 
Ela quis deixá-lo livre para ser feliz com outra pessoa que o entendesse. Aconteceu o divórcio e nunca mais se falaram, com muita pena dela, pois entendia que podiam ser civilizados e conviverem normalmente, pelo menos ao fim de algum tempo, depois que a dor passasse. Pelo menos foi assim que aconteceu com outros (poucos) amores dele...
Passaram-se 6 anos. Ela achava que ele estava feliz quando soube que ele tinha reencontrado um amor (?) do passado. Transcorrido algum tempo, soube que foi operado de repente; a pior doença tinha surgido sem avisar a alguém que sempre evitou os médicos e as drogas (legais, dizia ele). Ficou chocada, muito triste, ao ver o aspeto dele numa foto publicada no facebook. 
Depois, parece que foi tudo muito rápido. Soube que ele tinha partido em dia/noite de lua cheia, tal como quando nasceu, só não era dia 13 mas dia 26 (13+13) ... terá ele escolhido esse dia de linda lua cheia para encontrar a paz que não conseguia encontrar na Terra. 
Era um daqueles seres que, por mais que vivam, não se adaptam a este mundo, cruel e insensível, e tornam-se incompreendidos. Foi assim a sua última performance, sem plateia, deixando todos chocados com a sua partida prematura. Pessoas especiais, como James Dean, Jimi Hendrix, Marilyn Monroe... não as imaginamos a envelhecer nunca...

Ela ficou inconsolável. Nada faltava para que tivessem sido tão felizes juntos. Com ele aprendeu tanta coisa, apesar das diferenças… e ambos sonhavam com um amor para sempre, então... porquê? Talvez fosse assim o destino 'marcado' (?) para cada um, ela ainda teria que viver outras histórias e aprender muito com a vida e.… com ele nunca teria ido parar ao lugar onde está a gostar de viver atualmente... e bem poderiam tê-lo feito!....

Nesta foto, o Brinquinho num momento tranquilo e feliz; fica a saudade das suas peripécias e do seu sorriso.

A vida é um momento... um mistério... um sopro.



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Vida passa, sem contar


Entre os 40 e 50 anos de idade foi quando começou a "viver de verdade", sabendo que podia aprender mais e mais e sentir o que era melhor para ela, em todos os aspetos. Foi justamente por volta dos 40 anos que decidiu ingressar no ensino superior, levou algum tempo a concluir o curso porque, além de trabalhar e entretanto ficar desempregada, outras complicações surgiram mas, fosse qual fosse o tempo necessário, chegou ao fim e com uma boa média: 16.
Sentiu muito orgulho de si mesma, ainda que ninguém o tivesse testemunhado. Sozinha, sabe ficar alegre e rir às gargalhadas, ou triste e chorar como uma madalena, é capaz de atirar os foguetes, fazer a festa e apanhar as canas, não há qualquer problema. A vida vale a pena, tudo serve como aprendizagem, tanto o que é bom como o que é ruim. E é desta forma que vai vivendo, ao sabor da maré.

No seu íntimo, desejava um dia mudar-se para longe da cidade grande, até podia ser na aldeia, algo que nunca teria passado pela sua cabeça antes, era citadina demais. Mas a vida dá muitas voltas, e a nossa cabeça também. A idade muda-nos as vontades, mesmo sem contar.

E agora lá está ela numa cidade pequena, à beira-mar (melhor ainda) e ao lado de uma vila pitoresca onde, através de uma "bolsa complementar" ao subsídio de desemprego, vai colaborando diariamente, em regime de trabalho temporário, com a junta de freguesia local. É um lugarejo pacato à beira-mar/rio onde vive muita gente estrangeira; ela anda rua acima e abaixo, sente com prazer os aromas da natureza, escuta os diferentes idiomas que por si passam ou das pessoas que falam nos alpendres das vivendas, convivendo tranquilamente, e fica a pensar "um dia também quero morar aqui!"... sabe-se lá, a vida dá tantas voltas...

Afinal tudo foi acontecendo, sem se dar conta, até ir ali parar; estão quase a completar-se 10 meses e ainda lá está, feliz da vida, sentindo que aquela bem podia (e pode) ser a sua terra. Filha de nenhures, considera-se uma cidadã do mundo, qualquer lugar é bom e lindo para ela viver, desde que se sinta bem, faça ou mantenha boas amizades e tenha o mar ao lado, claro.

Quem diria, daqui a poucos anitos estará a comemorar os 60 anos, como é possível? ainda quer dançar/pular até de madrugada; comprou uma prancha para pegar ondas no mar; sempre em atividade, quer namorar muito, ser feliz...

A vida ficou mais bela depois de tomar consciência de que para sermos felizes temos que ter a liberdade de ir à luta, em busca daquilo que sonhamos. 
Sem essa liberdade, tornamo-nos prisioneiros dentro de nós mesmos e seremos pessoas sempre angustiadas, amarguradas, eventualmente com um trabalho que não nos agrada e um caminho que não nos interessa, e ficamos apáticos em relação à vida.

Se não nos arriscamos em busca da nossa liberdade, corremos o risco de terminar a nossa passagem pelo planeta Terra sentados à beira de um caminho que outros traçaram para nós.

E depois... "perder-se também é caminho" (Clarice Lispector)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

LIBERDADE com algum desassossego...

Habituou-se a estar bem com ela própria. Felizmente, ao longo da vida foi colecionando boas amizades, tem amigas que são como irmãs, longe ou perto são como as estrelas, não as vê nem as encontra com regularidade, mas sabe que estão lá.

A solidão tornou-se a sua melhor companheira a maior parte do tempo, ou seja, ela vive na sozinhez, uma palavra que alguém inventou para definir aquelas pessoas que escolhem esse estilo de vida porque – de facto - amam a solidão. Gostam da própria companhia; têm uma vida interior que as alimenta. Sentem-se melhor no silêncio, no recolhimento, o estar só não pesa, não as ameaça.

Porém, há momentos em que sente falta de uma alma gémea com quem partilhar sorrisos e lágrimas, trocar carinhos e conversar sobre o mundo e o dia-a-dia, pois ainda prevalece o ideal de vida a dois; os filmes, livros, músicas, publicidade, tudo aponta para a relação amorosa, o romance, o casamento com filhos como o que dá sentido à vida... (não teve filhos, mas não é menos feliz por isso, pelo contrário, gosta dessa liberdade; sentir-se-ia menos sozinha caso os tivesse? talvez sim talvez não)…

Mesmo com os altos índices de infidelidade, separação e divórcio, além de muita gente vivendo sozinha, bem lá no fundo adoramos um romance, a ideia de um relacionamento, de uma história de amor… Há quem diga que os relacionamentos amorosos são a nova religião, que nos dão um sentido de identificação, de pertença. Mas é um paradoxo: queremos pertencer, mas queremos manter a nossa liberdade num relacionamento. E é aí que entra o conflito.
Se a pessoa amada se apega e controla demais, geralmente começam as reclamações ‘assim não vai dar’, é sufocante, ele ou ela devia ter mais confiança em si e na relação, cada um deve ter o seu espaço… Se um deixa o outro livre ou solto demais, vai pensar “não deve gostar de mim o suficiente”… ó ser humano complicado!!! http://www.vagalume.com.br/caetano-veloso/sozinho-1.html

Gostaria de ter tido a sorte de ficar casada com a mesma pessoa anos e anos “até que a morte os separe” mas não aguentou e ‘saltou fora’. Queria sentir o sabor da felicidade, da liberdade de SER, mesmo que isso pudesse afetar a parte material (TER), numa época em que os empregos escasseiam. Após duas uniões formais mal sucedidas, a primeira por imaturidade de ambos, a segunda por incompatibilidade de feitios e excesso de orgulho, o amor não vingou! Agora tenta não apaixonar-se com facilidade, porém, o coração fala sempre mais alto do que a razão… fica difícil resistir a pessoas encantadoras, mas tem aprendido a dar tempo ao tempo, nada de pressas. 
Ainda sonha com um “amor tranquilo com sabor de fruta mordida”…
Fica confusa com o facto de atualmente estar tudo mudado; antes havia o namoro, o noivado (ou não), o casamento… agora os relacionamentos são do tipo express: houve a atração mútua, gostam um do outro e vão ficando até ver no que dá… e isso é sério, dá futuro? logo se verá... no Brasil, onde arranjam um nome condizente para tudo, são os “ficantes”… vai-se ficando…

Aprendeu a estar só e a ter essa necessidade algumas vezes, longe das multidões e do ruído. As raras vezes em que se sentiu profundamente só nem sempre estava sozinha. A solidão de não se reconhecer na vida que se vive, de ser despedida ou deixar um emprego e iniciar um novo trabalho, de ter que ser adulta quando o coração ainda parece ter 7 anos de idade, de terminar um relacionamento que não dá certo, esbarrar no próprio envelhecer ou no envelhecer de quem se ama, trocar convívios fundamentais por saudades – tudo isso é estar só e sentir-se só.

Hoje nota-se que há uma nova perceção da solidão: aos poucos deixa de ser considerada sinónimo de fracasso, abandono, rejeição, incapacidade de relacionar-se, e passa a ser vista como uma possibilidade de autodescoberta, crescimento, amadurecimento, e até de preparação para a convivência com a solidão imposta pela vida (quando se rompe um relacionamento, fica-se viúvo ou viúva, perde-se parentes mais próximos, envelhece-se) e pela própria condição humana. Afinal, somos fundamentalmente seres sós, e enquanto assumimos aos poucos essa vocação, ficamos mais à vontade e deixamos de nos sentir estranhos.

Certas situações fazem-na pensar que é uma ilusão achar que ‘o outro’ tira-nos da solidão (seja um familiar, um amigo, um amor). Quantas vezes faz-se parte de uma família com a qual não há identificação, nem cumplicidade. Cada um vive na sua. No seu caso, mal sabe da vida dos irmãos, o único elo de ligação é a mãe com quem faz questão de falar várias vezes (estando longe), aquela que emprestou o ventre ao universo para trazê-la a este mundo, e é importante sentir gratidão. E já que está neste mundo, tem que fazer algo mais do que apenas sobreviver. 
Estamos aqui para ousar, arriscar, ser FELIZ, sair da zona de conforto, estamos aqui para VIVER... todos os desafios são oportunidades de o fazer e de reencontrarmos o nosso verdadeiro propósito...
Isto é fácil? NÃO… às vezes dói, dói muito, mas "ninguém disse que seria fácil, mas SIM que iria valer a pena"...Não existem vítimas, somos responsáveis pelas nossas escolhas, e a felicidade depende de nós...tornar esta responsabilidade consciente dá muito trabalho, mas também nos revela a verdadeira liberdade...quanto mais conscientes somos, mais liberdade de escolha temos...

Apesar de esse ser um trabalho individual, é importante sabermos que não estamos sozinhos... seja por crenças que nos dão alento, por pessoas que nos amam, por uma Força maior que não tem limites, uma Energia que não faz distinções...seja qual for o nome que lhe dermos é o AMOR (o tal, o sublime) que nos Unifica e que está em cada um de nós… Ela tenta contrariar aquela máxima de Voltaire “nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morreremos sozinhos (…)”. Sozinha ou bem acompanhada, a
vida só fará sentido se estiver a fazer o que gosta e souber que tem ao seu alcance as pessoas amadas, quando delas precisar. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sorri e compreende


Com a idade a gente aprende a relevar tanta coisa, e isso é bom. Começamos a perguntar “Mas a vida é complicada ou nós é que complicamos?” e chega-se a um ponto em que já nada nos afeta, mas claro que resta sempre uma certa tristeza. Queremos sempre que tudo seja perfeito, mas nada na vida é 100% como queremos.
Começamos a compreender que não somos todos iguais (feliz ou infelizmente) e portanto temos que ser condescendentes, que os opostos atraem-se, ou não, talvez os semelhantes tenham mais chance de ter relacionamentos duradouros… se pensarmos bem, há outros ditados que não correspondem bem à realidade, por exemplo “longe da vista, longe do coração“ - será assim mesmo? (posso estar longe e ter as pessoas queridas no meu coração, sempre) ou “palavras, leva-as o vento” - OK, mas que têm muita força, têm…
A vida é tão curta e tão rara... Aproveitemos para sorrir e compreender que a vida é assim mesmo, enquanto não chegam aquelas más notícias que tanto sofrimento provocam, quando começamos a perder os progenitores... a doença que chega de repente e sem contar... a perda de amigos ou pessoas que amamos… uns porque ficam doentes, outros morrem de repente, estupidamente, e ainda há quem não se encaixe neste mundo e prefere por termo à vida, de uma forma ou de outra, deixando-nos na dor e sem entender nada...
Um dia vi o meu pai partir aos 67 anos (agora acho, tão novo) depois de uns 2 anos em sofrimento, não consegui chorar na hora do funeral, senti a perda dele com um certo alívio/"alegria" ao pensar que ele quis partir para um mundo melhor, de paz, pois estava a sofrer demais aqui.
Não foi há muito tempo, fiquei chocada quando soube que uma ex colega/amiga teve uma morte cruel na frente dos filhos pequenos; estes dias soube que outra ex colega partiu durante o sono, assim de repente, pessoas novas, mães de filhos ainda por criar… e me pergunto “qual a missão de cada um de nós neste mundo?”… entre outros que foram desaparecendo ao longo do tempo.

Há culturas que convivem bem com a morte humana. A nossa sociedade praticamente quer negar a sua existência e esta negação acaba por ser prejudicial, pois deixa tanto a pessoa à beira da morte como a família e os amigos completamente impreparados para algo que é inevitável. Todos viremos a morrer. Contudo, em lugar de reconhecer a existência da morte, procuramos ocultá-la, como se estivéssemos a tentar convencer-nos de que "quanto menos pensarmos nisso, nada nos acontecerá", e continuamos a tentar valorizar-nos através da nossa vida material e do comportamento temeroso que lhe está associado.
Se formos capazes de encarar a nossa própria e inevitável morte com uma aceitação honesta, antes de termos chegado a esse momento, as nossas prioridades serão alteradas bem antes de ser demasiado tarde. Isto dar-nos-á a oportunidade de orientarmos as nossas energias no sentido dos verdadeiros valores. A partir do momento que interiorizarmos que nos resta um tempo limitado - não obstante não sabermos se é de anos, semanas ou horas - seremos menos impulsionados pelo nosso ego ou por aquilo que os outros pensam de nós. Em alternativa, seremos mais guiados pelo que os nossos corações realmente desejam. Esta aceitação da nossa morte inevitável que a cada dia se aproxima proporciona-nos a oportunidade de encontrar um maior propósito e satisfação no tempo que nos resta.

Fico chocada com estas notícias que me deixam triste (claro) com lágrimas silenciosas, mas compreendo que a vida é mesmo assim. E logo voltarei a sorrir, faz parte da minha natureza, volto a querer viver com intensidade, com qualidade se possível, um dia de cada vez com tudo a que tenho direito, em especial o amor, sem o qual até uma planta pode perecer…

Quero aprender a praticar o AMOR UNIVERSAL, o mais sublime de todos, aquele que dificilmente alguém entende porque aprendemos a amar apenas a nossa família (de sangue) e amigos mais chegados… mas não a tudo e todos. E às vezes nem somos assim tão ligados à família (nem ela a nós) e encontramos mais sentimento nas pessoas que conhecemos casualmente. Quem ama, com esse amor universal, conduz a felicidade dentro de si.

Costumo dizer, porque li um dia algures, que as pessoas que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós, e é verdade. Quero acreditar que haverá  outra(s) vida(s) de paz, amor e luz, o sono da eternidade. Porque este mundo é cruel demais, em especial para pessoas sensíveis.
Robert Lanza defende que quando morrermos, a nossa vida torna-se numa “flor perene que volta a desabrochar no multiuniverso” (http://www.gilbertogodoy.com.br/ler-post/a-morte-nao-existe--segundo-robert-lanza)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Tempo. Dinheiro. Simplicidade.


Tenho estado ausente. Falta-me tempo. E tempo é coisa que não devia faltar-me. Sinto-me a desempregada mais ocupada do planeta. Estava com saudade da minha escrita, hoje tenho que escrever algo, acerca do TEMPO, por exemplo.

Alguém disse “A má notícia é que o tempo voa. A boa notícia é que você é o piloto.” Eu tento pilotar o meu da melhor forma, sempre atrás de resolver coisas que são necessárias, para mim ou para outros, e sem desperdiçá-lo. Procuro viver sempre a favor do tempo, pois sei que perder tempo é desperdiçar a vida e correr contra o tempo é maltratar o coração.

Não posso negar que o desemprego é preocupante, especialmente quando se vive numa sociedade que nos faz ficar velhos antes do tempo e ainda temos tanta energia para dar e vender. Mas este tempo de “dolce far niente” em que vou procurando um trabalho que me satisfaça e me recompense a nível monetário tem sido muito útil para evoluir como pessoa, estar mais atenta ao meu EU e ao mundo que me rodeia.
E penso: valerá a pena andar a escravizar-nos para ter algum dinheiro ao fim do mês? Sim, é necessário algum para as necessidades básicas, casa, alimentação, pagar contas… mas muitas pessoas vivem a correr e nem tempo têm para pensar em si e no que andam a fazer neste mundo. Tanta gente com um emprego ruim ou mais-ou-menos, chegam a casa sem paciência para mais nada nem ninguém, é triste essa maneira de viver, anos e anos. O ideal seria ter um trabalho que se adora e que acaba por ser uma extensão natural de quem somos, que nem pareça trabalho e nos dê satisfação. E há pessoas felizardas nesse aspeto, poucas mas há.

E onde/como encontrar algo que nos preencha a nível profissional hoje em dia? Também… tentar algo inovador já não é tão simples assim, há de tudo e em toda a parte, além de haver poucos incentivos. Sinto que não farei nada sozinha, quem dera ter alguém que alinhasse comigo em algum projeto interessante. Quem sabe!... o tempo…

Evito colocar demasiada ênfase no dinheiro, tento é compreender o que quero fazer, que projeto, e trabalhar nesse sentido com concentração, determinação e fé. Não ver pela ótica do dinheiro, ver antes pela ótica do projeto. Sei que “o dinheiro não pode comprar a felicidade, mas pode com certeza ajudar-nos a procurá-la nos melhores lugares”. (David Biggs)
Porém, se nos concentramos no receio da falta de dinheiro, rouba-nos a energia e dificilmente ele aparecerá, então prefiro atentar na beleza de cada dia que nasce, contar as minhas bênçãos, sentir gratidão e trabalhar na direção daquilo que me vai guiando, e a satisfação das minhas necessidades surgirá pelo caminho…  

"O bom do caminho é haver volta. Para inda sem vinda basta o tempo." (Mia Couto in Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra.)

Enquanto isso, estou a trabalhar na simplificação da minha vida emocional, um passo de cada vez. E desta forma a minha vida física também se torna bastante simples. Nas minhas andanças pela vida fora, desde que fui arrancada do lugar ao qual me habituei até aos 17 anos (linda Angola de outrora) - nunca me sentindo enraizada na própria cidade natal - começo a por em causa a importância dos pertences. Carrego comigo alguma roupa e é tudo. A posse de bens leva-nos a sentir terrivelmente sobrecarregados. Andar à deriva dá-nos uma enorme liberdade, porém, até esta tem o seu preço. Tudo na vida tem um preço. Às vezes surge aquela vontade de parar, “regressar à base” e ficar quietinha, que se lixe o mundo. Quero é paz e sossego. Mas parar é morrer. 

É preciso ter coragem para levar uma vida verdadeiramente consentânea com o nosso coração, e não aquela que os outros esperam dela. 

Continuamos, as minhas roupas e eu, em busca de algo que me faça sentir viva, permito-me e opto por ser FELIZ, e se puder contribuir para a dos outros, melhor ainda!

domingo, 14 de junho de 2015

Relações ou ralações

Com o tempo ou com a idade vamos observando tudo à nossa volta de maneira mais subtil, ou sob outro prisma. Nem tudo nos agrada e ficamos sensíveis a tudo o que acontece. Passamos a preferir a solidão do que a multidão, falo por mim. Nem sempre na família recebemos os afetos que precisamos, apenas há os encontros esporádicos em que se come e bebe e pouco há a dizer uns aos outros. No mundo há muitos filhos do desamor. Mas a vida continua, e vamos colmatando as nossas carências em outras áreas da vida, se possível.
Geralmente até parece que a vida do "vizinho" é mais divertida do que a nossa, tem um casamento ou união mais feliz, a família mais unida e com mais saúde, as finanças com mais solidez... Enfim, pelo que observamos superficialmente, às vezes os outros parecem a própria felicidade em pessoa. Porém, tenho aprendido que somente a intimidade mostra quem é quem ou, como diz o povo “cada qual sabe onde o sapato lhe aperta”.

Tenho andado atenta a tanta solidão que existe (acompanhada ou não). Porque para se sentir só não é preciso estar só. Nota-se muita tristeza nas pessoas, cujas mágoas vão disfarçando com algumas risadas em momentos descontraídos, e até nos espantamos quando nos contam os seus “dramas”. Muita gente com casamentos desmoronados, em especial o caso da mulher que preferia estar só mas não tem como sobreviver sozinha. Trabalhou uma vida inteira, cuidou sempre de tudo (marido, casa, filhos) e quando fica desempregada e sem hipótese de encontrar novo trabalho, por causa da idade, sente-se dependente e às vezes humilhada pelo marido... Ou os (homens) que poderiam sair fora mas não o fazem pois há que “agir em prol do bem comum”, em nome dos filhos (desculpas) ou outros interesses que se levantam... e vivem uma vida a dois só de fachada.

Ansiedade: uma doença que alastra, e que deriva da atual conjuntura. Pessoas amigas que escolheram ficar sós porque estavam infelizes no relacionamento, largaram tudo; umas conseguem ficar bem (aparentemente), outras vivem ansiosas, a batalhar arduamente por uma vida digna, tendo passado ou estando a passar por períodos de depressão, por causa de problemas de saúde, seja por falta de dinheiro ou de trabalho e com filhos para criar… tantas situações que nos incomodam e não se consegue ajudar.São as escolhas de cada um(a), o caminho que se deve percorrer.

Dá que pensar o facto de vermos tanta gente a preferir ficar só hoje em dia, homens e mulheres. Mas também ainda há quem se amedronte com a solidão. Fazem-nos tanta falta esses momentos ou períodos em que a gente cria, reflete, relaxa, escuta-se, reconhece-se ou estranha-se, distingue o que é necessário do que é supérfluo, avalia quais são os verdadeiros problemas, mergulha numa leitura apaixonante, ouve o CD que andava esquecido na prateleira e que acalma, ou busca no silêncio o conforto que não vem das palavras de ninguém.
Ainda há quem se iluda e queira ter filhos, e aquela de “vou casar-me para ter quem cuide de mim quando adoecer na velhice”… até isso está a perder o sentido. Por infelicidade, há quem adoeça bem antes da velhice... e é mesmo uma sorte encontrar alguém que cuide da gente, nos bons e maus momentos... Portanto, tudo é relativo nesta vida.

Jovens que se casam super felizes com a pessoa que consideram ideal, ou que agradou de alguma forma, e com o tempo descobrem, na intimidade, que a "cara-metade" não é nada daquilo que esperavam ou imaginavam. Aconteceu isso comigo, não fui a primeira nem a última. O tempo e a intimidade mostram que muita coisa perde o seu encanto, especialmente quando entra em cena o desrespeito pelo outro, a atração fica com gosto de remédio amargo. O mesmo pode acontecer com um novo namorado, novas amizades, sócios, colegas de trabalho e até mesmo parentes.

Quem está sozinho tenta encontrar a “alma gémea”, quem está (mal) acompanhado gostaria de livrar-se de algum peso; há também quem esteja bem acompanhado e prevarica, ignorando que corre o risco de “ trocar de defeito” - como é complicado viver hoje em dia! 

Fico enternecida quando reparo em casais idosos trocando carinhos ou caminhando pelas ruas de mão dada, sonho que quero isso para mim, sou assim uma sentimentaloide inveterada, nunca desisto de sonhar.
Já dizia o poeta que “ninguém é feliz sozinho”. Não me sinto uma solitária. Tenho o meu mundo povoado de personagens e agora descobri a escrita como terapia. Reúno-me frequentemente com pessoas amigas, gosto de ir dançar, conviver, sou apaixonada pela vida. Uma mulher só, mas com um mundo interior povoado de gente, enquanto há tantas pessoas rodeadas de muitos e que têm um mundo interior pobre e solitário, carente de afetos, e não se percebem como solitárias.

Quando a gente aprende a apreciar o carinho da liberdade que vem com a solidão, o medo de estar só vai passando e, ironicamente, quando isso acontece, quando nos sentimos bem sozinhos, geralmente é sinal de que estamos mais preparados para conviver e formar vínculos, ou seja, para desfrutar de outros carinhos. Então fica-se junto com alguém por escolha, por vontade (e depois pode dar certo ou não, claro), e não pelo medo de viver só, que costuma ser o ponto de partida de tantos relacionamentos complicados.
Nós, os humanos, somos realmente misteriosos e complicados!

Tenho vontade de continuar a divagar aqui sobre a solidão. Descobri recentemente que alguém inventou a palavra ‘sozinhez’ para descrever a ‘solidão que faz bem’, aquela que nos faz companhia, o estar só que não dói, às vezes até pode doer um pouquinho, mas não ameaça nem assusta. No máximo, entristece. Mas trata-se de uma escolha.
“Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? / 
vivo tranquilo, a liberdade é quem me faz carinho”

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Vale tudo...

Aquela cidade faz-lhe lembrar muito o lugar de Angola onde ela viveu dos 4 aos 17 anos, por isso se sente tão bem ali, apesar de tanto calor no início de junho, está a imaginar como será no verão… e mesmo assim, não tem saudades de casa? Algo a prende ali, vai voltar, vai tentar… se não tentar, nunca vai poder saber se daria certo ou não.
Acordou na casa da amiga que a acolheu temporariamente e cuja subsistência provem dos serviços de limpeza que vai prestando aqui e ali, ou em casas de férias. A amiga acorda cedo todos os dias para ir trabalhar e naquela manhã ligou-lhe um senhor a precisar dos seus serviços, para limpar um apartamento de férias que tinha acabado de ficar vazio e todo sujo. As pessoas não têm cuidado com o que é dos outros, ou talvez na casa delas também seja assim, uma porcaria. Ou, como diz o brasileiro “tô pagando!” (e vale tudo)

Estava com a agenda preenchida e ainda tinha que ver à pressa, antes de sair, quem poderia arranjar para fazer aquele serviço em vez dela. Olhou para a amiga visitante ainda meio ensonada, acabada de acordar no sofá que lhe deu mau dormir e disse “que tal, eras capaz de o fazer?”. A outra, licenciada e ultimamente quase sempre no desemprego forçado e sem saber por qual caminho enveredar, respondeu “porque não, vamos lá ver como me safo dessa”…

E lá foi ela, combinou encontrar-se com o dono do apartamento, que vinha acompanhado por outro mais velho e simpático, até tinha ar de gringo, e era quem conhecia melhor a cidade. Quando a viram chegar, não conseguiram disfarçar um ar de surpresa do tipo “de onde saiu esta madame?”… pensou ela. Porque uma vez numa sapataria foi tratada de “madame” o tempo todo, e achou isso estranho, terá mesmo ar de madame? Nunca podia imaginar isso. Pelo caminho iam conversando os 3, e o que levava o carro (o tal senhor com ar de gringo, aparentava uns 70 anos aprox.) não resistiu e disse “os telemóveis deviam ter vídeo para a gente ver com quem se fala, de repente aparece-nos assim uma mulher bonita”… ela achou piada e sentiu-se lisonjeada, e aproveitou para comentar que não há melhor beleza que a interior. Assim quebrava um pouco o constrangimento.

Chegados ao local, ela ficou no apartamento T2 vazio, foram 4 horas de limpeza 'nonstop' ao som de boa música no canal VH1 e, depois de limpo, até tinha muito bom ar e dava vontade de alugá-lo para umas próximas férias ou, quando saísse o euromilhões, comprá-lo… ainda tinha a placa de venda na varanda.


Quem sabe, esta poderia ser uma hipótese de trabalho naquele lugar, não desgostou da ideia. A seguir, sentou-se num restaurante que serve boas sardinhas, onde o garçon já vinha a falar inglês e ela avisou-o que podia poupar o idioma que tão bem aprendeu. Ele ficou sem graça, e para compensar depois deu-lhe um ‘cheirinho’ com o café, oferta da casa. A seguir, sem precisar de fazer a digestão, ainda foi dar uns bons mergulhos nas ondas do mar quase morno…


Historinhas como esta fazem parte de uma vida cigana onde não existe a monotonia…

(…) A gente às vezes sente, sofre, dança
Sem querer dançar
Na nossa festa vale tudo 
Vale ser alguém como eu, como você (…)




sexta-feira, 29 de maio de 2015

Já cheira a Verão...

Ela sente-se como peixe na água. Os fins de tarde ensolarados na praia nos últimos dias de maio, quase 8h da noite e o sol ainda tão quente a beijar-lhe o corpo, os mergulhos nas ondas daquele mar com temperatura amena enchem-na de prazer. Ela pergunta ao Universo por que é que não nasceu naquela região do país, porque é que tinha que ser no norte, onde o tempo é frio a maior parte do ano e a vida torna-se mais cinzenta.

Foram cinco meses naquela cidade à beira-mar, com muitas alegrias, sozinha ou acompanhada. Um lugar que ela já poderia ter conhecido há mais tempo, tivesse tirado o curso apropriado para trabalhar e morar na região. Agora não ficou fácil, os mais novos precisam lançar-se no mundo do trabalho e não há como competir com eles.
Tempo de primavera, noites de luar com cheiro de mar, e ainda a fragrância que emana das árvores e das flores, são tantas cores e perfumes, algumas parecem sorrir, outras parecem abraçar quando ela passa… todas dizem: Feliz Primavera para ti!

A aventura está a chegar ao fim, talvez ainda volte, mais dia menos dia. O destino atraiu-a para lá. Por algum motivo. Ela tem que descobrir. Nada acontece por acaso. Já podia ter ido embora há um ou dois meses atrás, porém tudo se propiciou para que ficasse e pudesse ter mais momentos prazerosos.

Bem-vindo Junho! Grandes coisas estão por vir, eu creio!

domingo, 24 de maio de 2015

A vida é tão rara

Tenho estado ausente, já tinha saudades de escrever; o motivo é a vida que nos surpreende de repente… 
Sou assim, ligo e me desligo de vez em quando. Já desisti de tentar encontrar sempre uma razão para tudo, simplesmente as coisas acontecem e temos que aproveitar o momento.
Pessoas como eu sofrem mais. Mas aprendem com as deceções, crescem, evoluem, amadurecem. Nada é estático na nossa vida. Nada é à toa. Tudo acontece por algum motivo, porque a gente sonhou, porque o Universo escutou. Ou porque há sempre algo para a gente aprender.
Sou uma pessoa tudo ou nada. Não suporto meios termos. Sou de paixões loucas e amores calmos, tudo ao mesmo tempo! E com a mesma pessoa! (se ela aguentar) 

Preciso de ter o conforto de um ombro amigo e a urgência de um beijo que não pode esperar. Fujo da rotina. Preciso do inesperado, e ao mesmo tempo da estabilidade. Preciso de quem me descanse e de quem me desencaminhe. Preciso dos risos e das lágrimas. Preciso de me sentir viva e de sentir que faço viver. Preciso de quem me ame e de quem se apaixone por mim todos os dias. Sim, preciso de amar desmesuradamente e de me apaixonar perdidamente. Todos os dias. 

Como diz o poeta, ninguém é feliz sozinho. É verdade, preciso de Alguém… E alguém precisará de mim?...

Pronto, divaguei um pouco, e só para dizer que gostaria de ser muito mais assídua aqui no meu blog, mas nem sempre dá, a vida me espera lá fora (e há sempre tanta coisa para tratar)!



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Somos felizes e não sabemos...

Alvoroço na pacata estação

Uma estação de pouco movimento fora da época de verão, aquela que faz a ligação entre a região de turismo do país e a capital. Na tarde daquele dia estavam algumas pessoas à espera do comboio e no bar da estação alguns velhinhos ocupavam o seu tempo ocioso na conversa ou a jogar cartas.
Eis quando chegou um grupo de 3 mulheres divertidas acompanhando um homem de 2,05m que ia viajar, notava-se pela “pequena” mala de viagem que transportava (pequena em comparação com o tamanho dele, é claro)… e foi um “sururu”!

Os quatro deviam ter chegado de um almoço regado a bom vinho e um bom bacalhau, ou peixe fresquinho, estavam todos muito divertidos. Não sabiam quando voltariam a encontrá-lo e festejavam a despedida, muito animadas “Charuto! Charuto! Charuto!” exclamavam elas enquanto ele atravessava para a outra linha do comboio. Até pareciam as cheerleaders do jogador de básquete no tempo em que ele tinha sido muito famoso, nos anos 80.

De repente, uma delas gritou “hey esqueceste aqui a tua mala” e pega numa grande que se encontrava ali à mão, aparentemente abandonada, toda lampeira atrás dele, para entregá-la. Diz ele “não é minha” e toda a gente começou a rir. Ela voltou a colocá-la no mesmo sítio, e poucos minutos depois chegou o seu dono, um rapaz oriental. 

Mas… esta é que devia ser a dele, é uma mala grande! – foi um dos comentários no meio daquela galhofa. Foi um frenesi repentino naquela estação, até o momento do comboio chegar, e elas continuaram eufóricas a vê-lo partir, enquanto o dono do bar vinha oferecer mais 1 copo de vinho às três, que um dos senhores pagava… 

Ficaram divertidas a recordar os bons momentos passados, especialmente quando ele não cabia no carro, no assento ao lado da condutora (nos assentos traseiros, nem pensar), e era preciso puxar o banco todo para trás, no máximo, para ele ir deitado e poder caber… muito se riram!


Três ladies no Strip Club

Eram 3 mulheres sem saber onde ir passear naquela noite, uma delas era iraniana mas a morar na Suécia há muitos anos, e tinham se conhecido há poucos dias durante a sua estadia de uma semana. Deram-se bem as três, livres e com idades aproximadas, havia muita coisa em comum para partilhar, mesmo sendo na língua inglesa, quando fica mais difícil dizer tudo o que se quer.

Era um dia de semana e no bar de strip havia poucas pessoas, além das muitas strippers femininas e apenas um stripper masculino. Ele sentou-se na mesa com elas, era simpático e bom conversador, mas a bebida dele custou € 25,00! “Bolas, melhor não chamar ninguém para a nossa mesa”. Foi à conclusão que chegaram. No entanto, queriam saber mais detalhes sobre aquele modo de vida, pois uma delas até já tinha lido “Bruna Surfistinha”, agora queria conhecer a versão masculina. 
Foi uma noite divertida, as garotas dançavam bem no varão e despiam-se no final, mas era sempre a mesma coisa. Foi uma noite diferente, a não repetir tão cedo.

São pequenas histórias, momentos como estes, quando 3 amigas se encontram (íntimas, ou que acabaram de conhecer-se) - e então uma delas sendo brasileira, oh my Gosh - que desfazem a monotonia do dia-a-dia, e tornam a vida diferente e especial. 
Muitas vezes esquecemo-nos de ser felizes, e é preciso tão pouco…
https://www.youtube.com/watch?v=OkSyXfsXSzo