segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Voltar ou não...

Li esta notícia “Há cada vez mais gente a (re)casar com os ex” e penso logo em blogar!
Lembrei-me logo do que alguém me dizia um dia no Brasil sobre isso “voltar para ex-marido é como desenterrar defunto”… Porém, por que não? https://www.youtube.com/watch?v=BfpldkuXLso

Há várias teorias, e houve diversos comentários acerca dessa notícia, alguns hilariantes e provocadores. Penso para mim que trocar de marido ou mulher é trocar de defeito. No entanto, como o ser humano é eternamente insatisfeito, gosta de andar a experimentar nem que se arrependa depois, mas é assim.
https://www.vagalume.com.br/antonio-variacoes/estou-alem.html  
Pode ter sido uma relação imatura, ou o divórcio ter sido precipitado, e mais tarde pensar que afinal foi um erro. A realidade é que deve haver cada vez mais divórcios irrefletidos.
Às vezes ouço falar de casais que vivem maritalmente durante anos, um dia decidem oficializar a relação e festejam o casamento ao lado dos filhos já crescidos; passam meses e divorciam-se, que doideira! Parece que “o papel” estraga o relacionamento... serão as exigências e essas coisas a ver com contrato de propriedade?
Diz-se que só se dá valor ao que se tem quando se perde. Só que às vezes é tarde demais. Tanto a realização como a anulação de um casamento deveriam ser bem ponderadas, mas infelizmente agora é tudo “fast food” e descartável, não presta deita fora! Acredito, e falo por experiência própria, que deixa sempre marcas (uns mais, outros menos) profundas até para quem toma a iniciativa de desistir de uma relação a dois. Quem for apaixonado, tentará uma segunda... e a terceira será de vez?
Há quem não voltaria para o ou a ex nem que ele/ela fosse o último ser à face da Terra, mas quem voltar e se der bem, talvez essa seja uma relação "para sempre", desta vez sim, até que a morte os separe...
Elizabeth Taylor foi o melhor exemplo, pelo meio de 8 casamentos, casou-se com R. Burton duas vezes!
Ainda na semana passada li também uma notícia de uma jovem “famosa” que se separou ao fim de 8 meses, sem arrependimento. Quem sabe, daqui a uns anos, ou meses, voltará? Mas isto com os famosos é coisa habitual, são fofocas que dão para vender bem revistas cor-de-rosa

Haverá aqueles 'machos' (feios, porcos e maus, digo eu) que pensarão assim, comparando as mulheres com os carros que tanto adoram: se calhar os "novos carros" revelaram-se "menos fiáveis" e de "manutenção mais dispendiosa", pelo que optaram voltar para aqueles que - apesar dos defeitos - lhes haviam garantido muitos km´s de satisfação e cujas "manhas" já eram conhecidas... LOL
Enfim, quando um verdadeiro homem reconhece a mulher certa para si saberá cuidar bem dela e fará tudo para não deixá-la fugir, podendo tornar-se o último homem da vida dela...(e vice-versa, digo eu), se não tiver sido o primeiro...http://soutaoboa.com/verdadeiro-homem/

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Doses de otimismo

Beta-i, Beta talk… e por aí fora... são novas palavras que começam a fazer parte do meu vocabulário. Uma vez por mês costuma haver nesta cidade um tipo de tertúlia chamada beta talk, ontem fui assistir pela segunda vez, e dá gosto ver – neste mundo depressivo e cada vez mais caótico – pessoas jovens ou menos jovens, de sorriso largo e espírito empreendedor, com muitas ganas de mudar o mundo, felizes com as suas escolhas, e arriscando mesmo com medo todos os dias. São exemplos a seguir.
http://www.sulinformacao.pt/2016/11/ambiente-livros-e-viagens-dao-o-mote-para-a-beta-talk-de-novembro/
Ah e aprendi uma palavra nova: serendipidade (ou serendipismo). “Faculdade ou o ato de descobrir coisas agradáveis por acaso” (Priberam). Então é isso, aquela sensação que às vezes temos “que coincidência”, se acontece algo sem esperarmos e era mesmo o que queríamos; afinal nada é por acaso, acontece sim porque já vimos construindo esse querer há muito tempo dentro de nós. Por isso se diz que “querer é poder” e algum dia será possível, sim! É considerada uma forma especial de criatividade, ou uma das muitas técnicas de desenvolvimento do potencial criativo de uma pessoa adulta, que alia perseverança, inteligência e senso de observação (também encontrei esta definição).

E saí do (ou da) beta talk com esta frase de Dalai Lama no pensamento:
"O planeta não precisa de mais 'pessoas de sucesso'. O planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todo tipo. Precisa de pessoas que vivam bem nos seus lugares. Precisa de pessoas com coragem moral dispostas a aderir à luta para tornar o mundo habitável e humano, e essas qualidades têm pouco a ver com o sucesso tal como a nossa cultura o tem definido." 

Ontem calhou também de ser quarta-feira, o dia das caminhadas, e quando saí ainda antes de ouvir o segundo testemunho, cruzei-me com as dezenas de pessoas que se juntam às 20h na alameda e percorrem algumas ruas junto à zona ribeirinha, dispostas a perder uns quilitos e ao mesmo tempo vão convivendo, durante uma hora. E ontem era noite de (ainda) lua linda e grande, que nos acompanhava. 
Às quartas também costumam ser as tertúlias musicais no Birimbar, um barzinho acolhedor estilo familiar, lugar de encontro de pessoas amigas e conhecidas, onde se pode ouvir boa música ao vivo pela noite dentro, quartas e sábados. Música de todas as nacionalidades, em especial angolana e MBP, além de bons saxofonistas e outros grandes músicos.

Haja alguém com otimismo neste mundo ou vamos todos a caminho da insanidade... Pela rua quantas vezes nos cruzamos com alguém que comenta o mesmo de sempre "isto está cada vez pior" "estamos no início da terceira guerra mundial" "agora é um dia de cada vez, não sabemos o dia de amanhã", e é mesmo! Tentemos alienar-nos do que não presta e vamos construir a nossa paz interior, para nosso bem e de todos os que nos rodeiam!... 






terça-feira, 15 de novembro de 2016

Um conto de natais...

Agora que passou mais um aniversário, sinto que fiquei um aninho mais interessante. Consigo sentir também alguma felicidade neste mundo caótico, pois o universo me tem brindado com tudo o que preciso ou desejo. Pode então começar a época (pré-) natalícia! 
Apetece-me citar um dos poemas mais lidos de José Luís Peixoto, do livro A Criança em Ruínas:

na hora de pôr a mesa, éramos cinco: 
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs 
e eu. depois, a minha irmã mais velha 
casou-se. depois, a minha irmã mais nova 
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, 
na hora de pôr a mesa, somos cinco, 
menos a minha irmã mais velha que está 
na casa dela, menos a minha irmã mais 
nova que está na casa dela, menos o meu 
pai, menos a minha mãe viúva. cada um 
deles é um lugar vazio nesta mesa onde 
como sozinho. mas irão estar sempre aqui. 
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. 
enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco.




E adaptá-lo a mim:
"na hora de pôr a mesa éramos seis: o meu pai, a minha mãe, os meus dois irmãos, a minha irmã dezasseis anos mais nova e eu. isso foi durante algum tempo, depois conheci a paixão, e à revelia dos pais "fugi" para o Brasil, não vi a irmã nem os irmãos crescerem, tornarem-se mulher e homens... depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos seis, menos os meus dois irmãos que estão na sua vida e pouco ou mal comunicamos, menos a irmã mais nova que decidiu afastar-se da família e escolheu a vida que bem quis e ninguém conhece, sendo para mim uma 'perfeita' estranha, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. cada um deles é um lugar vazio na mesa onde já comi (ou não) sozinha em duas ou três noites de natal. mas irão estar sempre lá. na hora de pôr a mesa, seremos sempre seis. sem mencionar o sobrinho ainda menor, e a sobrinha já mulher e com companheiro, cada qual em sua vida. enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre seis..." 

E a vida continua, haja saúde (física e mental, claro) e paz de espírito!

(esta versão do poema dedico à família que me calhou na rifa, a quem desejo toda a felicidade do mundo, e que nunca lhes falte nada, como desejo para mim)
https://www.youtube.com/watch?v=8JyH8lsdgxA

Felizes Festas para todos e espalhem magia todos os dias!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Que remédio!

Ainda estes dias o Facebook me definiu em uma palavra: Amor. Achei curioso e concordei, pois desde que me conheço como gente sou uma lamechas. Vivo a vida sempre cor-de-rosa. Era adolescente e já chorava ao ouvir músicas, por exemplo, de Percy Sledge "When a man loves a woman", ou "Love Story", e outras, e sabia lá o que isso era...! Uma pinga-amor, é o que sempre fui e nunca mais tenho emenda! 
Até aqui no meu blog farto-me de escrever essa palavra... e logo a seguir, curiosamente, leio este artigo  http://www.noticiasmagazine.pt/2016/sabia-que-o-amor-e-um-remedio/

"O amor faz bem à saúde, não só psicológica como física." "Um amor correspondido e feliz faz bem à cabeça, e atua como um remédio (...)"
https://www.youtube.com/watch?v=IEVow6kr5nI&list=RDDgEiDc1aXr0&index=2
Pois é, seja ele platónico, virtual, qualquer tipo de amor fará muito bem a qualquer pessoa. E não precisa ter sexo, penso eu. Mas se tiver, e do bom, melhor ainda! 
Quando somos jovens, temos um desejo hormonal primário, movido por impulsos. Com o tempo, o sexo torna-se mais refletido, mas o prazer mantém-se igualmente forte. E quando a sensualidade e a sexualidade se misturam com amor, surge a apoteose. Para mim, sempre foi e é difícil fazer sexo sem sentir amor.

E, claro, tem que ser um sentimento recíproco. Depois, com o tempo, se a flor não for regada, poderá murchar. O amor de verdade (não pode existir outro) é algo sublime e não acaba assim de qualquer maneira, pois às vezes acontece que Amar é... gostar das pessoas mais do que elas merecem.

E quando se fala de amor, também poderá ser por si próprio(a), pela vida, pelas coisas lindas da natureza... por tudo aquilo que nos faz vibrar ou saltar da cama,  
Recomeçar e sorrir novamente para a vida
Acreditar nas pessoas e no amor
Pensar que a felicidade existe
Abrir o peito e mostrar o coração
Despir-se da armadura e sentir tudo intensamente
Seja alegria ou tristeza, são sentimentos
Não podemos escolher o que iremos sentir
Mas podemos sempre superar e voltar a sorrir
Desejamos estar todos os dias felizes
Mas a vida tem os seus deslizes
As vezes escorregamos e caímos
Choramos, brigamos e rimos
O que importa é sentir, estar vivo
É ver a cada dia que nasce um bom motivo
De olhar para o céu e agradecer
A chance e a dádiva divina de mais um pouco viver! 

Chegamos ao outono, com toda a sua beleza ... Vivendo todos os dias na mesma plenitude ... 
beijos quase natalícios <3

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

FÉzadas

Há neste mundo (cada vez mais) gente estranha, cada um(a) com a sua panca, às vezes até prejudicando os outros...sendo mesmo necessária muita força para seguir em frente... Por isso entendo quando alguém gosta mais dos animais do que dos seres humanos. Felizmente, quando estamos em sintonia com o universo, e com boa-fé, a própria vida se encarrega de mostrar-nos o que é trigo e o que é joio, dando-nos a possibilidade de escolher o que for melhor em cada momento. E diz-se que "a verdade virá sempre à tona".

Às vezes encontro textos da Alexandra Solnado cuja leitura aprecio bastante, pois costuma ir ao encontro da minha sensibilidade; este veio a calhar agora, e decido partilhá-lo. Temos que acreditar que, se formos firmes na direção dos nossos objetivos, o pensamento cria, o desejo atrai e a realiza!

Normalmente achamos que a é acreditar que irá acontecer o que nós queremos. Porém, ao longo do tempo, algo nos vai ensinando que a fé é acreditar que o que quer que seja que aconteça vai ser o melhor para nós. Mesmo que não seja o que queremos.
E realmente há essa grande confusão. As pessoas continuam a pensar que o que elas querem é que é bom para elas. A maior prova disso é que, se fizermos uma pesquisa e perguntarmos às pessoas o que é que elas gostariam que lhes acontecesse, a maior parte delas vai responder "Queria que me saísse o Euromilhões."
E todos nós sabemos que quem ganha o Euromilhões perde completamente a paz. Há umas pessoas que começam a ter medo de serem assaltadas, têm medo que os filhos sejam sequestrados; outras são ostensivamente abordadas ou invadidas. Há pessoas que têm inclusivamente que mudar de cidade.
Nós não sabemos o que é bom para nós. Na realidade é o ego que nos está sempre a dizer que sabe o que é melhor para nós. Nós só queremos segurança e conforto, e isso não é necessariamente o melhor. Segurança e conforto não são evolutivos. E a médio prazo estancam a vida. Quando desistimos de achar que sabemos o que é melhor para nós, começamos a desativar o ego. 
E no momento em que nos entregamos e pedimos que a vida mostre o que é melhor para nós, não para a nossa segurança e conforto e sim para a nossa evolução, aí começamos a aceder a um estado muito mais pacífico, muito mais orgânico, muito mais natural. Começamos a aceder ao nosso estado de fé, que é quando acreditamos que "Tudo o que acontece é para melhorar a vida da gente."
E realmente, se pensarmos que a energia é perfeita, os campos magnéticos são perfeitos, vemos que tudo o que acontece é absolutamente perfeito. E se tivermos fé na inteligência superior da vida e deixarmos que ela siga com os seus planos, dentro de muito pouco tempo as coisas vão mesmo melhorar.

Amém!
Não coloque limites em seus sonhos, coloque FÉ!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Doce Novembro

Chegou NOVEMBRO, com chuva, mas não deixa de ser doce... Mês de aniversário de pessoas maravilhosas (ahahaha) quando ficarei 1 ano mais inteligente e sábia, mais doce (quem sabe)... nunca mais velha! Costumo dizer que preferia comemorar os meus anos no verão, então ele vem só para mim: o verão de São Martinho.

Vem a seguir à festa das bruxas, uma tradição norte americana que agora se espalha por aqui; para mim é mais um carnaval, mas está bem, haja festas e alegria, doces e travessuras, pois é o que se leva desta vida… 

Começamos já a ver as montras que se enchem de coisas lindas para oferecer no natal, quem puder; algumas ruas com iluminação alusiva à época; as casas enfeitadas com árvores de natal e outros adereços lindos e natalícios…
O bla-bla-bla próprio da época, o "feliz natal" ou "boas festas" por todo o lado, começam as filas para comprar o bacalhau e o bolo-rei, as rabanadas, aletria, etc. Eu não adiro a esse stress, fico na minha apreciando, e mais nada; para mim continua tudo igual ao resto do ano, serei  uma pessoa estranha, não sei. Como diz o outro "natal deve ser todos os dias"...
Além disso, deu-me para gostar do sul, portanto estou longe do meu norte onde se vivem mais as tradições. Faltam-me aqui as castanhas assadas desta época, bem acompanhadas e regadas… o vinho do Porto já tenho, e as francesinhas, ah essas, um dia ainda tenho que experimentar se alguém as faz saborosas neste lugar… (falava de natal e fui dar às francesinhas hehe)... parece que está na hora de visitar a terrinha natalícia em breve!

Dizem que neste mês vamos ter de novo uma super lua lá para o dia 14/11... e vem o frio a seguir, isso já é pior, mas é sempre a mesma coisa todos os anos, então por quê reclamar...? Be happy, don't worry!


E depois, lá se vai o doce novembro e vem chegando o réveillon.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Incomunicação

Um conto que gostei de ler, era em outro idioma, mas pedi autorização ao seu autor para traduzi-lo e publicar aqui no meu blogue:

Deviam ser 5 da madrugada quando o jovem chegou à estação e sentou-se num daqueles bancos velhos de madeira duplos (costas com costas), à espera do comboio. Estava sozinho naquele lugar, a pequena tabacaria e a cafetaria da estação ainda não tinham aberto e ele morria de vontade de fumar. O seu corpo pedia desesperadamente mais nicotina do que um café ou o pequeno-almoço. Tinha tabaco, mas esqueceu-se do isqueiro quando saiu de casa ainda meio a dormir, e agora não havia ali ninguém a quem pedir lume.
Para distrair-se, decidiu ler um pouco, uma vez que ainda faltava uma meia hora para o comboio chegar. Pegou naquele livro que encontrou em casa da mãe a quem chamava “a eterna viúva”, pois era filho de pai ausente e ela tinha-o criado sozinha, até que um dia a morte a levou. Era um livro inédito e com uma dedicatória ambígua, e mais estranho ainda era ter sido da sua mãe, uma mulher humilde e pouco culta. O autor era Darío Espina, um antigo prémio Nobel com uma escrita algo complicada e leitura ainda mais difícil, sendo famoso há algumas décadas e considerado um escritor para intelectuais.
O livro cativava-o da primeira à última página, já o tinha lido várias vezes, tendo verdadeiro fascínio pela aura de maldição e mistério que envolvia esse escritor, por quem daria tudo para conhecer pessoalmente.
Sentiu que alguém se sentava atrás dele quando ouviu o ranger da madeira velha do banco. Levantou os olhos do livro e, olhando pelo grande espelho ao fundo da sala de espera, reparou que era um indivíduo já maduro e obeso vestindo um fato cinzento tão desalinhado quanto antiquado que, com ar cansado e ausente, olhava em volta. Nesse instante, teve vontade de pedir-lhe fogo, mas…quando se virou para o desconhecido, pôde sentir o seu hálito a álcool, e isso fê-lo desistir. Seria algum bêbado em fim de noite? E depois, com o pretexto de dar-lhe lume, iria perturbá-lo com conversa de chacha? Com estas dúvidas, conseguiu reprimir a vontade de fumar e voltou à sua leitura. 

Darío havia saído com o intuito de procurar inspiração e poder terminar, de uma vez por todas, o livro que andava a escrever. Já há meses que tentava terminá-lo, contudo, a obsessão que ia aumentando nos últimos tempos prejudicava a sua mente e frustrava qualquer esforço criativo.
Como o despertar de uma larva que havia estado adormecida dentro do seu casulo, os pensamentos sobre o filho que tivera com aquela mulher e o remorso de tê-los abandonado haviam aflorado com tanta força que bloqueavam a sua mente de forma contínua “onde estará ele?” “a sua mãe ainda estará viva?” “saberá algo sobre mim?”…
Após ter deambulado sem sentido pela noite, e sem que a bebida tivesse mitigado a sua dor, Darío Espina sentou-se ali, derrotado, na tentativa inútil de evitar mais uma noite sem dormir e com pesadelos. Talvez fumar o tranquilizasse… mas… não tinha tabaco, e estava tudo fechado! Ainda pensou em pedir um cigarro àquele jovem sentado atrás de si, que podia ver através do espelho e que, curiosamente, estava a ler um livro seu, reconhecendo-o pela capa.
Porém, não o fez. Darío era um homem bastante tímido e, além disso, achava que era um pecado enorme estar a interromper alguém que lê um livro.
Os minutos iam passando… A falta de nicotina criava em ambos uma inquietude que minimizava as suas apreensões… a necessidade pode derrubar muros… e por fim, como se tivessem combinado, ambos se voltaram e encararam-se para pedirem o que lhes faltava…

Talvez pudessem falar um com o outro!... Talvez pudessem travar conhecimento!...mas já era tarde! Nesse mesmo instante chegou o comboio, que parou, as portas abriram-se ruidosamente diante daquele banco onde os dois se sentavam e o jovem, fechando o livro, apressou-se a subir antes que o perdesse…
Sim… algo esteve quase para acontecer…Sim, foi um “quase”…talvez uma única palavra pudesse mudar os seus destinos…porém, não aconteceu… e aqueles homens seguiram o seu rumo, na ignorância, sem nunca mais voltar a encontrar-se.
E é assim… talvez… na melhor das hipóteses… quem sabe… as barreiras que colocamos diante dos outros e a porcaria do “nosso espaço”… longe de proteger-nos, só faz com que nos afastemos do que mais desejamos.

 Fez-me lembrar que sou assim também, quantas vezes podia falar e não falo, perdendo alguma boa oportunidade. Pertenço a uma família pouco comunicativa, e quem sai aos seus "não é de genebra"... 

A boa comunicação faz muita falta para que as pessoas se entendam e quiçá vivam mais felizes, sentindo-se mais acompanhadas.
Como conseguimos viver às vezes tão isolados e fechados em nós mesmos, se o homem é basicamente um ser de natureza sociável, cujo sucesso pessoal depende de viver em grupo ou em sociedade? Será indiferença, ou temor? Será que nos tornámos numa espécie individual e egoísta? Será que já não necessitamos de estar juntos para nos defendermos? Será talvez o medo de que alguém venha desassossegar ainda mais a nossa vida já tão em desassossego, ou que levante a muralha emocional que de forma pedante chamamos de “nosso espaço”?

Aristóteles escreve algures, que “O homem é um ser social. O ser capaz de viver isoladamente ou é um deus ou é um bicho, mas não um ser humano”. Serei um deus…? Porque um bicho não quero ser! (sim, confesso que já fui bicho-do-mato, mas mudei muito, para meu próprio bem).

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Relacionamentos à distância

Dou comigo a pensar que há muita gente a relacionar-se à distância, ou porque surgiu uma oportunidade profissional e o casal separa-se, ou porque alguém se apaixona por uma pessoa oriunda de outro país, e me pergunto “será possível uma relação resistir à distância?”.

Apesar de ter certa tendência para o platonismo desde jovem, assim de ânimo leve não me arrisco a dizer que sim, por isso, se tivesse que dar uma resposta seria “depende” e depende de muitas coisas.
Relacionamentos de longa distância são difíceis mas, pensando positivamente, até poderão tornar-se mais fáceis e estimulantes do que aqueles que têm que sobreviver a uma rotina ao longo de anos… Viver a pensar na pessoa amada, nos (re)encontros planeados e depois bem saboreados, aquela expectativa dos momentos a dois intensos para matar a tanta saudade... Mmmm...parece-me algo excitante!
Porém, namorar à distância supõe requerer muita paciência, amor e confiança. Portanto, não é para qualquer simples mortal. Há quem talvez desespere ao fim de alguns dias ou semanas e num instante será infiel, pois tentações não faltam; haverá quem se marimbe e pense assim “desde que eu não veja ou não saiba, quero lá saber o que ela/ele faz”… esta pode até ser uma atitude inteligente e cómoda, mas não serve para qualquer um(a), repito.

Nem todos nós somos feitos para suportar um relacionamento que carece bastante da parte física e para o qual é necessária uma dose extra de criatividade a fim de se relacionar com a outra metade. É preciso saber encantar-se por palavras que irão substituir o efeito de toques, beijos e abraços. Não é preciso ser poeta, mas uma palavra ou um texto romântico poderá mostrar o quanto o sentimento do outro é forte e iluminar um dia de muita saudade.
Falo como mulher, se o homem soubesse como uma palavra ou frase carinhosa ou romântica faz milagres, nunca se esqueceria de o fazer. Nem sempre “palavras leva-as o vento”; o amor sente-se em pequenas (e grandes) coisas quando o sentimento de um pelo outro é verdadeiro, quando há sinceridade e cumplicidade. E claro, nem todas as mulheres são iguais, há umas que são muito machas ou têm outros interesses, mas acredito que a maioria quando gosta de verdade não prescinde do excesso de carinhosice!
Pessoas diferentes terão formas diferentes de encarar um relacionamento deste género. Existe quem consiga suportar tudo e mais alguma coisa, enquanto há quem não consiga ficar sem a componente física ou emocional, o abraço, o beijo, o toque. Há também aquelas pessoas que são muito ciumentas e por essa razão terão uma grande dificuldade em conseguir suportar a distância.
Convenhamos, é muito mais fácil namorar à distância no séc. XXI do que era no passado. Podemos aproveitar as tecnologias modernas, por exemplo, as conversas em vídeo vão compensar um pouco da intimidade que a distância física impede. Skype, Facebook, Whatsapp e muitos outros sites e aplicativos permitem que os casais fiquem sempre em contacto e matem ao menos um pouquinho da saudade. Portanto, com imaginação, comunicação, a tal cumplicidade, e inteligência emocional, não faltarão formas de colmatar a falta do outro.
Namorar à distância é amar além de qualquer coisa. É confiar e confiar, e é a maior prova de amizade/amor que existe. É amar sem tocar, sem ver, é amar independentemente das barreiras. É superar a dor de não poder beijar, abraçar e mimar a pessoa. 
Namorar à distância é uma coisa gostosa, pois só nos faz querer mais e mais a outra pessoa, e isso é amar de verdade!

(esta é a minha visão platónica da coisa! será por que andei a ler fotonovelas a mais na adolescência?!)...https://www.youtube.com/watch?v=orDox1I9CtA

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Através da persiana...

Continuando com histórias loucas que davam filmes… esta aconteceu comigo e parece tão incrível que até deu vontade de escrever um livro! Porém, como editar livro(s) é coisa mais complicada, fico-me pelo prazer de escrever e partilhar no meu blogue.
Começou assim: estava a terminar a minha licenciatura (2006/2007) e, de repente, recebo na minha caixa de correio do Instituto onde estudava um email de alguém desconhecido parabenizando-me pelo sucesso e desejando-me felicidades, algo assim (tenho pena de não ter imprimido esses e-mails, para recordação, ou nem sei como os perdi entretanto…)

Fiquei intrigada, quem seria aquela pessoa tão simpática, e como é que me conhecia, seria algum engano? Em resposta ao email, agradeci e pedi informação, quem era? Ainda era a época do hotmail, antes do famigerado Facebook; cheguei a casa, era uma sexta-feira, com o nome dele entrei no chat e comecei a chat(ear)… queria saber como tinha descoberto o meu e-mail do Instituto, como é que sabia tanto de mim, até a roupa que usei ou usava… devia estar a seguir-me já há muito tempo e nunca me apercebi de nada. Continuava a falar coisas sobre mim, falava também dele e dos seus gostos pessoais, da mulher e filha, etc…e mantinha o mistério da identidade, até que resolvi desistir, era mais um doido qualquer (apesar de simpático) e não ia perder tempo com aquilo, pensei e escrevi antes de desligar o chatvocê deve ser algum vizinho aqui na rua, para saber tanto de mim”…
Fui de fim de semana, e quando voltei ao chat na segunda-feira, lá estava a resposta dele “sim, moro aqui em frente, do outro lado da rua”. Caiu-me tudo! Realmente, do meu grande terraço cheguei a ver às vezes uma família a comer na varanda, pai, mãe e filha… de resto, estava sempre tudo fechado, ou pelo menos a persiana estava sempre para baixo, comecei a desconfiar que então era alguém que me espiava há que tempos através das aberturas da persiana mal fechada… Oh carago, e eu que no verão gosto tanto de andar em trajes menores, pensando que ninguém andava por ali em frente… agora já era!

Continuei a 'tentar fazer' uma possível amizade, pois queria saber o quanto ele sabia da minha vida. Tomei conhecimento que descobriu o meu nome no salão de cabeleireiro no rés do chão do prédio, como chegou até ao Instituto, ainda desconheço; fiquei a saber também coisas da vida dele…passava os dias em casa, cuidando dos gatos e das plantinhas na varanda, antes tinha trabalhado como designer, era um bom fotógrafo - naquela época fazia sucesso com belas fotos que publicava no site Olhares, de pessoas, gatos, paisagens, a cores ou P&B, incl. dele próprio nu! - gostava de usar calças vermelhas (grande coisa!); não tirava o piercing que usava na orelha, e por isso deixou de trabalhar pois não se adaptava a certas regras/obrigações; e sei lá como vivia… provavelmente com alguma pensão (de insanidade, existe? digo eu) ou à custa da mulher…? 
O mais curioso desta história começa quando ele me diz que a mulher sabia do quanto ele gostava de mim…insinuava que queria “tomar um café” comigo e eu, aproveitando, disse “antes disso, quero conhecer a tua mulher” (já agora, estava intrigada, quem era essa pessoa tão “especial” que dava assim o marido de mão beijada…já estaria enjoada?), e o pedido foi aceite. Combinei encontrar-me com ela perto do seu trabalho, na baixa do Porto, pareceu ser uma pessoa querida e simpática. Era descendente de belgas, ou até nasceu lá (bem me parecia que não podia ser portuguesa ahah um aparte). Era amiga dos bichinhos abandonados, cuidava deles ou trazia-os para casa, deviam ter uns 7 ou 8 gatos, alguns eu podia vê-los a passear pela varanda…Ela estava meio sem jeito naquela situação, mas realmente o “Ben” (como era tratado) gostava muito de mim e podíamos ser amigos, pois entre eles já havia mais amizade do que amor de casal (…)
Trocávamos emails, ele gravava músicas para mim, mandava fotos, etc. No dia do meu aniversário ofereceu-me aquele perfume "Amor Amor"...E eu pensava “bem, estou sozinha, sempre tenho um casal por perto como amigo"… Falava desta história com pessoas minhas amigas e diziam brincando (ou a sério, sei lá) “ui, isso deve ser um caso de swing…” e o “pior” é que não era! O homem estava mesmo apanhado, todos os dias escrevia, cheguei a tomar café com ele uma tarde, mas era meio estranho, não havia conversa que me interessasse… não haveria mais saídas, com certeza, eu tinha mais que fazer…

Por isso, um dia, comecei a tentar desligar-me, e a mulher começou também a mandar emails do tipo “cheguei a casa e o Ben estava na pior, muito triste, diz que não lhe escreveste hoje nem um Olá!" e a minha perplexidade começou a aumentar… outra vez escreveu “ele é o tipo de homem que gosta de encher uma banheira de rosas para uma mulher, eu não aprecio nada essas coisas românticas…” Mas, pensava eu… não me atrai em nada aquela pessoa… e agora? E como é que ela sabia que eu poderia gostar dessas coisas de romantismo…? Comecei a desligar-me porque já não era uma possível amizade, já eram muitas mensagens a falar de amor, e eu não tinha alimentado nada disso nem estava interessada em nada… e quando já estava na fase de afastamento, até da filha (devia ter uns 16 ou 17 anos, não me lembro) recebi uma mensagem "se meu pai se matar, és tu a culpada…", surreal, foi aí que me assustei e dei um basta nessa loucura. 
Mais tarde, estava eu em vésperas de ir para o Brasil, com visitas em casa para jantar, recebo uma chamada da mulher, aflita, dizendo que o Ben estava na ponte e queria atirar-se, se eu podia ligar-lhe?! E eu disse com frieza “paciência, mas não posso fazer nada…” (ou algo parecido)… já era demais! Fiquei à espera das notícias no dia seguinte, mas parece que nada aconteceu…
Entretanto, viajei e esqueci esta história… Não sei o que aconteceu a essa família, continua ali o apartamento abandonado, nunca mais soube nada de ninguém. 
Contando agora estas coisas, parece que nem as vivi… Incrível! 
Recordo também uma vez, estava eu à porta do meu prédio esperando uma amiga que vinha buscar-me para tomar um café depois do jantar. Avistei o vizinho no outro lado do passeio, disfarcei, mas ele atravessou a rua e veio ao meu encontro, queria falar comigo, e eu não queria nem tinha nada para falar, ele insistia e até sussurrou “amo-te”, tocou-me no braço… farta dessa história, atravessei a rua, com dificuldade (estava com uma entorse no pé) e entrei no café em frente, a ver se ele parava de me falar e chatear… e veio atrás, os homens no café defenderam-me “deixe a senhora em paz”... entretanto pirei-me e eles ficaram por lá a discutir...logo a seguir a essa cena (de filme) chegou a minha amiga que me aconselhou a passar no posto da PSP, e foi comigo… fui lá fazer a queixa do vizinho que me perturbava, o agente disse “não podemos proibir ninguém de olhar para simas se ele voltar a tocá-la, vem aqui e preenche o auto"…ahahaha inacreditável!!!

(tinha que partilhar esta minha história, assim contada por alto; haverá neste pequeno mundo outras tão ou mais loucas? pode ser)
Deste jeito, nem preciso de ver filmes ou ler livros, a minha já é um livro, que abro aqui para vocês :-) 
E é caso para perguntar, que mais poderá me acontecer? (depois conto-vos...)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Título da loucura: A Menina...do Computador


Corria o ano de 2011. Depois de algum tempo no desemprego e em trabalhos precários, agora ela estava a trabalhar numa empresa, da qual saía todos os dias exausta, para ganhar um salário mensal abaixo do mínimo… um dia resolveu ir a um almoço de confraternização onde se reuniriam muitos “retornados” de Angola, ela divertiu-se, reconheceu algumas (poucas) caras, e ficou a conhecer outras novas…inclusive, um cara apareceu de repente a falar com ela dizendo que a conhecia desde bem jovem, que até se lembrava de tê-la convidado para ir a uma festa, convite que ela recusou porque na juventude tinha sido reprimida, mal conseguindo fazer amizades, ou pouco saindo para divertir-se…Ela estranhou essa conversa, mas o que queria era divertir-se agora (que já não era controlada), e queria lá saber se essa história era verdade ou não. Aliás, lembrava-se de pouca coisa da sua adolescência em Angola.
O grande almoço correu bem, fez algumas amizades que continuaram virtuais, e com esse cara ela nem trocou contactos, apenas ficaram a saber o nome um do outro. Um dia, já em casa, no final do dia, ela estava com o skype ligado, e apareceu um tal “Rodolfo” a pedir amizade… ela olhou para a foto (avatar) e reconheceu-o. Era “o cara”! Um portuga a morar no Rio de Janeiro e já tinha voltado para a cidade maravilhosa. Estava ali a repetir o convite de muitos anos atrás (segundo ele); agora ela tinha a oportunidade de escolher qualquer lugar do mundo para jantar com ele. Riu-se, “olha-me este agora!” Ela a precisar de trabalhar e aquele pseudo bon vivant queria conversa e passeios… Ela respondeu rindo “talvez nas Caraíbas, vou pensar”… e no outro dia respondeu-lhe, se queria jantar com ela, viesse ele ao seu encontro, pois não tinha como pedir na empresa tantos dias para viajar… e o cara disse “pô, acabei de sair de Portugal!”, mas viria de novo… e não é que veio mesmo? Ela pensou “uau, um homem que atravessa o oceano por uma mulher, deve ser um amor lindo!”. Ela ainda acreditava nesse tipo de amor.
Ele veio, conviveram algum tempo, divertiram-se e passearam pelo verão português, ela conheceu amigos dele; o cara chegou ao ponto de até falar em casar, morar numa cidade bonita e pacata do sul, escrever livros…abrir dois barzinhos nesse lugar (logo 2!) etc. – montes de planos – e ela ia acreditando, no início
Ele queria também que ela conhecesse o lugar onde morava no Rio (por coincidência, se é que isso existe, e ainda bem, era praticamente vizinho de uma grande amiga dela, carioca)… Então, um dia ela decide aceitar os convites, desiste do trabalho que não a realizava, e vai ao encontro dele no Rio de Janeiro… bem, no início, tudo parecia correr “normalmente” - Quais os limites da nossa sanidade? O que nos define como “normais”? - mas rapidamente começou a notar um comportamento estranhíssimo, sempre o mesmo papo furado, e não se via atitudes nenhumas! Notou que fumava uns charros e então devia “viajar na maionese”, passava o dia a passear, indo à praia, visitando a mãe de 2 em 2 dias (dizia ele) que estava internada numa clínica, e ela não entendia nada daquela vida esquisita… Ao fim de pouco tempo, começou a achar que estava perante um mentiroso compulsivo, ou megalómano, mais um doente mental, daqueles com quem nem vale a pena discutir, seria inglório… fazia montes de planos, achava-se um playboyzinho, um bon vivant, e coitado, começava a ser digno de pena!...
Ela tinha viagem de volta marcada dali a 3 ou 4 meses, mas decidiu ir embora mais cedo. Não estava para aturar mais malucos, e nem lamentava o trabalho que deixou pois também não era aquilo que ela ambicionava: tanto trabalho para pouco dinheiro! E a vida continuaria, havia de encontrar outra coisa para fazer. E encontrou, outras oportunidades apareceram, podendo refazer a sua vida, voltando a sentir-se feliz sozinha.
Ele costumava dizer que um dia ainda ia escrever sobre a história “de amor” que viveram…! Continuava a querer falar com ela, tentava por email e outros meios, lá se lembrava dela de vez em quando… (como se nada tivesse acontecido)… porém, ela desligou-se por completo, “vade retro…”! Mais tarde, ainda chegou a perguntar aos amigos, que tipo de bicho era aquele, um deles respondeu "mas não sabias que o cara era assim? ele serve para ir tomar uns copos, divertirmos e rirmos com as suas histórias/invenções!..." OK ficou finalmente a saber...
Depois de alguns anos ela voltou a receber um email em que o cara anunciava que tinha publicado na internet um e-book e queria saber a sua opinião (!?), um romance inédito, digital, erótico-musical !!! à venda por cinco euros!!! “A história de um casal que se reencontra 30 anos depois de ter vivido uma ingénua paixão na adolescência. Ele, um playboy ligado às finanças, ela, uma linda mulher, com um emprego de sobrevivência, iniciam uma relação no Skype, onde jogos eróticos servem a uma paixão sem limites. (…) Entre o clique no computador e o toque dos corpos, os dois personagens vivem um louco amor, cheio de alegria, sensualidade, sexualidade e luxúria, embalado por música que se entranha na própria história. (…)
Ela ficou curiosa, será que o cara até atinou e fez alguma coisa? Procura, pesquisa o site do e-book e verifica (na diagonal e com alguma perplexidade) que de erotismo não tinha nada, era literatura de baixo nível, quinta categoria, a verdadeira pornochachada… Desde quando aquilo era baseado numa história que até poderia ter dado certo, se não houvesse demência por parte de um dos intervenientes…? O gajo devia estar a querer imitar as aventuras da Bruna surfistinha, “As 50 sombras de Grey” ou algo assim? Que mau gosto, que loucura!!!

A única diferença entre a loucura e a saúde mental é que a primeira é muito mais comum. (Millôr Fernandes)