segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Proibido proibir

Mesmo adorando a vida… há momentos em que parece já vimos tudo, sentimos tudo o que havia para sentir, ou já nada nos surpreende… nos desiludimos amiúde, e parece não haver mais nada que nos empolgue… especialmente quando se instala a maldita rotina (sei que há pessoas que gostam dela, mas eu não). Quando as coisas precisam ser melhoradas e não se vê ninguém fazer nada. Quando se deixa de dar grande importância ‘ao outro’ porque ficou cansativo “dar pérolas a porcos” ou “dar murro em ponta de faca” (gosto de certas expressões, e de ditados!)
Este frio nunca mais acaba, são para mim dois ou três meses intermináveis, e enquanto hiberno (nos intervalos) penso demasiado e fico neste estado. Sinto que estou a precisar de renovação e ao mesmo tempo quero contribuir para um mundo melhor, quem se junta a mim? Parece-me tudo tão apático ao meu redor, uns andam vendo “a banda passar”, outros comem ou bebem para esquecer, se detonam do jeito que sabem… e eu “em pulgas”… Que quero eu? O que me preenche?
Fora os horários em que ando fazendo cursinhos e mantendo os neurónios ativos (eles gostam e agradecem), vou lendo uns textos super interessantes aqui e ali, e costumo pegar neles para partilhar neste espaço. Este que cito a seguir, por exemplo, sobre a infância ou a juventude. Pouco me lembro dela, mas foi mais ou menos assim para a maioria de nós. Sinto-me uma dinossaura. Quem o escreveu, entre tantos outros textos que diariamente publica, sentirá orgulho que eu partilhe, julgo eu, sem ser necessário mencionar o seu nome. 
A itálico e entre parênteses são notas minhas.

“Quase todos os meus amigos nasceram antes de 1980.
E se pensássemos em tudo o que agora está proibido e é proibido, quase nenhum de nós chegava a este ano de 2018, os nossos quartos tinham componentes na tinta que agora matam, as camas eram pintadas numas cores garridas com tintas cheias de chumbo, nem por isso deixávamos de dar dentadas na cama.
Tudo que era frasco ou bidão de borracha tinha abertura fácil, os armários das cozinhas e despensas estavam todos sem chaves.
Viajar de carro era sem cinto, sem airbags, sem limites de velocidade, sentávamos à frente ou atrás, conforme desse jeito.
Nunca me lembro de ver água engarrafada, bebíamos da torneira mais perto, do rio ou de onde pingasse água, era aí que matávamos a sede.
Partilhávamos tudo e não havia doença que nos assustasse... não partilhávamos as namoradas (talvez os mais hippies, sim).
Nunca pensávamos em dietas porque a brincadeira era na rua, era andar de bicicleta sem joelheiras ou cotoveleiras, tínhamos carros de rolamentos feitos por nós, só nos obrigavam a estar em casa quando o sol se punha, até aí ninguém sabia de nós! Por isso não havia gordos na altura.
Se quiséssemos estar com um amigo, o encontro era na rua ou na garagem da casa dos pais.
Íamos a pé ou de bicicleta para a escola ou para o liceu.
Jogávamos à carica e ao berlinde, às três covinhas, ao prego, à trouxa ou ao canhé. (estes últimos quatro não conheci, mas isso fui eu, que era criada como ‘flor de estufa’; lembro-me bem é de jogar à macaca!)
As miúdas jogavam às madrinhas e saltavam à corda, ou brincavam às casinhas e às enfermeiras, por vezes às cozinhas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
A malta de hoje, os universitários… já só nos chamam “velhos”, “kotas” e desatualizados... Eles não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.
Para nós havia 2 Alemanhas, 2 Vietnames, para eles só um de cada um deles. Porém, toda a nossa geração é que produziu muita inovação e várias invenções... fomos treinados para isso!
De facto estamos a ficar velhotes, mas que nunca mais haverá uma infância como a nossa, quase tenho a certeza de que nunca mais! A nossa juventude foi uma sã loucura!”
https://www.youtube.com/watch?v=7Wr-iMoviMA
Verdade. Atualmente, com tanta pseudo liberdade, há tanta proibição, tanto mal falar, tanta crítica e preconceito. E quem não se reprime é o louco. Feliz de quem ainda consegue manter a loucura sã.

EU NÃO QUERO O PRESENTE, QUERO A REALIDADE

Vive, dizes, no presente, 

Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade; 

Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente? 

É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. 

É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.

Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema. 

Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas como cousas.

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar. 

Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las; 

Vê-las até não poder pensar nelas, 

Vê-las sem tempo, nem espaço, 
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" (heterónimo de Fernando Pessoa)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Monólogos da gringa

Muito frio. Estes são os dois meses que mais custam a passar: janeiro e fevereiro. Só quero hibernar. 
E quando chega março, que alívio! É assim a roda da vida, aproveitemos porque ela gira “dois dias, e um já passou!” …

Tenho certeza absoluta de que surge na cabeça de muita gente, como eu, pelo menos uma meia dúzia de coisas que gostaríamos de ter feito, mas que por algum motivo não fizemos e nos arrependemos disso. E ainda vamos a tempo, por que não?
Surgem aqueles pensamentos “se o tempo voltasse atrás, mudaria alguma coisa? Arrependemo-nos por não ter feito algo?”
Não tomamos certas atitudes por diversos motivos: medo, covardia, burrice, pressa, planos futuros e outras coisas. O pior de todos é esse medo (medo do que pode acontecer, do que vão falar, do que vão pensar)…
Vamos nos dando conta de que passamos a vida toda a lutar por um futuro estável e quando chega esse tal futuro, a vida continua sem estabilidade nenhuma. Não importa o que façamos, a vida parece sempre incompleta. Portanto, melhor não fazer da vida uma luta enfadonha por um bom futuro. Até mesmo porque… será que o futuro existe? A realidade é que temos apenas o presente para viver e não vamos perdê-lo, em busca do tal futuro.

É bom quando a gente entende que a vida humana é um texto que só pode ser escrito uma vez. Não existe outra vida, apenas esta (que nos apercebamos, ou lembremos). Então façamos tudo o que nos der na telha! (sem esquecer o espaço dos outros, evidentemente).

É preferível que nos arrependamos das ações do que das omissões. Vamos fazer! Vamos viver, afirmar a vida como ela é! 
Há muita gente que faz da vida um rascunho, e não devia, porque não haverá tempo de passá-la a limpo.
Vamos sentir-nos cansados, exaustos... mas de tanto pular, gritar, dançar e cantar... 
Façamos a nossa existência tão especial que quando nos perguntarem “Gostarias de viver tudo outra vez, do mesmo jeito?” responderíamos “Sim! Viveria mil vezes, se isso fosse possível!”

'Bora, vamos viver a vida, porque ela é curta. E que no final de cada dia pensemos para nós próprios “Tem valido a pena!”

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Feliz Ano Todo

Lembro-me de 2017 como se fosse há uma semana atrás!... Fora de brincadeira, agora há que atrasar uns 5kg na balança, pois as festas natalícias e afins dão cabo da gente... (acho que até nem exagerei, ando a melhorar… só uns profiteroles no fim de ano, e alguns chocolates, e antes, no natal, em casa da mamy é que foi mais perigoso). Todos sabemos que as mães querem ver os filhos rechonchudos, bem alimentados…
Sempre vi as pessoas fazerem questão de inventar algo diferente ou inovador ao toque das badaladas, como, por exemplo, comer as 12 passas em cima do banco (o de sentar, entenda-se), ter muitas notas (de música, servem?) no bolso, ou estrear umas cuecas (calcinhas, gosto mais) azuis, amarelas ou vermelhas de paixão… Fico até sugestionada e quero fazer tudo isso, tudo ao mesmo tempo se possível, para que o NOVO ANO seja o melhor possível. Porém, com o tempo, tenho reparado na tendência da minha pessoa a ignorar tanta 'treta'. O que constato também é que tantos querem mudar o mundo, mas nem conseguem mudar-se a si próprios, pois esse já seria um bom começo! Se algo está mal, tudo continua igualzinho de ano para ano, até mete impressão.

Pela primeira vez (se bem me lembro) era quase meia-noite e andava por aí, pela rua, sem saber onde parar, mas de repente lá estava eu junto ao mar… banhado por uma luz prateada de lua cheia fantástica!!!! A noite estava maravilhosa. Deu para ver algum fogo-de-artifício e balões a subir no ar, como se fosse São João, ainda é permitido isso? A seguir, um pezinho de dança, para variar…

Que mais posso querer eu para estar bem e sentir-me FELIZ, considerando-me mental e fisicamente saudável, rodeada de música, MAR e LUA/SOL, além de contar com a gente da minha tribo?


Ai esse MAR, adooooro! Dizem que um banho de mar é um descarrego… acredito que sim. Quisera eu ter a coragem de alguns que seguem o ritual de iniciar o primeiro dia do ano com um belo mergulho matinal no mar! Já estive tentada, mas sou mesmo muito friorenta, e ainda pior: ter que acordar cedo!…nunca se sabe, um dia talvez, na companhia de algum maluco ou maluca como eu...Qual passas, qual cuecas, qual quê….!

 Será ela a LUA?
Nas ondas do mar ela costuma entregar os seus problemas e aprende a confiar…
Ela adora ver
o meu corpo de água salgada 
Os seus olhos perdem-se na minha imensidão 
Sou muito além do que possa alcançar a sua visão
Sou calmo, às vezes agitado
Ao amanhecer tenho a companhia de um grande astro dourado 
que às vezes me oferece dias nublados
Ao escurecer tenho comigo a presença dela 
com o seu brilho refletido sobre mim 
deixando a noite ainda mais bela
Sou ártico, sou índico, sou atlântico, sou pacífico
enfeitado por conchas, peixes e corais coloridos
Muitas vezes sirvo de inspiração
para um poema, um verso ou uma canção
Acompanha-me sempre uma grande faixa de areia
e também mitos e lendas sobre tesouros e sereias
Levo as flores que recebo com muito carinho
mas retribuo quando trago para ela muita paz e felicidade
(Eu, Mar)

Sempre, ela só queria ver o mar. 

domingo, 24 de dezembro de 2017

Feliz Solstício de Inverno!

É hoje a consoada. Mas, na verdade, não vejo gente consolada. Ou ando pelos locais errados. É quem mais estressa, no mercado, no trânsito, gente enervada com alguma coisa, quase a passar mal... Que loucura toda é esta?
Parei um pouco nas minhas andanças para vir aqui deixar um abracinho natalício, seguindo a tradição - além das 551 mil mensagens trocadas via FB, Whatsup, Email, etc. - e desejar que o novo ano nos sorria a todos, que merecemos. Mais do que riqueza material, desejo riqueza espiritual, aquela que nos permite evoluir e perceber o que andamos por aqui a fazer uns com (ou sem) os outros. Há quem ainda não perceba que tudo é "causa-efeito", para quê reclamar tanto e de tudo...?
Nós somos a causa, e a vida é consequência! Diz-se também que só teremos aquilo que nos está destinado, não adianta sonhar com mais...(?!) O que vos parece?
"Homens fracos acreditam na sorte. Homens fortes acreditam em causa e efeito."
Mais um ano que acaba, e felizes de nós que estamos vivos, com saúde. Vamos sabendo de tanta gente que parte, conhecida ou não, e lá nos vamos conformando e acreditando que os seres amados se transformam em estrelas brilhando no firmamento, com quem poderemos falar a qualquer hora que queiramos...e que isto aqui é mesmo uma passagem… para a outra margem. Há que saber aproveitar. (Uma amiga querida acaba de perder a mãe em plena véspera de natal)

Sobre a loucura do natal - o stress que chega a seguir ao verão, é o que parece - li algo no perfil do FB de uma amiga, professora, que passo a citar:
Tenho a ideia estapafúrdia de acabar com esta treta do natal comercial e de criar uma simples festa de solstício de inverno! Um dos temas era reunirmo-nos, de acordo com os gostos e apetências comuns com gente que nos dissesse, na realidade, qualquer coisa mais do que este, para mim, obsoleto conceito de "família".”
Decidi expressar este pensamento por ter percebido que, mesmo nas famílias alheias que eu julgava das mais sólidas, a coisa não é assim tão linear quanto isso. A evasão destas festas é um sonho acalentado pelos mais sinceros. Ou seja, não sou a única a achar isto uma chatice.
Já nem os meus 80 alunos, entre os 6 e os 8, acreditam no pai natal: é grave! Ele existe, mas não da forma como é concebido atualmente: todos os miúdos sabem que são os adultos a dar prendas - não há volta a dar. Por isso, qual é a piada, se já nem as criancinhas acreditam??
Cair na real não nos ficaria mal! Abaixo o natal! Viva a criatividade. E a revolução!!!!” (fim de citação).

Por um lado, concordo com ela. Esta correria toda só favorece o consumismo e o enriquecimento de uns, em prejuízo de outros (aqueles que gastam sem poder, muitas vezes). E a família, que afetos, que cumplicidade existe na maioria delas?... Tantos fretes que se fazem, em nome de algum interesse, apenas isso... maioria dos casais separados, filhos, sogros, genros e noras, uns para cá e para lá, haja entendimento!... quanta gente gostaria de estar apenas em pequena reunião familiar, pais e filhos apenas, em convívio ameno e tranquilo, e tem que levar com a confusão toda destes dias. Salvo as exceções, claro, de quem nutre amor familiar de verdade e todos se reúnem com alegria e prazer à volta de uma mesa recheada de iguarias.

Por outro lado, por que não viver no mundo da fantasia e do sonho? Ainda sou do tempo em que pensava mesmo que o velhinho barbudo vestido de vermelho ia descer pela chaminé e pôr presentinhos na meia, em cima da lareira. Quando acordava de manhã, ia a correr ver o que estava lá.

Se optarmos por sonhar, o problema é só nosso; o pior mesmo é quando se cai na real à força.
Viva o ser real, assertivo, quando decidimos deixar de querer agradar aos outros e impomos o nosso SER. Já houve uma vez, ou duas, já nem me lembro, em que decidi passar a noite de natal comigo mesma, sim eu(so)zinha, talvez tenha comido uma sopa e a seguir fui deitar-me. Não sei se feliz, mas fazia-me falta essa tranquilidade, e o silêncio, sei lá.
Li que descobrimos quando se atinge o nosso grau mais elevado de maturidade, ao conseguirmos ser assertivos com os nossos (seja quem for) e deixamos de ser meros 'agradadores' para com eles, sem todavia lhes faltar ao respeito, sem deixar de os amar... (então devo estar a cair de podre, de tão madura que ando...LOL)
Nitidamente, há pessoas que vivem para agradar aos outros e só atraem relacionamentos tóxicos que sugam energia e causam sofrimento e angústia. É preciso limpar e arrumar a nossa vida, repensar as crenças, porque aquilo em que acreditamos condiciona a nossa energia para viver e aquilo que atraimos... depois... é fundamental identificar o caminho que queremos seguir, construindo um amor-próprio sólido e imune à manipulação, à inveja e à toxicidade...

Vivam as relações saudáveis baseadas no respeito mútuo, onde vale a pena investir o nosso tempo e energia.
Viva o solstício de inverno, o natal, o amor, os sonhos, viva nós, amo-vos, porque
TUDO É AMOR
Porque do amor tudo provém e no amor tudo se resume.
Vida – é o Amor existencial.
Razão – é o Amor que pondera.
Estudo – é o Amor que analisa.
Ciência – é o Amor que investiga.
Filosofia – é o Amor que pensa.
Religião – é o Amor que busca Deus.
Verdade – é o Amor que se eterniza.
Ideal – é o Amor que se eleva.
Fé – é o Amor que se transcende.
Esperança – é o Amor que sonha.
Caridade – é o Amor que auxilia.
Fraternidade – é o Amor que se expande.
Sacrifício – é o Amor que se esforça.
Renúncia – é o Amor que se depura.
Simpatia – é o Amor que sorri.
Altruísmo – é o Amor que se engrandece.
Trabalho – é o Amor que constrói.
Indiferença – é o Amor que se esconde.
Desespero – é o Amor que se desgoverna.
Paixão – é o Amor que se desequilibra.
Ciúme – é o Amor que se desvaira.
Egoísmo – é o Amor que se animaliza.
Orgulho – é o Amor que se enlouquece.
Sensualismo – é o Amor que se envenena.
Vaidade – é o Amor que se embriaga.
Finalmente, o ódio, que julgamos ser a antítese do Amor, não é senão o próprio Amor que adoeceu gravemente.

Tudo é Amor. Não deixes de amar nobremente.
Respeita, no entanto, a pergunta que te faz, a cada instante, a Lei Divina:
“COMO?”. (André Luiz)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Jingle Bell Jingle Bell

Chegou a época natalícia. Oportunidade de ver luzinhas a piscar por todo o lado, decorações de bom gosto (ou não), publicidade a bombar, para que se gaste todo o 13º (para quem tem trabalho, claro), época de trocar mensagens calorosas, sempre agradáveis, a fim de amenizar o frio que já se sente, e de trocar presentes (para quem pode).
Aproveito já para desejar boas festas de natal a todos os que costumam seguir-me ou acompanhar a minha escrita. 
Como agora ando dedicada a fazer um curso intensivo online, para aperfeiçoar o meu CV, pouco tempo me resta para vir aqui blogar. Prometo que ainda volto antes de terminar este ano (se tiverem saudades minhas, claro). 
A vida não pára, ando sempre a bulir, com gosto pela aprendizagem de algo que possa ser-me útil, a curto ou médio prazo. Num mundo com tanta gente em desassossego, é importante que cada um saiba valorizar-se, sem estar à espera que alguém dê o merecido valor… tenho dito!
Um livro é dos melhores presentes que se pode receber ou oferecer, dá-nos conhecimento, podemos sair da (muitas vezes, triste) realidade e ‘viajar na maionese’ - o que é saudável - além da literatura didática que nunca é demais, e feliz de quem tem tempo para devorá-lo(s) … os livros…vou fazendo o meu montinho e algum dia estarão todos lidos. Para já está difícil; além da ginástica e do curso, pouco tempo me resta, porém… cada coisa a seu tempo tem seu tempo!
Quando me ausento deste espaço, onde me habituei a apontar 'cenas' e partilhar registos autobiográficos, fico mesmo com saudade da escrita. Afinal, não passa disso mesmo: uma forma de autoterapia que reflete sempre conflitos, desejos e medos (in)conscientes... Na escrita, pode-se comparar o papel do inconsciente com a ponta de um icebergue, que apenas tem um oitavo do seu volume total acima do nível da água. Muitos romances que gostamos de ler, e depois passam à ficção, só podem ter sido criados a partir de experiências vividas pelos seus autores.
https://www.youtube.com/watch?v=gR0gp9SsLCg
Somos balões cheios de sentimentos num mundo repleto de alfinetes! (alguém disse e muito bem).
Feliz Natal!


Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. 
Não florescem no inverno os arvoredos, 
Nem pela primavera 
Têm branco frio os campos. 

À noite, que entra, não pertence, Lídia, 
O mesmo ardor que o dia nos pedia. 
Com mais sossego amemos 
A nossa incerta vida. 

À lareira, cansados não da obra 
Mas porque a hora é a hora dos cansaços, 
Não puxemos a voz 
Acima de um segredo, 

E casuais, interrompidas, sejam 
Nossas palavras de reminiscência 
(Não para mais nos serve 
A negra ida do Sol) — 

Pouco a pouco o passado recordemos 
E as histórias contadas no passado 
Agora duas vezes 
Histórias, que nos falem 

Das flores que na nossa infância ida 
Com outra consciência nós colhíamos 
E sob uma outra espécie 
De olhar lançado ao mundo. 

E assim, Lídia, à lareira, como estando, 
Deuses lares, ali na eternidade, 
Como quem compõe roupas 
O outrora compúnhamos 

Nesse desassossego que o descanso 
Nos traz às vidas quando só pensamos 
Naquilo que já fomos, 
E há só noite lá fora. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
(heterónimo de Fernando Pessoa)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Ser ou não ser... de Escorpião!

Em processo de autoconhecimento. Sempre.
Às vezes me assusto por gostar tanto de estar na minha sozinhez, sendo que é algo ‘aterrador’ para outros. Há quem pergunte “gostas mesmo de viver aqui neste isolamento?” Claro! Necessito deste sossego, de organizar-me no meio da desorganização, sem incomodar nem ser incomodada. Arrumo, limpo, passo a ferro, só quando me apetece. Não há urgência de nada, em primeiro lugar está o que me der prazer espiritual. Sou assim. Será coisa de Escorpião? Para quem acredita em características de signos, talvez.

O mundo está barulhento demais, muita gente a dar palpites do que sabe e não sabe. Rotos a falarem de esfarrapados. Muita gente mal amada, paranoica, esquizofrénica, deprimida, sei lá, pouco se aproveita já. Meio mundo a abusar de outro meio. Os que têm o rei na barriga e os coitadinhos. As redes sociais (assim como os big brother em moda na TV) acabam por ser o barómetro do que se passa na sociedade ou em cada um. Ainda estes dias dei de caras com mensagens estranhas (em letra garrafal) de uma pessoa que já conviveu amigavelmente comigo durante algum (pouco) tempo; uns textos estranhíssimos e pensei “coitada, surtou!”. Veio destilar toda a sua miséria humana para a rede social, e ai quem se atreva a responder-lhe, leva logo com a ameaça de bloqueio LOL Com certeza estará a precisar de tratamento mental, coitada, uma mulher bonita e que parecia divertida. Este é um exemplo. Que há muita gente complexa neste mundo, sabemos, mas alguns abusam e denunciam logo o seu estado mental. Então, quando começam a sentir o peso da idade, e/ou dos quilos a mais, a coisa piora. São as futilidades do ser humano que não consegue evoluir.

Há pessoas que são autênticos diamantes brutos, dá vontade de querer ajudar, se nos deixarem. Outras são verdadeiros brutamontes, ainda têm que evoluir muito, nada a fazer. E destes, o melhor a fazer é fugir.

Já estamos na era dos sagitarianos, mas vou falar ainda sobre o melhor signo do zodíaco: o escorpião. A brincar, ou não, tenho orgulho de ser como sou. Houvesse muita gente igual a mim. Claro que os escorpianos não são todos iguais, nem todos reagem da mesma maneira em todas as situações. Alguns traços característicos da personalidade tendem a variar de acordo com o ascendente e a valorização de outros signos no respetivo mapa astral, assim como o histórico de vida e a educação de cada um. Destaco alguns traços com os quais me identifico, sem dúvida:

Não existe superficialidade - Nem nos seus afazeres, nem nas suas relações. Escorpianos não são do tipo que gostam de acumular muitos amigos, porque não conseguem ser frívolos com as pessoas. É bastante comum que tenham poucas pessoas de confiança, de quem são realmente amigos ou parceiros. Aquela história de poucos, mas bons amigos, é a maior realidade das pessoas deste signo.

Detestam "lamber as botas" - Não tente adular um escorpiano. Eles são bastante verdadeiros e não gostam desse tipo de agrado. Para eles, mais vale que você seja sincero e até um pouco grosso do que "fofo" de uma forma falsa.

Não falam por falar - A palavra tem um peso enorme para eles.
Não aceitam bem atitudes rudes ou indelicadezas, qualquer leve atrevimento já os ofende muito. Também por essa característica, você nunca verá um escorpiano fazendo uma promessa leviana: o que ele disser, vai cumprir, custe o que custar.

Odeiam exposição - Divulgar tudo o que fazem, o que pensam, não faz parte das pessoas desse signo. Elas não gostam de pensar que alguém pode achar que as conhece muito bem. Gostam de privacidade, por isso guardam muito o que sentem - inclusive em relação ao amor, por isso dificilmente contam que estão sofrendo por alguém, por exemplo. Você não verá um escorpiano contando cada passo que dá nas suas redes sociais.

(ou seja, com os amigos íntimos até podem abrir-se; e nas redes sociais partilham o que pensam, mais para 'elevar' consciências (que desplante), ou o que fazem, mais por diversão; digo eu que me considero low profile… sendo este blog uma exceção, um tipo de catarse juntamente com o gosto pela escrita)

Características mutantes
Verdade, gosto de sentir-me em constante mudança, dentro ou fora de mim. Objetivo: evoluir, e ser feliz, já que me puseram neste mundo. Nasci sem pedir, morrerei sem querer, então quero aproveitar o intervalo. Não mato a cabeça com problemas pequenos, aproveito a vida da maneira mais lúdica, sem muitas questões existenciais. Como todo o bom escorpiano, tudo tem que ser sentido e vivido com intensidade, fica difícil controlar isso. Com uma personalidade forte e atraente (assim ditam sobre este signo), dificilmente desferimos golpes baixos, e consideramos a amizade sagrada.
Dizem também que as escorpianas são cheias de encantos e mistérios. Cada uma tem um jeito muito peculiar de ser e, às vezes, é difícil desvendá-las totalmente (pode ser… pois ainda me ando a desvendar a mim própria, ora!)

Outras características que gosto de ler, e concordo, sobre mim, mulher de Escorpião:
“Quem comanda essa mulher é Marte, então ela é fogo. A melhor definição para a escorpiana é PROFUNDIDADE. Tem um temperamento sutil, complexo e nunca óbvio. Não se curva a nada nem a ninguém. É possessiva (já não...), intensa, orgulhosa e leal.
O seu olhar serve para enfeitiçar, além de servir para descobrir os maiores segredos que se
escondem dentro das pessoas.
Não existe fúria igual à da escorpiana, quando perde o controlo das emoções que queimam
dentro dela como um vulcão. Não é do tipo de mulher que conhece limites quando é tirada do sério. A escorpiana ama e odeia na mesma intensidade, e o seu senso de justiça e vingança têm o mesmo peso e a mesma medida. Para ela não existe o meio-termo: ou ama ou detesta! (não gosto de usar a palavra ódio, forte demais) Se algo ou alguém não for capaz de despertar nenhum destes sentimentos, então ela ignora totalmente."

A mulher de escorpião adora o poder - será? - e por ele pode fazer muitos sacrifícios. Por outro lado, despreza qualquer tipo de fraqueza, e não se sente bem com pessoas que julga não serem merecedoras da sua atençãoNum homem, ela procura força, determinação e coragem, capaz de dominá-la e fazê-la orgulhosa. Estas até sublinho, muito verdade. Detesto que violem o meu bom senso ou subestimem a minha (pouca ou muita) inteligência. Detesto hipocrisia e gente aldrabona. Abomino quando percebo que estou a dar pérolas a porcos.

Pronto, falei. Cuidado comigo!!!

Quem me conhece bem ou usufrui da minha (boa) convivência, saberá concordar ou não com tudo isto. Para alguém estar bem comigo, e vice-versa, só tem que vibrar na mesma frequência, ser inteligente para perceber isso.


Resumindo (e baralhando): sou gente boa, quero governar (e anarquizar) para ver todo mundo feliz, só isso.

Por isso, votem em mim!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Viva EU!

Presente de amiga
Em poucos dias estarei a celebrar mais um ano da minha existência vivida (bem ou mal, depende do ponto de vista de cada um)… 
Sinto-me uma jovem de 17 anos com mais 42 de experiência e esperança... Não fosse o espelho e os amigos (especialmente os de infância, para quem tem a sorte de os acompanhar), nunca saberíamos se estamos a envelhecer…
Já ando a comemorar (e bebemorar) desde o primeiro dia de novembro. No feriado tive a visita de uma querida amiga do Norte, esteve poucos dias cá em casa, então decidimos aproveitar bem a companhia uma da outra ao jantar com confidências femininas regadas a Murganheira meio-doce e saboreando gostosos camarões preparados por ela. 
No dia seguinte, ao sair para trabalhar, reparei com espanto que tínhamos dormido com as chaves do lado de fora da porta. Hehehe (na hora do almoço ela tinha saído de casa com a blusa do avesso, e nem eu reparei! No café, foi uma estranha que veio alertar de um modo muito cauteloso e simpático). É assim a gente da minha tribo, descontraída e sem complexos, com vontade de apenas ser feliz… Vamos rindo, e vivendo…que mais poderíamos almejar?
Construindo castelos (imaginários) com as pedras que vão surgindo pelo caminho, eu princesa me assumo, agradecendo ao universo que é perfeito e tem se mostrado generoso comigo. 
Em setembro já ganhei um telemóvel novo de uma pessoa querida, de outra tive a oferta da capa…e assim coisas agradáveis vão acontecendo e me alegrando ao longo do(s) ano(s), com amizades boas, longe ou perto, são como as estrelas: sabemos que estão sempre lá.
Lembro-me que antigamente eu considerava ‘velho’ alguém com 40 ou 50 anos. Atualmente não passo de uma gatosa (gata idosa), como muitas que conheço por aí, e fico em dúvida quando será que uma pessoa entra na terceira idade. Ou estarei eu na meia-idade? Renego! não pode haver meias-idades, se não sabemos quando será o fim, como pode existir o meio da idade (?)

Um estudo britânico afirma que existe uma grande divergência sobre quando começa ou termina cada etapa da vida para os europeus. Os portugueses acreditam que a juventude termina aos 29, enquanto em Chipre a média é 45. Em Portugal também acham que a terceira idade começa aos 51, enquanto na Bélgica as respostas andaram em torno dos 64. Segundo a pesquisa realizada pela Universidade de Kent, na Grã-Bretanha, a juventude termina aos 35 e a terceira idade começa aos 58 anos.
Who cares? Estudem para aí o que quiserem, que eu vou continuar a contá-los, de pé ou de gatas.E tentando não ficar de gatas, claro.
Um dia, caminhando do trabalho para casa ao final da tarde, passei por uma janela onde estava uma senhora idosa dormitando agarrada à sua bengala. Doeu-me o coração, mil pensamentos e emoções aflorando ao meu espírito durante o resto do percurso “será que tem filhos? Será viúva? Algum filho virá visitá-la? Será que levou uma vida azafamada e agora está ali quietinha, só esperando as horas passarem até ao dia D, aquele que nos calhará a todos…” pensamentos tristes que vêm e costumam ficar pouco tempo. Muitas vezes, é mais o passado que nos mata ou maltrata do que propriamente o futuro, o qual temos a mania de temer.

Se a soma dos anos nos traz MATURIDADE, isso é muito bom! E se, além disso, nos trouxer TRANQUILIDADE e conseguirmos encontrar o EQUILÍBRIO, acabar-se-ão as preocupações, ansiedades e dúvidas.
Definitivamente, o que tínhamos de ser, já somos. E o que não havíamos de ser, não o fomos, e nem mais o seremos. Disso não podemos ter nenhuma dúvida. Então para quê preocuparmo-nos?
HOJE é aquele futuro do qual estávamos tão temerosos ONTEM. E vejamos, tudo correu bem. Afinal de contas... aqui estamos nós!
Já não temos que continuar a adiar nada, nem fazer planos a longo prazo ou inalcançáveis para o futuro...porque, para nós – gatosas e gatosos - está bem claro: o FUTURO já está aqui.
Precisamos é começar a ver  os resultados de tudo aquilo para o qual antes costumávamos trabalhar, planear, economizar e preparar ao longo de toda uma vida. Se gostamos de algo ou temos dinheiro para adquiri-lo, se queremos fazer uma viagem ou um cruzeiro, que seja Agora, antes que outra coisa aconteça como, por exemplo, uma super desvalorização da moeda, uma cirurgia repentina, um AVC ou um enfarte... A hora é AGORA. Não percamos mais Tempo!

Que não tenhamos que dizer um dia: “Tarde demais para recomeçar!”

A mim, pessoalmente, ou pelo que sinto, fascina-me e enche-me de alegria descobrir a chegada da maturidade. Com algum espanto vou descobrindo no dia-a-dia novas surpresas e satisfações (e as deceções - inevitáveis), as quais nunca sonhei que existissem. 
E claro, na companhia das valiosas amizades que se vai conquistando.

“Eu não acredito na idade. Todos os antigos trazem nos olhos uma criança, e as crianças por vezes nos observam como sábios idosos.” Pablo Neruda
Parabéns a mim!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O raio da PDI

Achei engraçado este texto ‘abrasileirado’ e lembrei-me de partilhar aqui, ou dedicá-lo aos “macho men”, aqueles que já chegaram aos 40, ou receiam chegar aos 50, para quem a vida vai perdendo o sabor, e outras coisas... Alguns tornam-se piores do que as mulheres. Muitas destas até rejuvenescem com a idade, se quiserem. E os homens desanimados, por causa da P... da Idade, querem é aventurar-se pelas “curvas” da vida e... “ala, que se faz tarde”.


Para os quarentões, cinquentões e outros fudidões:
Se já passaste dos cinquenta, prepara-te porque logo, logo, vais começar a sofrer de TPC.
Para quem não está ligando o nome à coisa, eu explico: Tensão Pós Cinquenta.
Só os homens sentem isso, porque mulher não faz cinquenta nunca! No máximo… 49!
Para teu consolo, todo mundo um dia vai envelhecer.
Lembras-te de quando tinhas vinte anos? Sofrias por bobagens, por exemplo, tinhas que usar creme anti acne? Agora tens que usar gel para dor muscular…
Apaixonavas-te e achavas que o teu coração te maltratava? Experimenta subir correndo um lance de escada agora…
O que é uma fimose diante de uma artrose? O que é um band-aid diante de um emplastro? 
O pior é quando percebes que, ao invés de teres quatro membros flexíveis e um duro, passas a ter quatro membros duros e um mole!
O problema maior já não é aquela primeira vez que não consegues dar a segunda, e sim a segunda vez que não consegues dar a primeira! Agora, para ti já não é importante o ato de despir a roupa e não provocar desejo; se não provocares riso, já tá ótimo! Aliás, sexo depois dos cinquenta, se conseguires, é que nem pizza… mesmo ruim, tá bom!
Os médicos dizem que sexo depois dessa idade é importantíssimo! Ajuda na circulação sanguínea, nos batimentos cardíacos, e que deve ser praticado no mínimo três vezes por semana! Então tu perguntas “com quem?”
Se fores casado, então… não existe a menor possibilidade que isso aconteça! E se fores solteiro e velhote, também não.
E ainda dizem que depois dos cinquenta o homem fica mais sexy… só se for sexagenário…
Mas se estiveres solteiro, podes até conseguir casar depois dos 50, e fazer a tua lista de casamento numa farmácia…
Há quem diga que a vida começa aos quarenta… Verdade! Só que em vez de um pediatra, começas a frequentar um geriatra… em vez do teste do pezinho, vais ganhar o teste do dedinho: um bom exame à próstata!
Depois dos 50 o romantismo muda para reumatismo… mas podes correr atrás do prejuízo. Corre numa esteira, num parque, não importa… DICA: depois da corrida, toma um açaí com prozac e meio viagra. A tua depressão vai desaparecer num instante… se não morreres!


“Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!”

E que venha logo o São Martinho, o Natal, o Réveillon… e o Novo Ano!

(Oh God make me good but not yet!)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Era uma vez...

Uma gata maltesa, oh não... uma vida...
 ... uma menina que mal se lembra da sua infância, mas deve ter sido tranquila (imagina); quase nenhuma foto tem para recordá-la, e hoje em dia é tudo tão diferente que até se sente uma dinossaura!
Agora é tanta foto, é filmes, e o vício de navegar na internet logo desde criança, usar as redes sociais, se os pais deixarem, claro. Antigamente era mais o jogo da cabra-cega, saltar à corda ou jogar à macaca, ler os livrinhos do Pato Donald ou Tio Patinhas, os da Anita, fazer palavras cruzadas ou aquele jogo do “stop”, em que se tinha de preencher uma folha com nomes de pessoas/países/animais/objetos/frutas/cores/marcas de carros…o primeiro a terminar dizia “stop” e fazia-se a pontuação. Ela adorava jogar ao stop, e mais tarde era o vício das palavras cruzadas ou de jogar scrabble. Exercitava-se o corpo, a memória, a criatividade.

"Stop"
Hoje conclui que andar à volta das palavras foi sempre a sua preferência. As mesmas palavras que ainda a provocam e a fazem digitar (coisa moderna) sobre qualquer tema que lhe agrade. Atualmente, com quase seis décadas em cima dá-lhe para querer ‘recuperar’ memórias (que fugiram), tentando descortinar o que ficou para trás ou o que foi acontecendo ao longo do tempo até chegar ao presente momento. Essas divagações ocupam-lhe a mente, dão-lhe gozo, e o seu único objetivo é fazer anotações, relacionar factos e chegar a conclusões, entender por que se diz que “nada acontece por acaso” (ou “estava escrito”).

Jogo da macaca
Ainda falando de coisas do passado, lembra-se do que o pai contava da juventude dele. Por exemplo, os seus brinquedos de criança eram carrinhos feitos com caixas de sapatos; mais tarde, já adulto, gostava de andar à noite pelo bairro onde morava enrolado num lençol branco e divertia-se a assustar as pessoas. Ela fica a imaginar a reação delas ao virar de uma esquina e deparar com um fantasma daquele tamanho! “Pobretes, mas alegretes”, eram assim as pessoas antigamente. Como não tinham nada, de nada sentiam falta. Que diferença para hoje em dia: tem-se tudo e espera-se sempre mais; e anda tudo frustrado, com ou sem dinheiro. Há muita gente que parece (ou é) aparvalhada; drogas sedativo-hipnóticas e ansiolíticas vendem-se mais do que nunca, sendo legais! Até dá dó, que stress! Mais valia fumarem umas ganzas, para quem gostar. É que naquele tempo não havia a sádica TV mostrando o horror e a tragédia, todos os dias e em todo o lado.

Então, prosseguindo, essa menina cresceu numa espécie de redoma, pois o mundo lá fora era uma coisa má, perigosa, era preciso ter muito cuidado. E foi crescendo, tímida, ‘parolinha’; nunca passou pela sua cabecinha achar-se bonita ou feia, nem sabia como falar ou onde colocar as mãos quando combinava um encontro com alguém... Consegue lembrar-se do primeiro namorico, com um rapaz alguns anos mais velho, conheceu-o nas matinés de domingo, ele era o ‘lanterninha’, aquele que mostrava o lugar às pessoas que iam chegando ao cinema. Começava a película e logo a seguir ele sentava-se ao lado dela, e então era “o filme” deles… Quando os pais (mais a mãe…) souberam, apesar de contrariada (a mãe), achou melhor dar autorização para ele vir ‘namorá-la’ em casa, sentados no sofá rodeados dos irmãos. Já nem se lembra do que falavam, ou se falavam. Não durou muito a história de nAMORico,  pois havia críticas contínuas de que ele era baixote, ou seja, era mais baixo do que ela. E assim terminaram as matinés, e a troca de ‘amassos e beijinhos’ no escurinho do cinema…
A vidinha continuava. De repente, a Revolução. A Liberdade. (O que é isso?). O regresso à Metrópole. (O que é isso, onde fica?). Vida a recomeçar do zero. Não foi fácil, mas o tempo sara tudo. Termina os estudos no liceu com poucas mas boas amizades, que perduram até hoje. Às vezes era necessário mentir em casa, para poder sair, ou nunca poderia relacionar-se com as pessoas que um dia viriam a ser as suas amigas.
Já nos seus 18 anos (e sem saber se era linda ou não), parece que lhe era difícil namorar, ou sentir-se atraída por alguém. Nos tempos modernos, ainda frequentam o infantário e já perguntam às criancinhas se têm namorado – que horror.
Ela era mais do estilo de sentir amor platónico, de ficar a sonhar com algum rapaz bonitinho, mas que “não era para o seu bico”, normalmente atleta. Sempre viveu em ambiente desportivo, o pai tinha sido jogador de básquete num clube importante, para onde voltou passados muitos anos, para ser funcionário; era ele que fornecia o equipamento aos atletas, sempre que iam jogar. E lá tinha que ser um jogador a ‘roubá-la’ do seio familiar. Tudo foi acontecendo assim como que ‘de repente’ na sua vida. Saiu de casa à revelia; aquela não era uma família normal, não se falava, concordava ou discordava. Melhor “bazar”…talvez naquele tempo seria essa a mentalidade, e cada um passa aos seus o que sabe e o que pode, a mais nada sendo obrigado. O lema dos pais era “enquanto estás debaixo do meu teto, sou eu que mando”… e ela se mandou…para outras paragens, a milhas de distância!
A partir daí, era o mundo todo à sua frente e já não precisava esconder-se dele. Passou a ser proibido proibir. Agora era ‘livre’, sem sequer pensar no assunto, fosse lá o que isso fosse… E lá foi se amanhando, muita coisa era surpresa, coisas boas, outras más, novas amizades, e agora entende que é assim que se faz uma vida, "acontecendo"...
O seu primeiro relacionamento durou quase sete anos, e desistiu. Sem saber como, era forte para tomar decisões, nem que fosse à custa de muitas lágrimas. Inconscientemente, sabia que merecia (o) melhor, não lhe servia qualquer coisa. Continuou só durante anos, mais tarde voltando a casar e a desistir. Entretanto (no tempo das vacas gordas) teve uma oferta para trabalhar numa boa empresa, onde esteve mais de uma década e onde teve oportunidade de fazer novas e boas amizades. A seguir veio o desemprego, e as gordas nunca mais voltaram. Para sua felicidade, as amizades permaneceram. 
Perto dos 48 anos terminou um curso superior, aproveitando o tempo livre.
Nunca lhe faltaram amores, paixões, tesões, mas não se sentia tratada e amada como merecia, e isso a frustrava. Houve quem a desiludisse bastante, mas a vida sempre nos compensa de alguma maneira, felizmente. Uns roubam, outros dão-nos. 
‘De ramo em ramo’, balançando mas sem cair, o carrossel da VIDA continua a girar e é “gritar” ou “relaxar e gozá-la”. Não pode queixar-se, há vidas bem piores. E tudo serve para aprender e evoluir. A vida foi lhe ensinando a dizer adeus às pessoas que ama, sem as tirar do seu coração. Não se arrepende de nada. Sem saber e sem notar, estava desse modo desenvolvendo a autoestima, rumo à maturidade.
Muitos anos passados, praticamente a outonear, nunca reprimiu a criança interior que habita nela. Sente que é uma pessoa que vive com a leveza de uma criança e, simultaneamente, com responsabilidades de adulta. Ri-se de si própria e dos dramas que já vivenciou, do ridículo das situações, enfim: VIVE! Tem pena de quem só existe. Mas aprendeu também que só se pode ajudar a quem nos pede ajuda, não vale a pena sofrer pelos outros, é sofrimento inútil.

Era uma vez… uma mulher/menina que continua a sentir-se amada, desejada, mas agora “na paz”. A época dos impulsos arrebatadores parece terminada. Acredita que a vida é apenas o AGORA; o passado já era, mas às vezes é preciso reportarmo-nos a ele para se compreender o presente e projetar o futuro…e este, é o momento seguinte! Pensa que…talvez continue sendo aquela de sempre: adora a magia dos momentos de sedução. O resto dá muito trabalho, e mágoas!