quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Feliz 2026


Estou muito feliz, excitada, com a chegada de um novo ano, serão 365 novas oportunidades de ser feliz e aproveitar o melhor da vida, de preferência com quem cruzar o meu caminho e que valha a pena.

Se me perguntam se já fiz a minha lista de desejos para 2026, sempre a tenho feita, ainda que tudo agora neste mundo doido seja imprevisível. Sou uma pessoa simples, nada de sonhos mirabolantes, tudo acontece no tempo certo. 

Só quero paz, saúde, harmonia, muita música, dançar, rir muito, continuar a ter as pessoas amigas e queridas sempre por perto (ainda que a km de distância), as que transmitem boas energias e tanto preciso, com verdade e carinho. E Amor, desejo muito e verdadeiro! Ahh e não quero me desiludir mais com coisas e pessoas ordinárias… Quem sabe, a Vida tem bons planos para mim, sabendo que apenas quero SER FELIZ, muito! E que os palhaços de serviço (aparecem uns, às vezes e sem contarmos) sigam todos numa flotilha para o raio que os parta!

De repente, fiquei a pensar numa classe trabalhadora, os agentes policiais, sempre de plantão com a tarefa árdua de cuidar, proteger o ser humano, que não é fácil. Já levam com tanta demência por aí durante o ano, e nestas datas de grandes multidões em concertos, gente irresponsável em bares, coitados, não têm mãos a medir, é preciso estofo para aguentar e manter a sanidade mental e voltar para casa, sabe-se lá com que cabeça! Para eles o meu apreço. Pronto, apeteceu-me prestar esta homenagem a eles neste fim de ano.

E sejam todos vocês felizes também, quem vem me ler aqui. Espalhem muita energia boa, pois cada um terá o retorno do que fizer (lei da Vida)… e que os nossos Sorrisos sejam maiores e mais intensos! E que nunca nos falte a fé e esperança de que o Amanhã será bastante melhor!

Adeus 2025! A DEUS 2026!


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O natal que passou

Muita gente a escolher a paz de passar o natal só e em silêncio. Confirmando que não sou a única e já o fiz mais do que um par de vezes na vida de adulta.

Mais um que passou, graças a Deus. Na manhã do dia 25, passando pelo supermercado de portas fechadas, antes do almoço, nas ruas com pouco trânsito, que calmaria, que sensação boa de paz, imaginando as famílias em casa descansando com os seus familiares ou com tempo a preparar a "santa ceia". Ainda há menos de 24 horas eu via filas de gente para pagar as imensas compras, ou pessoas que ainda stressavam para encontrar o resto de leitão, de cabrito ou polvo, o que estivesse mais em conta, para quem não gostar do bacalhau…as últimas rabanadas, bolo-rei, sonhos ou frutos secos, o que houver para por na mesa e causar boa impressão aos convivas.

Ai o natal, que devia ser santo, de recolhimento e agradecimento pelo Amor de Jesus que cada um puder sentir dentro de si. Cada um pudesse analisar o que anda a fazer de errado, a si próprio e aos outros. E ao melhorar algo, estaria automaticamente contribuindo para tornar o mundo um lugar melhor para se viver. Em suma, tão bom sentir estes momentos longe do barulho e da confusão diária, pelo menos para mim que me tornei amante do silêncio, no qual quase me vicio. 

Já assisti a ceias de natal de famílias complexas em que os chamados narcisistas aproveitam as datas comemorativas para estragar o ambiente, pois amam acabar com a dignidade e o bem-estar psicológico dos outros. Imaginemos então uma família com mais do que um narcisista, OMG, é um stress, e até pode acabar em briga ou confronto físico. Há também quem faça, à meia noite, uma oração hipócrita sobre o amor divino. E a seguir, mais brigas, abusos de todos os níveis. Isso é o natal em muitas casas.

Felizmente entendi há muito tempo que posso escolher a paz que necessito, em qualquer época do ano. Tenho as minhas atividades, em casa ou fora dela, livros para ler, a minha espiritualidade que quero manter, pessoas amigas e outras conhecidas que me apoiam, e eu retribuo sempre que puder e se de mim precisarem. Afinal podemos ser todos uma família, cada um na sua casa e na paz de cada lar, sem hipocrisia. O natal não é sobre a ceia do dia 24 ou o dia 25/12, é sobre amor diário, buscar a própria paz, apesar do que nos é externo.

Escrevo para quem, como eu, escolhe passar esta data a solo, e assim criam-se novas tradições: cada um(a) na sua casinha, com seus pets (se os tiver), com a Netflix ou com um bom livro. Com uma oração sincera, ou a regar as plantas. Esse sim é um feliz Natal, uma noite cheia de paz e sossego para nós. Em qualquer idade podemos perceber que é possível haver novas e excitantes tradições, tais como as antigas. E compreender que não vale a pena tentar entender tudo, planear tudo. Com amor, as coisas vão acontecendo, mesmo que sejam diferentes daquilo a que estamos habituados.

Pronto, hoje deu-me para ainda recordar o natal, que tanto dá que falar e “já ninguém liga nada a isso” (este ano até a publicidade na TV aproveitou o mote)… E está sendo a triste verdade. Está a tornar-se uma noite como outra qualquer, só que com bacalhau ou peru, rabanadas, sonhos, aletria e outras sobremesas próprias da época. Quando são muitas pessoas que se juntam e partilham o trabalho e o custo das compras efetuadas, vale a pena. Pior é mesmo quando só uma pessoa tem todo o trabalho, às vezes incapacitada fisicamente, coloca tudo na mesa com amor e com prazer pelo esforço despendido, as pessoas comem e vão embora a seguir, não aguentam estar ali a “fazer sala” por muito mais tempo. Esse é o natal para muitos, pais e filhos e os outros sem sensibilidade para fazer melhor, quando falta a tal cumplicidade ou a conexão familiar, tão essencial.

A amálgama de sensações que este dia/noite nos provoca é de facto imensa. Lembro-me de ter passado de alguma forma por todo esse sentir, nostálgico, confuso, triste, redentor… Ao mesmo tempo, dou comigo também a imaginar grandes famílias, ainda com crianças, festejando com alegria no calor do lar e dos afetos…

A gestão emocional na fase de natal pode ser muito exigente, todos deveríamos estar muito felizes, alegres… só que não! Em geral, é um período de tristeza que mal se consegue definir, que todos esperamos que passe depressa, e quando a emoção está à flor da pele há que encontrar o equilíbrio.

Ressignificar foi o caminho que percorri e que nem tinha sequer vontade, contudo, por mim mesma e pelo amor próprio, fui capaz de tudo ultrapassar. Afinal…Natal é Amor, e o amor por mim mesma é imenso 😊Venha o feliz 2026!

sábado, 20 de dezembro de 2025

Ainda dezembro...

 Final countdown...

O último mês do ano chega sempre com uma mistura de luz, memórias, alegria e tristeza… Para alguns, é um mês de aconchego quando a família se reúne com afetos e com tempo. Para outros, é um tempo que dói um pouco mais. Lembranças de quem já partiu, ou de algo que aconteceu ao longo do ano e que não foi a melhor das sensações… Para mim tem sido sempre este misto de emoções, desde o tempo em que se deixava a meia na chaminé para receber o presente do Pai Natal que ia descer durante a noite, e de manhã era a surpresa.

Mesmo sendo um Natal agridoce para a maioria das pessoas, ao mesmo tempo há uma energia especial no ar que nos faz querer dar o nosso melhor para nutrir os que mais amamos, particularmente quem também nos nutre e nos eleva… apetece dizer aos amigos e familiares, longe ou perto, o quanto são importantes na nossa vida.

E, dessa forma, um dos meus compromissos para 2026 é ser ainda mais firme e consciente nas minhas relações, naquelas que me nutrem e nas que me drenam… Mês de balanço, de profunda reflexão sobre a influência e a importância das relações na nossa vida… Porque as nossas relações influenciam profundamente a nossa saúde, não só no aspeto emocional… mas também na saúde física e mental.

Quando se fala de saúde social, é assim: - como nos sentimos perto dos nossos amigos e familiares? - qual a qualidade dos afetos ao nosso redor? - o quanto essas relações nos nutrem, ou nos cansam?... Nesta época, estamos mais sensíveis e tudo fica mais evidente. Há momentos que nos aquecem o coração, e há outros em que nos sentimos sós, mesmo com alguém "colado" a nós ou com muita gente ao nosso redor. Há memórias que abraçam, e há outras que ainda precisam de cura. Nada disto significa que falhamos algures ou com alguém, ou vice-versa. Significa apenas que somos humanos. E que as relações fazem parte da nossa essência e da nossa história.

Pensamentos para o início do Novo Ano: - Com quem é que me sinto realmente valorizada e respeitada? - Onde ou com quem posso ser EU, sem medo de desapontar quem quer que seja? - Quem me faz respirar mais fundo? – Ou, onde ainda tenho de colocar limites para manter a minha paz?...

Portanto, tornou-se essencial cuidar sempre da minha saúde mental e física, que dependem da saúde social: aproximar-me mais de quem me nutre; criar pequenos momentos, mas verdadeiros, onde eu possa sentir o amor real; permitir-me manter a distância de relações que só sugam energia; honrar a minha verdade, mesmo quando a família ou qualquer outro contexto pedem outra coisa; escolher presença em vez de obrigação!

E cada passo que dou na direção da minha verdade é também um passo de cura emocional.

Porque ninguém desabrocha sozinho. Os laços certos, mesmo que poucos, sustentam-nos mais do que imaginamos. Importante cuidar das nossas relações com o mesmo amor com que cuidamos de nós. Sem querer exigir perfeição, dezembro é ainda assim o mês perfeito para me permitir escolher o que realmente me faz bem. Com Consciência, e Amor. Feliz Ano Novo! (fui)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Ganhei o dia!

 

LOL

Hoje ganhei o dia ao ler uma notícia importante para a minha/nossa existência e que, ao mesmo tempo, me divertiu tanto. 

Já que o mundo está esta merd@, feito essencialmente para nos fazer chorar, o negócio é começar a RIR, ou seja, ligar o botão QSF ou... "PQP o mundo que o meu nome não é Raimundo!"...
Há os barulhentos e os silenciosos (Ninja) kkk O que eu aprendo ultimamente, viva a informação total ao alcance de um só clique.
Falando em cheiro, sempre se disse, quanto mais se mexe mais vai cheirar mal... Então temos que ser espertos e procurar onde há o ar mais puro, inspirar, expirar, faz tão bem ver pessoas a correr todos os dias, cuidar da saúde física e mental... Tão bom saber que há pessoas que são exemplos, que devem ter alguém que se orgulha delas...

Na minha agenda para 2026: exercício físico, a prioridade!... E reforçar a decisão: não vou andar a gastar dinheiro em psicoterapeutas ou afins, para depois ter que andar a tratar de quem nem quer saber, pois só quer é atazanar!

Já estou diplomada em conviver com seres desequilibrados, desde que nasci, e nem sabia, pois tive que me conhecer primeiro como gente para entender muita coisa. E depois há os outros que aparecem pelo caminho, tipo carma (dizem), então a gente tem que se autoproteger. Deixá-los a falar sozinhos. Parece um mundo autista, cada um a falar para si próprio/a sem o menor interesse no que o outro diz. Reparo isso também quando se é atendido em certos serviços públicos, perguntamos algo e a pessoa responde com total desinteresse sem sequer olhar na cara do cliente ou paciente. Também há o autismo governamental, já agora, quem quer saber de quem afinal? No mundo onde impera o ego, cada um vai seguindo as suas próprias conveniências, nada mais.

Ainda ontem aconteceu algo desse género num grande supermercado, fiz uma simples pergunta e a pessoa nem olhou para mim ao responder; e já aconteceu outra vez num hospital privado. Caminhando rua acima fui a matutar no assunto. Que bosta de mundo, desumanizado. Mesmo no seio de cada lar, quantos, cada qual com suas teorias. Todos falam, falam, e não dizem nada. Ou falam ao mesmo tempo, e ninguém quer escutar o outro. Fica difícil para quem já evoluiu o suficiente ter que descer o nível ao confrontar quem nunca se esforçou por evoluir, por preguiça ou porque se tornou confortável viver assim durante anos, décadas de escassez de todo o tipo, mental e não só.

Estava eu assim divagando na minha caminhada higiénica quando de repente cruza-se comigo uma jovem com ar tão querido sorrindo com os olhos, que pensei logo "só pode ser estrangeira"...Imagino eu, porque outras vezes isso aconteceu e eram pessoas de outra nacionalidade, claramente. Aquele cumprimento sorridente me deixou feliz e me relembrou que ainda existe humanidade interessante por aí e nunca se deve perder a fé em algo melhor a caminho.

Desejo um natal bem cheiroso para quem me lê ou me segue, e para os outros também!

sábado, 6 de dezembro de 2025

Época de Natal

 

Tempo de alegria, de amor… e de reflexão

O Natal costuma ser apresentado como um tempo de luz, união e esperança. Fala-se de alegria, de amor, de família reunida.
Porém, no mundo doente em que vivemos, nem sempre a realidade acompanha a tradição. Há quem viva - ou queira viver - relações profundamente doentias, mascaradas de “amor”.

Há relações em que a pessoa emocionalmente desequilibrada, tóxica, transforma o que podia ser carinho em constantes ataques de “raiva”, confunde amor com posse, ou cuidado com controlo. Inventa situações irreais, põe palavras na boca do outro, em suma, procura motivos para criar discussões, usando insultos e linguagem de baixo nível como forma de domínio. Atira tudo à cara, sem pensar. Destroça a paz do outro. E, logo de seguida, como num ciclo já ensaiado, é capaz de chorar, vitimizar-se, dizer que ama, pedir desculpas, prometer que “não vai acontecer mais”. Só que acontece sempre. Basta uma pequena frustração, um “não”, um limite. Basta que as suas necessidades egocêntricas deixem de ser satisfeitas.

Quando já não é amor - é invasão. A pessoa tóxica, incapaz de aceitar o fim ou a distância saudável, recusa-se a “largar o osso”. Insiste em perturbar. Invade. Persegue. E a invasão vai além da relação: amigos e familiares da vítima são também incomodados com mensagens e telefonemas, e nem conhecem a pessoa em questão. Contactos esses que foram apanhados sem permissão. Trata-se claramente de violação da privacidade. Um abuso emocional e psicológico. E o "amor" pode, sim, acabar em caso de polícia!

O Natal lembra-nos amor, mas amor não é isto. Amor não sufoca, não ameaça, não controla, não manipula. Amor de verdade apenas confia em si próprio e no outro, apenas isso - a confiança, a cumplicidade, tão necessárias e que é preciso construir. Falar assertivamente, e deixar o outro também falar. Evitar pedir desculpas repetidas porque amor não precisa de ferir para depois tentar remediar.

Este texto é um lembrete de que ninguém merece viver num ciclo de abuso só porque alguém promete “mudar”. Natal é tempo de luz - e, para muitos e muitas, essa luz começa quando têm a coragem de se afastar da escuridão.

Amor é dor,
Amor é prazer;
O Amor faz viver,
Mas de tanto Amar posso morrer!
Amor é um sonho.
Amar é ilusão.
"Te Amo!" eu quero ouvir,
Mas se ouço, essas palavras soam falsas ao meu ouvido.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Hello December!

 

Dezembro chega sempre envolto numa magia particular. Há quem diga que é apenas mais um mês, mas a verdade é que, quando o Advento começa, algo muda silenciosamente dentro de nós. Acendem-se luzes nas ruas, nos lares e, sobretudo, nas nossas certezas cansadas. É como se o mundo inteiro respirasse fundo e se lembrasse de que ainda existe espaço para a esperança.

Neste tempo em que os dias são mais curtos e o frio se aproxima a passos largos, a luz torna-se símbolo maior. Não apenas a luz decorativa ou festiva, mas a luz que nos recorda que, apesar de tudo, continuamos a acreditar num futuro melhor. Em cada chama acesa, em cada janela iluminada, há uma promessa: a de que o ser humano, com todos os seus defeitos, ainda guarda dentro de si um valor profundo, uma capacidade infinita de recomeçar.

O Advento convida-nos exatamente a isso — a reencontrar sentido. É um tempo de espera, mas também de desejo. A espera por dias mais luminosos, por sentimentos mais genuínos, por relações mais humanas. O desejo de sermos a diferença que tantas vezes procuramos nos outros. E, mesmo que o mundo pareça confuso ou cansado, dezembro lembra-nos que a luz está sempre ali, à distância de um gesto, pronta a reacender a nossa fantasia e a nossa fé na bondade.

Que este mês seja mais do que correria, compras e compromissos. Que seja um tempo de olhar para dentro e descobrir que ainda somos capazes de ternura. Que possamos ser luz para alguém — um sorriso, um abraço, uma palavra que aconchega. Porque o Natal, no seu significado mais profundo, acontece sempre que a humanidade escolhe ser melhor.

Neste dezembro cheio de luz, permitamo-nos acreditar de novo. Que o AMOR é possível, que o mundo pode ser mais justo, mais humano, mais bonito. E que a mudança começa exatamente em cada um de nós, no pequeno gesto que ilumina o caminho dos outros. Festas Felizes!

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

1 Respeito, 2 Amor

Moro num oitavo andar e por vezes entra bicharada pela casa dentro. São grilos, borboletas, semana passada foi uma joaninha, que adoro. Apanhei-a na varanda, e disse a ela pra voar e ser feliz, e ela foi... Fiquei feliz por ela. Lembro que antes dizia-se assim “Joaninha voa voa que o teu pai tá em Lisboa”… (coisas antigas, parvinhas LOL)

Curiosamente, se vamos querer saber o significado de tudo, estes insetos são associados a sorte, então tenho que ficar feliz com essa ideia. Há que ficar feliz por qualquer coisa, pois o mundo tá chato, cheio de gente chata, sem noção. Então, é preciso voar (em pensamento), ir para longe, ausentar-se de vez em quando. Quem não voa, morre a cada dia um pouco. Voar no sentido de alargar horizontes, ajustar-se a novas ideias caso seja necessário, porque atualmente o mundo gira tão veloz e quando nos apercebemos já “perdemos o comboio”.

Tanta gente vivendo na correria, para quê? Nessa loucura nem param para pensar que se pode magoar o outro tão facilmente. Gente falando de amor de modo tão banal enquanto vai ferindo com insultos, ou há até mesmo quem mate em nome desse amor… porque antes deste belo sentimento deveria haver o respeito…

O respeito é o alicerce invisível de qualquer tipo de relação. Aquilo que não se vê, mas que se sente todos os dias. É o que define o tom das conversas, a forma como lidamos com conflitos, e até a maneira como reconhecemos a individualidade do outro.

No amor, o respeito é o que mantém a relação saudável quando a paixão dá lugar à rotina. Na amizade, é o que permite que duas pessoas cresçam em direções diferentes e, ainda assim, continuem ligadas. Na convivência diária, é o que evita que a proximidade se transforme em abuso emocional.

No fundo, respeitar é reconhecer a humanidade do outro, e isso é mais profundo do que qualquer declaração de amor. Aceitar que o outro tem vida própria, sonhos próprios e identidade própria. O respeito não é um gesto grandioso. Deveria ser um hábito diário. Quando ele falta, o amor torna-se instável, desgastante e por vezes até destrutivo.

Em suma: o respeito não é apenas uma parte do amor — é a raiz dele. É o que dá estabilidade, profundidade e segurança às relações. É o que transforma conexões frágeis em vínculos verdadeiros.

Porque o amor cresce com carinho, mas mantém-se vivo com respeito.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A amizade vs o amor

Nem que seja uma vez por ano, no dia de aniversário, é tão bom perceber que há quem nunca se esquece de nós e nos felicita por mais um ano da nossa existência. Os bons amigos são como as estrelas: não as vemos, mas sabemos que sempre estão lá. Decidi não publicar a data na rede social, mas basta alguém lembrar, postar lá algo, e a seguir chega mais uma série delas. Há algo profundamente libertador na amizade. Muitas vezes, nem se encontra na família o que a verdadeira amizade nos oferece. Muito importante: não existe o apego. Talvez porque a amizade verdadeira não pede provas, não exige controlo, não sufoca. Ela existe num equilíbrio raro: cada pessoa é livre, mas ao mesmo tempo profundamente ligada. A amizade acolhe sem prender, escuta sem julgar e acompanha sem impor condições. Na presença de um amigo, sentimos leveza - aquela sensação de que o mundo pode até estar turbulento, mas ali existe PAZ.

Já o Amor, ai o amor, rima com dor! (normalmente, o pseudo amor). Quando maduro, deveria seguir o mesmo caminho da amizade: parceria, respeito, liberdade e crescimento mútuo. Mas nem sempre é assim. Há formas de “amor” que não trazem calma. Pelo contrário, trazem ansiedade, confusão, desgaste e uma sensação de que estamos sempre em dívida, sempre a justificar, sempre a provar algo.

E quando um amor se torna obsessivo ou imaturo, nasce um ciclo perigoso, abusivo, por vezes:

  • A pessoa controla porque tem medo.
  • Exige porque se sente insegura.
  • Pede garantias constantes porque não consegue confiar.
  • Transforma pequenas diferenças em grandes conflitos.
  • Confunde ciúme com cuidado.
  • E confunde posse com amor.

E nós, quando expostos a este tipo de relação, começamos a perder uma coisa essencial: a paz interior. Amor sem paz não é amor — é carência mascarada, medo disfarçado, imaturidade mal resolvida. E, aos poucos, mina a autoestima, limita a liberdade e distorce quem somos.

É aqui que a AMIZADE ganha ainda mais valor.

Os amigos lembram-nos de quem somos quando o amor tóxico tenta apagar-nos. São âncoras de sanidade, de equilíbrio e de verdade. Porque nos conhecem bem. São aqueles que nos devolvem a visão quando a paixão nos deixa cegos. São o espaço seguro onde respiramos quando a relação nos aperta.

A amizade é estável onde o amor obsessivo é turbulento.
A amizade é honesta onde o amor imaturo é dramático.
A amizade é leve onde o amor tóxico é pesado.

E no fim, percebe-se algo simples, mas poderoso: o amor só é verdadeiro quando se parece com a amizade. Quando respeita, quando dá espaço, quando promove paz, quando nutre em vez de consumir. Qualquer relação que rouba serenidade não é amor - é um ALERTA.

Por tudo isso, nunca perderei de vista as minhas boas amizades. Não é apenas saudável, é vital. Elas são o nosso equilíbrio emocional, o nosso espelho sincero e o nosso porto seguro. São prova viva de que é possível amar sem perder a liberdade, dar sem exigir, crescer sem controlar.

No fundo, a amizade ensina-nos a amar melhor — primeiro a nós mesmos, depois aos outros.


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Viva eu!

Escolho passar estes dias junto de quem me gerou e fez o melhor que pôde e soube. Há muito muito tempo estava a minha mãe a comer castanhas comigo no quentinho do seu ventre, quando de repente teve que largar tudo e ir para o hospital "deitar-me fora", diz ela. Hoje tivemos de novo um jantar a duas com castanhas, presunto e espumante, brindando à Vida. E, assim, faltam poucas horas para eu (re)nascer, quando o meu conta-quilómetros vai virar os 67, na madrugada do dia 12.

Parabéns a mim! Há previsão de ser o dia mais chuvoso da semana. Este ano não terei o meu verão de São Martinho, como acontece normalmente.  Continuo com boas energias, muita alegria e disposição. Que assim seja na minha caminhada, sempre em frente com SAÚDE, FÉ INABALÁVEL E PAZ no coração! Grata pelo que a Vida me tem proporcionado e por todas as mensagens que sempre recebo. Nem que seja uma vez por ano, há as pessoas que nunca me esquecem - porque devo ter feito alguma diferença na vida delas, acredito - e são essas que tornam o mês de novembro tão especial para mim.

Orgulhosa da minha pessoa, abençoada, acredito ainda que as pessoas certas (ou erradas) aparecem no meu caminho como aprendizagem para o meu SER em construção. Já fiz muita coisa errada, sem pensar, agora penso demais e não me encaixo na era da artificialidade, do faz-de-conta, ficando até receosa de conhecer pessoas. Nunca se sabe quem é capaz de perturbar a nossa paz de espírito, como quem não quer nada...

Olho-me ao espelho e penso: "Que bom, mais uma volta completa ao Sol." Como se fosse uma conquista pessoal, quando, na verdade, sou apenas uma mera passageira desta pedra azul que gira como um pião bêbado pelo espaço. Nesta corrida cósmica desenfreada, a idade é somente um número. Há quem se preocupe tanto com as rugas no rosto, no corpo, mas pior mesmo é deixar criar rugas na Alma.

VIVE! Se não fizeste aos quarenta, faz aos sessenta, aos setenta...

A única coisa que importa é fazer o que se ama! 

Uma mulher que viveu até aos 99 anos disse:

- A vida melhora com o tempo. 

Finalmente entendo o que ela quis dizer.

Vivemos num mundo que nos impõe atitudes e prazos:

Casar e ter filhos dentro de uma certa idade,

Fazer uma carreira dentro de um certo período,

Usar a roupa ‘adequada à idade’,

Reformar-se quando já não tiver mais forças!...

Tudo isso é pura ilusão.

Nos nossos vinte anos estávamos com tantas dúvidas.

Aos quarenta esmagaram-nos com responsabilidades.

Vamos nos divertir, dançar, aos sessenta ou mais. 

Se não brilhávamos antes,

Façamos isso acontecer agora.

A alegria não tem data de validade.

Sonhos não têm idade.

E nunca é tarde demais para recomeçar algo.

Então, vamos desafiar-nos!

Usar cores vivas.

Reservar um voo.

Aprender um novo idioma.

É sempre melhor tarde do que nunca.

                                                             Assinado: Pessoa Sem Idade


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Mudou a hora, mas não a vontade...

 

Dias de Outono

27.10.25 - Avisos amarelos por todo o país, as notícias falam de furacões devastadores que invadem destinos paradisíacos como Jamaica, Cuba, Turcas e Caicos, e eu… aqui no meu paraíso, o Mar ali tão pertinho, a duas paragens de comboio, aprox. uns 15 minutos. Viciei-me em ver diariamente a temperatura da água e ainda estando os 20/21° lá vou eu correndo para o “meu habitat” onde me esbaldo e me sinto tão bem. Mudou a hora, mas o vício continua o mesmo, basta ver o sol pela janela e saber que não estará vento além de a água estar “amornada”...

Rio de mim própria com esta loucura que sempre tive pelo mar, e nunca cessa.
De comboio saio quase em cima da areia, sem stress, e sem grande custo.
Hoje já ia um pouco tarde, imaginando que depois voltar pelas 17:20 poderia sentir frio (as 18:20 de antes), então fui assim mesmo, por que não, nem que fosse para me contentar com a vista e com o cheiro de mar durante meia hora e voltaria satisfeita para casa. Mas não, cheguei lá, fui molhar os pés e não pude resistir, deu para mergulhar, nadar um pouco, ficar na praia a fazer um rascunho deste texto, umas 3 horas sem vento, que “nem pinto no lixo”, como sempre! Sabendo que amanhã poderá chover, estou apenas a despedir-me do ainda verão, do jeito que mais me dá prazer. Dentro de água salgada, “descarrego” o que não interessa e levo para casa o meu corpo e mente energizados. A vida a fluir na vibe que tanto amo. Sou uma sortuda.
Fui procurar um nome para este vício em mim. Parece que é biofilia. Afinal, sou uma biófila. Adoro este vício, sem efeitos colaterais, bem pelo contrário.
Amanhã podem chover canivetes. Tendo iniciado a semana desta forma, tão bem, me sinto pronta para aguentar os casos de estudo que a vida eventualmente nos apresenta diariamente. E como ninguém é feliz sozinho, lá dizia o poeta, a gente vai tentando se encaixar de alguma forma com quem cruza o nosso caminho e nos oferece algum tipo de amor. 

Acredito que o prazer, a música e a arte ativam em nós o que há de mais curador. Diminuem o stress e a ansiedade, equilibram o sistema nervoso, libertam dopamina — a hormona do prazer — e devolvem-nos à nossa natureza essencial: - Estar presentes; - Sentir alegria no simples; - Respirar a beleza do agora. Qualquer tipo de prazer é uma forma de cura. Escolhe uma música que te faça sorrir e dança, mesmo que só e por alguns minutos. O corpo lembra-nos da Vida. Resgata um hobby que tenhas abandonado e permite-te brincar de novo. Faz algo só porque te dá prazer — sem objetivos, sem culpa, sem pressa… São os meus conselhos de hoje, para mim, e para ti que me lês.

Porque quando nos permitimos sentir prazer, renascemos por dentro. Reativamos a alegria de viver, a energia criadora, a leveza.

“Coração em paz, alma em alto-mar”. Assim como o mar tem as suas marés, a vida tem os seus altos e baixos. A esperança nos ensina que cada onda traz consigo a oportunidade de uma nova caminhada pela vida fora. Por isso me admiro tanto: sorrio sempre, como se nunca houvesse passado por nenhuma tempestade.  E quero sempre admirar quem me rodeia.


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Tempo de sobra, tão bom

Na cidade onde vivo há um pavilhão gimnodesportivo municipal bem pertinho de casa. Voltei ao Pilates, duas vezes por semana, e nos restantes 5 dias ainda posso dar-me ao luxo de ir dar uns mergulhos no mar enquanto está bom tempo.

No primeiro dia, ainda com tempo, antes de entrar para a sala, fiquei a apreciar as crianças a praticarem andebol no recinto desportivo. Aquele barulho das bolas a baterem na quadra fizeram-me recuar no tempo, quando em Angola o meu pai treinava os atletas no Sporting de Benguela, e mais tarde quando casei com um também basquetebolista, e ia assistir aos jogos. Foram anos a ouvir aquele barulho. E pensei que sou um caso de estudo. Sempre vivi no meio do desporto e nunca soube as regras de nenhum, apenas estava lá por estar e nunca me interessava por perceber as jogadas. Sou mesmo estranha, uma alienada, nunca me interessando a fundo pelas coisas, deve haver uma explicação para isso, se eu fizer algum tipo de terapia. 

Longe de ser perfeita, até me rio de mim própria. Não me arrependo de nada, mas podia estar na vida bem melhor, se me esforçasse para tal. Admito que sou preguiçosa, comodista. Olho para trás e é apenas o meu passado, tentando agora estar mais atenta, fazer as coisas certas e reconhecer as pessoas que poderão trazer ou acrescentar algo de especial à minha vida, para compensar, pois antes também não soube fazer as escolhas adequadas à minha pessoa.

Sou um caso de estudo, e atraio outros casos de estudo. Vou assim estudando a Vida.

Pilates ontem. Um mergulho no Mar hoje. O Sol. O Amor. As Amizades que valem a pena. A vontade de estar Feliz. Ser Grata por tudo o que tenho… 

A vida é bonita, porque eu a faço assim.

(o mar me inspirou a escrever assim hoje)

Almas bonitas se reconhecem e se atraem. Se a pessoa for genuína acabará por encontrar as pessoas certas ao seu redor, cada uma no tempo certo."



domingo, 21 de setembro de 2025

Dias de Setembro

 

Dia 21/9 Hoje - Dia Mundial da Gratidão

Quero escrever sobre a gratidão que é uma das forças mais poderosas do universo. Quando agradecemos, a nossa vibração eleva-se e nós nos tornamos um íman para coisas boas. Em vez de focar no que nos falta devemos concentrar-nos no que já temos e podemos ver a nossa realidade mudar. A gratidão abre portas para novas oportunidades e atrai abundância, felicidade e equilíbrio espiritual, além de fortalecer a nossa conexão com o Universo e o nosso propósito de vida.
É preciso ter cuidado com o costume de reclamar por tudo e por nada, conheço muita gente assim. Quando reclamamos, estamos literalmente a clamar ao Universo para enviar mais daquilo que nos incomoda. Quanto mais focamos no problema mais energia estamos a dar-lhe; em vez disso, usemos o nosso poder mental, emocional e espiritual a nosso favor. A palavra AGRADECER vem de “deixar a Graça descer”, ou seja, quanto mais gratidão sentirmos, mais bênçãos chegarão até nós. Sejamos um íman de coisas boas focando no positivo, e veremos algo mudar. Amém! Sou grata todos os dias, e não me queixo. Imensamente grata pelo meu percurso de vida, com afetos e desafetos, amores, desamores e outras dores. Tudo tem servido para ter orgulho na pessoa que me tornei e também em quem vale a pena e sempre esteve em conexão comigo, de longe ou de perto.

Setembro, para mim um mês perfeito, tem algumas datas marcantes. Além do onze de setembro que ficou triste e tragicamente lembrado em todo o mundo, outras duas vou citar a seguir.

20/9/1975 - Recorda a minha mãe que nesta data chegámos à metrópole com o nome de retornados, ela com 4 filhos menores, eu a mais velha ainda com 16 a caminho dos 17 anos de idade...Fez agora 50 anos... O pai ainda ficou algum tempo no ultramar pensando que as coisas poderiam eventualmente melhorar, até que teve que fugir um dia no último avião que disponibilizaram para quem não quisesse lá morrer no meio de uma guerra estúpida. Viemos com algum dinheiro escondido que depois nada valia aqui, e na obscuridade acerca de um futuro incerto, depois de 13 anos na linda cidade de Benguela, Angola. Mas felizmente tudo se vai ajeitando na vida, aos trancos e barrancos. Muitos se deram bem porque souberam desvencilhar-se, outros (como os meus pais) pouco conhecimento tinham para saber ir atrás dos apoios concedidos. A vida continuou, com a ajuda de Deus e de pessoas boas.

26/9/2015 – Fazendo dez anos que alguém com quem partilhei 9 anos de vida em comum, e que podia ser tão valioso para o mundo, decidiu partir para outra dimensão, a da paz, que não encontrava aqui na vida terrena.

Não sei se esqueci alguma outra data importante neste mês, penso que não. Ah sim, minha amiga irmã Cris fará aniversário dia 26/9, também. Amo ela e é um sentimento recíproco. Carpe Diem!


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Filhos pródigos

Chega um certo momento na vida em que uma pergunta nos assalta em silêncio: fui um bom filho ou filha? A resposta, porém, não vem fácil quando se cresce em famílias onde nunca houve diálogo verdadeiro, apenas ruídos de acusações, silêncios pesados ou palavras ditas sem escuta. É como procurar um reflexo num espelho partido — vemos fragmentos, nunca a imagem inteira. Talvez tenhamos dado amor, mas sem nunca saber se foi entendido ou recebido. Talvez tenhamos sido obedientes, mas sem nunca sentir reconhecimento. E ficamos nesse limbo: como medir a bondade de um filho quando a casa nunca foi lugar de encontro, mas de desencontro?

Num lar disfuncional, as palavras não circulam para unir, mas para ferir, ou então não circulam de todo. Crescemos sem referências claras, sem a certeza de sermos vistos, e assim também sem saber como fomos recebidos. Fomos bons filhos? Ou apenas peças de um jogo em que ninguém conhecia as regras?

Muitos de nós carregamos uma culpa silenciosa, como se tivéssemos falhado em dar algo que nunca nos foi pedido de forma clara. A criança que fomos aprendeu a sobreviver, a calar para não ferir, a obedecer para não perder migalhas de afeto. E, mais tarde, o adulto olha para trás e pergunta se deveria ter feito mais — sem perceber que já tinha feito o possível dentro do impossível.

Ser bom filho não é apenas cumprir expectativas invisíveis, mas poder crescer num espaço de amor, escuta e reconhecimento. Quando esse espaço não existe, a pergunta já nasce viciada: como ser bom num terreno onde a semente nunca foi regada? Talvez o problema não esteja em nós, mas na ausência de um solo fértil.

Chega um tempo em que percebemos que a resposta não está no passado, mas no presente. Ser bom filho talvez seja, no fim, não repetir a violência, não propagar o silêncio, não deixar que a dor herdada determine quem somos. Ser bom filho pode significar libertar-se da necessidade de aprovação e criar, em nós e nos que amamos, a família autêntica que nos faltou.

Eu não deixo descendência, mas sei que se tivesse tido filhos, eu tentaria dar a melhor educação com afetos e baseada na autenticidade de cada ser gerado - sem ousar querer medir tudo pela mesma bitola - dando a hipótese de argumentação e chegar a uma (ou mais) conclusão unânime e compreensível para todos, numa constante reciprocidade de aprendizagem, porque ninguém nasce ensinado, obviamente, nem pais nem filhos. Nenhum de nós!  

 (foi só um desabafo, um momento introspetivo, vulnerável)


terça-feira, 19 de agosto de 2025

Desapego emocional

O tempo, a vida, têm me ensinado a desapegar quando é necessário, em prol da minha saúde mental. Aprendo que o amor à distância é possível e evita sofrimento quando se trata de relacionamentos tóxicos, isso a nível familiar, amoroso ou mesmo na amizade. Continuamos a ter amor no coração, mas seguimos o nosso caminho, na solitude e de consciência tranquila, e sabendo que quando emanamos boas vibrações elas nos serão devolvidas em forma de algo bom que nos acontece. Existem presentes que não são embrulhos, mas vêm em forma de gente, que sentimos como família, aquela que escolhemos. Gente que mostra o verdadeiro sentimento, chega, transforma, cuida, e ensina que amar é o maior privilégio da vida.

Amar alguém especial é como descobrir um pedacinho do céu aqui na terra. É acordar com propósito, é ter para quem voltar, é saber que o coração tem casa. O amor verdadeiro não se compra, não se força. Ele constrói-se, cultiva-se, vive-se. Amar de verdade é o maior presente que a vida pode dar-nos. Tudo tem um tempo para acontecer. A vida é feita de ciclos e alguns são difíceis, mas a nossa luz interior é capaz de guiar-nos. 

Por vezes, as respostas da vida demoram, mas é garantido que chegam. Cedo ou tarde, a tempestade há-de ir embora e dará lugar ao sol. Confiar em Deus ou no Universo é tudo, porque Ele sabe o que faz e o que desfaz. Cair, lutar, recomeçar, e também aprender a desistir do que dói ou que não serve mais. Porque a felicidade, às vezes, está em desistir… não de nós, não da Vida… mas de algumas situações ou pessoas que nada acrescentam, ou até poderão atrapalhar.

É estranho, numa era tecnológica, com telemóveis que se tornaram autênticos apêndices humanos - pois ninguém anda sem eles - mesmo assim muito raramente alguém liga para saber “Como vais… Como estás…Há quanto tempo!"… Passa um ano ou mais e a ausência prolongada nota-se. As pessoas que nos estimam de verdade nunca se esquecerão do nosso aniversário, ao menos isso, uma vez por ano! Anda tudo tão ocupado a fazer nada ou a ocupar-se de futilidades… Porém, nas redes sociais cusca-se à vontadinha a todo o momento... É o que é e aprende-se a aceitar tudo. Uma realidade é evidente e assustadora: muita gente enganadora por aí, ou a bater mal da moina, e não nos apercebemos facilmente, há que estar atento e ter cuidado! Salve-se quem puder.



quinta-feira, 31 de julho de 2025

Entrando a gosto


AGOSTO: um mês quente que enche as praias, para quem não se importa com a multidão no areal, ou para quem só pode ir de férias nesta altura, infelizmente. Quem puder escolher, melhor fugir para locais mais frescos e tranquilos, áreas verdes com cascatas e riachos. Eu que amo o mar, talvez a temperatura da água vai começar a melhorar, pois tem estado fria nas últimas semanas, e tenho me controlado, à espera de setembro.
Agora posso dizer que estou a gosto na vida, desde 12/6/2025...uma data super esperada, quando finalmente pude acabar com as idas para um "trabalho" insípido; agora posso levar uma vida de gata, de papo para o ar, fazendo simplesmente nada, ou ir à praia e ao ginásio sempre que quiser. 
Tempo de "reset" nas emoções, tempo para viajar e visitar amigas que me convidam para ir vê-las após tanto tempo sem tempo para nada, quando esperava os curtos fins de semana que sabiam a pouco.
Fui duas semanas a Gotemburgo na Suécia, a convite de uma amiga que lá vive há muitos anos. Que cidade linda, de 20/6 a 5/7 ainda apanhei um ou outro dia cinzento, com chuva, mas nos dias de sol era um prazer poder caminhar pela cidade toda, mesmo com vento, apreciar a juventude animada a dançar na praceta para animar os transeuntes; eu sempre com o nariz no ar apaixonada pelos belos edifícios ao longo de extensas avenidas, com jardins imensos por todo o lado, que convidam a ficar na sombra, ou a tomar banhos de sol, para quem gostar ou puder. Os suecos precisam muito de sol, são uns dois meses no ano que devem aproveitar bem. O meu quarto dava para um desses jardins e logo de manhã via alguns e algumas já de calção ou biquini a tomar sol durante horas. Jardins são a praia deles, tão interessante. E pude visitar museus, ver manifestações pela rua, ou sentar na pastelaria para degustar uma doçaria diferente, sabores fantásticos que amei. Os famosos rolos de canela (kanelbullar), os de tamanho normal e os gigantes, tamanho familiar, tão bons que viciam. Mas os preços (OMG) não são para o bolso de qualquer turista. Enquanto em Portugal é ainda possível comer um bolo e tomar um café ou galão por €2.50 aprox., lá paga-se quase 10€! Em Copenhaga, ao lado (4h de comboio ou autocarro), ainda é mais caro. 
Mas valeu muito a pena apreciar outra cultura, a nórdica. Pude sentir a qualidade de vida do povo sueco, apesar de tudo o que se diga quanto à atualidade política, mas que afinal acontece a nível mundial.
A gosto voltarei lá em outra época, a natalícia por exemplo, caso haja condições para tal - primeiro, tem que me sair o Euromilhões LOL. Aproveitar para passear também por Copenhaga, ou ir a Oslo de comboio... Quem sabe, descobrir se existe um lado viking na minha ancestralidade... Fico a imaginar como será a linda cidade de Gotemburgo no natal, enfeitada de luzes por todo o lado e ver as pessoas a confraternizar alegremente naqueles bares chiques, onde vão aquecer o corpo e a Alma.
Quem tem boas amizades tem tudo...Imensamente grata!

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Viva o Amor, o real!

Assim como há o "amor" abusivo - muitos casos que sabemos - com certeza existe o amor de verdade, que vamos reconhecendo com os sinais que o tempo nos dá.

Reconhecer um amor de verdade pode ser desafiador, mas há sinais claros que o distinguem de uma paixão passageira ou de um relacionamento baseado em interesse, carência ou hábito. E valerá a pena um reset (nova tentativa) se ambos estiverem com disposição para isso, mostrando indícios de um amor verdadeiro:

- A presença genuína. A pessoa está ao teu lado nos bons e maus momentos, mesmo quando não tem nada a ganhar com isso. O apoio é constante, mesmo em silêncio ou à distância.

- Paz em vez de ansiedade. Um amor verdadeiro traz tranquilidade, não insegurança ou dúvidas constantes. Há confiança mútua, sem necessidade de provar amor o tempo todo.

- Aceitação real. A pessoa conhece os teus defeitos, falhas, manias… e ainda assim escolhe ficar. Não tenta mudar quem tu és, mas apoia o teu crescimento pessoal.

- Comunicação aberta, sincera. Existe espaço para conversas honestas, mesmo sobre temas difíceis. Há escuta ativa e respeito, sem jogos ou manipulação emocional.

- Equilíbrio e reciprocidade. Ambos se esforçam e cuidam um do outro. O amor não é uma via de mão única; há partilha emocional, tempo e energia.

- Paciência e compromisso. E compromisso não é apego, o doentio, há quem confunda. Um amor verdadeiro aguenta fases difíceis e não desiste com facilidade. A pessoa está disposta a crescer contigo, mesmo quando algo estragou o “brilho” inicial, mas é possível superar.

- Admirar e respeitar. Tão importante (para mim) a admiração mútua, pelas qualidades do outro, e não apenas a atração física. Existe respeito pelas escolhas, opiniões e liberdade de cada um.

- Continuidade com profundidade. Com o tempo, o amor amadurece e se torna mais profundo, não apenas rotineiro. A conexão emocional cresce, e não depende apenas da paixão inicial.

VIVA O AMOR, que faz falta.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Love yourself

Quando é que a gente reconhece que está a ficar velho, uma pergunta pertinente e quase filosófica. A gente não fica velha assim de repente, mas há sinais sutis (e outros bem engraçados) de que talvez começamos a notar a chegada da maturidade ou da "velhice":

1. Quando começamos a dizer:

“Na minha época…” ou pior: repetindo conselhos que os nossos pais nos davam e jurávamos que nunca faríamos isso.

2. Quando o corpo começa a mandar recados:

  • Dormir de forma errada, supostamente, e andar com dor no pescoço durante 3 dias.
  • Olhar ao espelho e ver um rosto a ficar diferente, e partes do corpo.
  • Só de pensar em sair à noite dá cansaço.
  • Achar que uma sexta ideal é pizza + sofá + silêncio.

3. Quando já não reconhecemos as músicas novas e dizemos frases do tipo “A letra das músicas de hoje não presta para nada…” e começamos a ouvir playlists de “hits dos anos 70, 80 ou 90” que agora são consideradas nostálgicas. Começar a sentir falta da forma como víamos o mundo antes de sabermos tanto sobre o que se passa agora…

4. Quando começamos a valorizar o que antes era chato

  • Dormir cedo/domingos tranquilos em casa/cuidar de plantas/tomar chás para tudo/economizar para fazer o que se gosta, incluindo tratamentos estéticos, tratar do corpo e da mente…

A verdade é que a velhice não tem a ver só com idade, mas com a forma como vemos o mundo. Há gente de 60, 70 que é mais leve e aberta do que muitos de 25. E vice-versa. Uma resposta honesta será: sabemos que estamos a ficar velhos no minuto em que paramos de gostar de viver.

Há uma famosa frase de Mark Twain: "A maioria dos homens morre aos 27 anos, nós apenas os enterramos aos 72". Porquê? Porque eles param de viver e continuam a existir. Eles envelhecem. Eles não trabalham apenas para viver... eles vivem simplesmente para trabalhar e poder ter dinheiro, com uma vida de stress, muitas vezes a dar cabo da saúde, mental e física. É por isso que tantos morrem pouco tempo após a reforma.

As crianças VIVEM! Experimentam o dia a dia, o agora, naturalmente e sem antecipar o amanhã. Quantos adultos aguardam ansiosamente os próximos anos? E veem os seus melhores anos para trás, então, eles param de viver e envelhecem.

Tenho a idade que tenho e sou grata por cada minuto de vida. E ainda vejo os meus melhores anos pela frente! Nunca parem de viver! Fiquem vivos e nunca se tornem "velhos"!



sexta-feira, 11 de julho de 2025

Com o Amor, todo o cuidado é pouco

Está difícil acreditar no ser humano, no Amor. Sim, porque acredito que todos somos feitos de amor. Em princípio, devíamos todos ter nascido dele, mas claramente nem sempre é assim. Muita gente vem ao mundo fruto do acaso, ou porque simplesmente aconteceu, foi um deslize… “Foste TU que criaste as minhas entranhas e me teceste no seio da minha mãe. Eu te louvo, porque me fizeste maravilhosa; são admiráveis as tuas obras; TU me conheces por inteiro” (Sl 139,13-14). Recentemente encontrei uma amiga que já não via há muito, parecia apreensiva enquanto me confidenciava que tem vivido uma experiência amorosa fora do normal. Ela agora numa fase de ter tempo para aproveitar o melhor da vida, enquanto houver saúde, e sem aparentar a idade que tem, com espírito jovem ainda pronta para ir dançar, ir a concertos, enfim, sempre apaixonada pela Vida, há cerca de nove semanas conheceu por acaso numa curta formação gratuita sobre comunicação um rapaz aprox. 36 anos mais novo (!) que parece ser uma mente inteligente além de super ocupado com várias atividades que escolheu para passar o tempo e ganhar dinheiro. Parece que ele se encantou (do nada) e nunca mais a largou, queria ser amigo, acompanhá-la sempre que ela quisesse ter companhia, mensagens escritas a todo o momento, um “amor” que foi se manifestando quando a convidava para sair, e queria pagar, apesar de ela dizer que as contas deviam ser divididas e ele dizia para não se preocupar, “não tinha o que fazer ao dinheiro”; não era de sair com os da idade dele, nada de noitadas, não tinha grandes gastos, e gostava de pessoas mais velhas, talvez fossem mais sossegadas, enfim, uma série de coisas que ia dizendo e ela se encantou também, como uma pessoa daquela idade era tão diferente do normal, e ia analisando a situação, que entretanto evoluiu para um amor a dois, sem pensar em consequências. (Quem sabe, teria algum papá que mandava dinheiro, imaginava ela.) Para nenhum dos dois, a diferença de idade seria um empecilho, pois, o que é isso comparado com toda a maldade e estranheza que há pelo mundo, com gente que muda de sexo ou adota bonecos como filhos, os bebés reborn…alguém poderá ter alguma moral para falar dos outros, sério? Mostrou-me fotos dos dois e até ficavam bem juntos, e felizes, não parecia nenhuma aberração, de facto. Ele gostava de cuidar dela, assim dizia, "até que a morte os separe"... insistia num relacionamento sério para assumi-la perante todos; dizia que falava aos colegas da sua namorada; também ela ainda falou dele ou apresentou-o a algumas pessoas amigas ou conhecidas, uma aconselhou muito cuidado, outras diziam “por que não, aproveita enquanto é bom, vai vendo o que acontece”. A química sexual era boa, também… até que a tal intimidade começa a gerar ciumeira ou controlo doentio, quando quer 'desenterrar' os ex dela, ou os amigos na rede social incomodam, como se fosse agora possível apagar historinhas do passado ou mais do que um casamento vivido, ou anular amizades sadias, sem mais nem menos… Enfim, começou a ficar deprimente para ela ter que se chatear com esse tipo de futilidade, a ponto de querer que ele se afastasse. Mas não, ele insistia numa amizade (que já não era, ou nunca foi), continuava a pagar tudo como se fosse endinheirado, ou €€ estariam sobrando; às vezes ela dava-lhe o dinheiro a seguir, e ele devolvia o valor com transferência por MBWay, parecia um ping pong de euros para lá e para cá. Outras vezes ela encontrava dinheiro transferido e nem sabia do que se tratava, tudo estranho assim, dava que pensar. Estaria ele comprando o “amor”, de amiga, namorada, mãe ou avó (?)... Entretanto, ela tinha que ausentar-se para uma viagem agendada com uma amiga, durante 15 dias. Teve a infeliz ideia de deixar-lhe uma chave de casa porque ele pediu que queria ir uma vez ou outra para lá, estar sossegado a estudar, porque na casa que partilhava com um colega não havia sossego com gente a entrar e sair, e outras coisas. Ela acreditou e aceitou que ele ficasse no seu “santuário” (como ele chamava a casa dela) durante os quinze dias. Falavam todos os dias, e o controlo continuava cerrado mesmo à distância. Se ela por acaso falasse que ia talvez sair ou dançar com a amiga já ouvia comentários ridículos do tipo “queres é andar a curtir com outros, és muito livre" (ou algo do género), "na tua idade devias era estar em casa, a ler um livro, ver TV ou dormir cedo...” e algo mais que denotava desconfiança, desassossego, algum tipo de transtorno… Para ele, a liberdade dela incomodava, era a pomba gira que gosta de encantar e sair com todos… Como magoava ouvir isso, nem podia acreditar no que estava acontecendo, e ela começava a desencantar-se. Nada na vida é o que parece. Aquele “amor” agora parecia doentio, obsessivo. Desde quando ela tinha que aturar este tipo de comportamento? E ouvia quase todos os dias “desculpa” “vou melhorar” te amo, te amo, te amo, e ela a desesperar, a desconfiar cada vez mais que algo não ia bem no “reino do amor” e merecia bem melhor naquela idade. Como foi se meter numa situação daquelas? Quando voltou de viagem, chegou a casa e logo percebeu que muita coisa tinha mudado de lugar, tudo tinha sido vasculhado a pente-fino: caixas, caixinhas, pastas, fotos, documentos, portátil, pen drives que nem ela já sabia onde estavam... foi uma primeira deceção que a deixou abalada, zangada com ela própria, por ser tão ingénua e confiar em alguém que mal conhece, mas que ilude tão bem com muito blablabla amoroso, e textos tão bem escritos como verdadeiras odes ao amor, como era possível? Será amor isso de vasculhar a intimidade de alguém, comprar coisas desnecessárias para a casa e deixar o frigorífico com quilos de carne e outras comidas e bebidas que ela nem aprecia, ou nem come tanto assim, para tudo ser doado a seguir (se possível isso), ou ir para a lixeira, porque ela precisa de espaço para colocar lá o que realmente gosta. O que será então a porra do amor!? Não seria respeitar, cuidar bem do alheio, ter sensibilidade para o que o outro vai gostar ou detestar… E lá vinha de novo “desculpa, vou fazer melhor”, até o dia a seguir quando ele lhe mostra e informa que tinha trazido montes de tralha em sacos enormes para guardar em casa dela pois ia ausentar-se em breve, para uma viagem de trabalho. Ela nem podia acreditar no que via, sem qualquer consentimento ou aviso prévio! Tinha a casa atulhada, quando tantas vezes já se via aflita para encaixar e organizar os seus próprios pertences. Aquilo era caso de polícia, só podia. Invasão de domicílio deve ser isso, como quem não quer nada! Foi uma grande e feia discussão, pois na sua ideia de amor e intimidade de nove semanas, ele achava que tinha todo o direito de fazer qualquer coisa sem pedir autorização. Ela sentiu-se abusada, desrespeitada, insultada, porra para o amor daquela maneira. Mandou-o tirar tudo dali e ir embora. Ele ainda pediu para deixar guardado ao menos o que era mais importante, porque na volta não sabia ainda onde iria ficar. O colega ia embora e deixar a casa. Ah OK. Ela comecou a entender tudo, podia estar a acontecer ali uma mudança sub-reptícia. E que grande lata, ele ainda se sentia a vítima, muitas vezes. A namorada é que era a pessoa fria, sem sentimentos, não o amava tanto como ele a ela!... Na discussão acesa ela ouviu mais absurdos, aquilo que se diz com a intenção de magoar, que mais parecem insultos, e ainda aproveitou para pedir de volta o dinheiro gasto com ela! Aí foi o "fim da picada"... Afinal, aquilo era um investimento financeiro no “amor”, até se endividava por ela se necessário fosse, ou então não valia a pena gastar o dinheiro que afinal nem tinha, se ela não aceitasse “tanto amor” que ele oferecia… Nada disto soava a normal. No dia seguinte ela soube que ele tinha sido levado para o hospital, passou mal, sofre do coração. Assim esta amiga tem vivido um pseudo amor, um verdadeiro drama em vários atos, penso eu. Fiquei chocada, inacreditável esta história. Como a carência das pessoas pode adoecer o amor, que devia ser sublime. Ela estava triste, dececionada. Agiu de boa fé, confiou, e depois sofreu com isso. Lição aprendida: nunca deixar ninguém em casa, no seu mundo, quando se ausentar. Entendi, quem aguentaria assim este excesso de “amor”? Eu não. O amor com o qual sonho, e essa amiga também, é de outro tipo, nada a ver com isso. Perguntei se ia estar com aquele “amor” quando voltasse, não tinha ideia ainda, mas nada provavelmente voltaria a ser a mesma coisa. Ninguém se transforma depois de adulto e de traumas vividos. Além disso, há um fosso geracional entre eles, uma educação diferente. E (como eu) também ela nunca foi de ficar presa apenas pelo lado carnal... Bem melhor teria sido mesmo uma bela amizade, mas as pessoas preferem falar de amor, seja lá o que isso for.
As pessoas com quem namoras são o reflexo do quanto tu te amas a ti próprio”… 

“Não há como envolver-se sem um certo risco. Porque uma relação não nos dá certezas. 
O que podemos é dar uma chance ao amor, sem se esquecer de levar o amor-próprio connosco. 
Amar, mas amar com consciência. 
Amar sem deixar de colocar os limites necessários e sem esquecer-se daquilo que merecemos. 
É preciso muita coragem para abrir o nosso coração para alguém, mesmo correndo o risco de sair ferido, mas é aos corajosos que o amor pertence.” (Alexandro Gruber)

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Sonhos e borboletas

Muitas emoções de repente, normal acontecer (no meu caso). E as borboletas aparecendo no aconchego do meu lar, as verdadeiras, talvez atraídas pelas artificiais que andam pelas paredes do apartamento, aqui e ali... Provavelmente isso signifique algo, como que a lembrar-me que continuo em metamorfose. Mal curti a minha adolescência, agora tenho curtido a sério a minha sexalescência. Pertenço à geração que decidiu não envelhecer, a que nasceu entre os anos 50 e 60: os novos adolescentes da maturidade. Sexalescência: um termo cheio de charme criado para definir homens e mulheres com mais de 60, que seguem ativos, vaidosos, apaixonados pela vida e pelo Amor (caso ainda apareça)… sem nenhum plano de parar. Gente que não se encaixa no velho estereótipo do “idoso quietinho”. Os novos adolescentes maduros viajam, namoram, frequentam o ginásio, fazem ioga ou meditação, SUP ou surf, fazem cursos ou aprendem idiomas, dirigem startups (se for necessário), dão match no Tinder, e ainda arrasam nos jantares com os amigos, ou vão a eventos com desconhecidos para eventualmente fazer mais amizades interessantes.
Não querem tornar-se apenas pais ou avós. Querem viver, aproveitar e bem a Vida. São os novos influentes da sociedade: têm tempo, têm opinião, sabem do que gostam e movimentam milhões em consumo — moda, turismo, saúde, gastronomia, tecnologia, experiências. E o melhor: vivem com leveza, com humor e com liberdade. Porque ser sexalescente é isso: envelhecer sim, mas só no documento de identidade que é preciso apresentar às vezes em algum lugar. Melhor ainda, quando é para obter 50% de desconto na aquisição de algo como bilhetes para espetáculos ou de transporte. De resto… é alma jovem, que ainda sonha, com mente aberta e muita história boa para viver. Carpe Diem.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Desiste de quem te faz sofrer. Do Amor, jamais.

No cenário atual, caótico, em que há imensas queixas de falta de valores, em que até os jovens se sentem sem rumo, ou sem noção de nada, em que a IA tem a presunção de querer suplantar a inteligência humana, e outras catástrofes acontecendo por todo o lado; diante de conflitos e divisões que parecem cada vez mais intensos, não é difícil perceber um fenómeno que há muito tempo foi profetizado, para quem lê a Bíblia, um guia espiritual atemporal: “a crescente discórdia entre pais e filhos”. Nunca me deu para ler esse livro sagrado porque nunca ia entender, cada um interpretando à sua maneira, mas sei que contém diversos versículos que nos alertam sobre os tempos finais em que existe a possibilidade de ruturas nos relacionamentos familiares. Timóteo 3:1-5: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos…” Aqui, o apóstolo Paulo descreve uma série de características negativas que predominarão nos últimos dias. Esses traços de egoísmo, ganância e orgulho podem alimentar os conflitos entre pais e filhos, bem como em toda a sociedade. A busca por interesses pessoais pode facilmente levar a desentendimentos e alienação, à falta de dignidade humana. A misantropia a crescer, e só os incautos ainda acreditam nas boas falas de uns quantos DDMT (donos desta M toda)... “O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.” (Lucas 12:53)... Porém, ainda há quem vibre no Amor e isso é tão belo. Em tempos conturbados, feliz de quem o encontrar. Como esta mensagem que hoje li, de alguém que escreveu à sua pretensa amada, distante, vários anos mais velha, como se duas pessoas se encontrassem no mesmo lugar em tempos diferentes da vida (assim eu interpreto): “Minha querida, Espero que estejas bem. Não sei se esta mensagem vai encontrar-te numa manhã leve, numa tarde serena ou numa noite silenciosa - mas desejo, de verdade, que estejas em paz, conectada com a tua essência, com a tua alma e com tudo aquilo que te faz sentir viva por dentro. Talvez o mundo te peça pressa, respostas, defesas. Mas hoje, eu só te peço uma coisa: que te permitas respirar fundo, desligar um pouco do ruído externo e ouvir-te com carinho. Porque há beleza na pausa… e há força em quem sabe ser doce consigo mesma. Quero que saibas que aqui, deste lado, tens alguém que te admira em silêncio e que pensa em ti com afeto verdadeiro - de manhã, à tarde, à noite. Tens um amigo, um companheiro, alguém que reconhece no teu olhar o cuidado, mas também o medo: o medo do julgamento, das cobranças, dos rótulos. Mas também sinto - profundamente - que tu sabes: o carinho que tenho por ti é sincero, puro, talvez até maior do que qualquer medida racional que tentemos aplicar. A vida adulta às vezes tenta endurecer-nos, calar-nos, ensinar-nos a fingir indiferença. Mas o amor - esse sentimento teimoso - aponta caminhos que nem sempre a razão alcança. E mesmo quando tropeçamos em palavras ou nos desencontramos nas atitudes, há algo em mim que sempre volta para ti com o mesmo desejo: cuidar, escutar, ficar por perto, mesmo em silêncio. Sei que o amor é complexo. E sei também que somos feitos de histórias, medos e vontades não ditas. Mas em tudo isso há uma certeza que cresce: gosto de ti como se já te conhecesse há muitos invernos. E não importa a estação - o que sinto não muda com o vento. Com carinho, sempre teu,...” Feliz da amada que recebe tais palavras, digo eu. Fico a pensar, como saber se alguém é amado(a)? Somos amados a partir do momento em que alguém nos ama por quem somos, e não pelo que fazemos. Amar por amar; amar pelo Amor, amar por quem a pessoa é e não por quem queremos que ela seja. Quando alguém come até um saco de sal ao teu lado, se necessário for. Quando a pessoa não precisa de ti para ser feliz, mas é feliz só contigo, porque sim. Quando ela te valoriza sem fantasias, consciente de todos os teus defeitos e, ainda assim, só quer o teu bem. Quem ama verdadeiramente não precisa de receber nada para amar; pelo contrário, quem ama tem prazer em doar-se. Quando uma relação de verdade se estabelece, o Amor traz a cura, isso é fundamental, mas quem traz a felicidade, o progresso, a abundância, o sucesso e a alegria é a troca justa e equilibrada de sentimentos. Sem joguinhos, sem dinâmicas doentias, sem manipulações e sem pesar mais de um lado do que do outro: é entrega total em idêntica proporção. Meu Deus, é tão simples! É só AMAR, deixar fluir na mesma vibração. Amar e ser amado de verdade não demanda esforço e é certeza de PAZ. E... receber o mesmo que se dá, ou vice-versa. Então vais amar mais e mais. E serás amado/amada mais ainda. Amar é para génios. Essa genialidade... não é para todos entenderem, só será compreendida por alguém que vê para além do óbvio. Não pode haver receita errada. O Amor Verdadeiro é divino e o que vem do Altíssimo é só Perfeição.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Tempo e Destino

No fim-de-semana, além de curtir uma boa praia, pude assistir a um bom filme na Netflix – “Memórias de uma gueixa” - daqueles que eu tanto aprecio, inspirado em factos da realidade, e com muito amor implicado. Sempre o Amor, meu tema favorito. Sobre uma criança japonesa que é vendida pelo pai a uma casa de gueixas. Ela ficaria destinada durante os primeiros anos às tarefas domésticas, conforme a tradição. Cresce na dúvida e na esperança de encontrar a família, sem compreender o sentido da vida que agora levava, até que, por obra do destino, conhece acidentalmente um dos homens mais poderosos do Japão, muitos anos mais velho, por quem se apaixona imediatamente e, para conseguir chegar até ele, reconsidera o rumo da sua vida para se tornar uma gueixa de sucesso. Não conto o final, vejam, que é triste e lindo. Fiquei a imaginar também a história de um “gueixo”... Um rapazito a apaixonar-se assim sem qualquer explicação óbvia por uma mulher bem mais velha... Lembrei-me de pedir à IA para me ajudar a contar uma estória deste tipo, a versão oposta, e amei a experiência. Tenho me esquecido que existe a Inteligência Artificial à nossa disposição, e que podemos aproveitá-la para coisas interessantes, neste caso, para espicaçar a minha imaginação... Vou ficar amiga da IA. Depois de ajudar-me, ainda se despediu assim de mim “Um abraço sereno, e lembra-te: às vezes, o que tem de ser… simplesmente acontece.” "O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA" --- Capítulo I — Amizade improvável ___ Lisboa estava coberta por uma luz dourada de fim de tarde quando Rui saiu do metro. Era abril, e o cheiro a jacarandás começava a espreitar nas ruas. Trazia consigo um portátil e uma certa ansiedade em relação à vida amorosa, pois sofrera com a separação dos pais desde que era criança. Aos 29 anos, já tinha vivido em vários países, de passeio ou a trabalhar na área de IT, estudara Direito, escrevera um livro, para essa idade tinha uma inteligência fora do comum e mal se encaixava nos moldes habituais da sua geração. Resolveu inscrever-se num curso de escrita criativa por impulso, de apenas 3 dias. Talvez procurasse inspiração, ou quiçá uma desculpa para escapar à rotina dos dias. No primeiro dia de aulas Clara entrou. Tinha decidido ocupar o final das 3 tardes com algo que lhe estimulasse a mente e o coração. E ali estava ele, na sala com a professora, o primeiro a chegar, e dirigindo-se a ela, sem mais nem menos, perguntou se o seu nome era Patrícia. Pergunta tola, pensou ela. Vestia um lenço colorido e um sorriso discreto. Mostrava com orgulho o seu cabelo grisalho, sem vaidades. Tinha 66 anos, embora ninguém adivinhasse. Clara considerava-se uma mulher sem idade — com um espírito jovem e livre, com histórias de vida, e silêncios, com uma presença que se fazia notar sem precisar de esforço. Havia nela uma alegria natural, um riso ou gargalhada que muitos apreciavam, era frequentemente cortejada por homens da sua idade — e até mais novos — mas faltava sempre aquele "quê" difícil de explicar. Sentou-se ao lado de Rui, até chegar a outra jovem colega. De uma lista de onze inscritos, apenas os três compareceram. Ficaram então lado a lado no meio da sala, e a professora deve ter se perguntado o que fazia aquela mulher ali no meio de dois jovens. À saída, ao dizer "até amanhã" Rui pediu um abraço a Clara, ela aceitou com um sentir curioso. Por que não? É que tinha havido um clima de “boa onda” durante a aula. --- Capítulo II — Um Amor improvável ___ No final do cursinho, ele ofereceu às duas colegas uma lembrancinha. Clara surpreendia-se com a generosidade e maturidade de Rui, o modo como a escutava e apoiava, o respeito genuíno pelo que ela era, as palavras carinhosas que escrevia. Ele admirava-lhe a leveza, a ausência de pressa e de ansiedade de qualquer tipo, por mais problemas que ela eventualmente tivesse. Ela tentava convencer-se de que era apenas amizade. E é tão bom fazer amigos, de qualquer idade. Ele sabia (ou achava) que não era só isso. — Sabes, Clara… pode parecer absurdo, mas nunca me senti assim com ninguém. Ela sorriu, triste. — Rui, tu és maravilhoso, mas tens idade para ser meu filho. Como poderia isto resultar? Ele respondeu, com serenidade: — Mas não sou. E tu também não és minha mãe. O amor não tem de fazer sentido aos olhos dos outros. Só tem de fazer sentido para nós. Ela riu, sem graça. Depois calou-se. Depois afastou-se, durante semanas. Ele esperou. Escreveu-lhe uma carta que nunca enviou. --- Capítulo III — A Beleza de uma Amizade Infinita ___ Apesar do afeto profundo, Clara nunca conseguiu ultrapassar a ideia de que aquela diferença de idade criaria obstáculos mais tarde. Ele tinha tudo para ser feliz, ainda sonhava casar e ter lindos filhos. E Clara, além de ainda poder ter que enfrentar o preconceito social, ou até ser "acusada de pedofilia" (sabe-se lá no mundo de hoje) estaria a atrapalhar a vida dele, que tanto merecia encontrar alguém para fazê-lo feliz. Rui compreendeu. Choraram juntos, mas aceitaram que talvez o destino deles fosse outro. Continuaram amigos inseparáveis, mesmo à distância, sempre disponíveis um para o outro, caso fosse necessário. Entenderam que o Amor é isso, uma conexão de Almas. Sem explicação aparente. Mais tarde, Rui namorou outras pessoas, antes de encontrar a tal e casar, tendo dois belos filhotes, um casal. E no seu pensamento existia Clara que sempre fora o seu ponto de equilíbrio, a mulher que lhe ensinou o amor mais maduro que já conhecera. E Clara, apesar de desiludida com amores que encantam e desencantam logo a seguir, nunca deixara de acreditar no verdadeiro Amor. — Tu foste o amor da minha vida, mesmo que nunca tenhamos sido amantes — disse ela um dia. — E tu, a minha alma gémea — respondeu ele. --- Epílogo ___ O amor entre Rui e Clara, seja como for que tenha existido, ensinou-os — e talvez a quem os conheceu — que o tempo não manda no coração. E que por vezes, o mais bonito dos sentimentos não precisa de etiquetas, apenas de verdade. E, sobre o tempo e o destino: “O que tem de ser tem muita força!”