quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Era uma vez...

Uma gata maltesa, oh não... uma vida...
 ... uma menina que mal se lembra da sua infância, mas deve ter sido tranquila (imagina); quase nenhuma foto tem para recordá-la, e hoje em dia é tudo tão diferente que até se sente uma dinossaura!
Agora é tanta foto, é filmes, e o vício de navegar na internet logo desde criança, usar as redes sociais, se os pais deixarem, claro. Antigamente era mais o jogo da cabra-cega, saltar à corda ou jogar à macaca, ler os livrinhos do Pato Donald ou Tio Patinhas, os da Anita, fazer palavras cruzadas ou aquele jogo do “stop”, em que se tinha de preencher uma folha com nomes de pessoas/países/animais/objetos/frutas/cores/marcas de carros…o primeiro a terminar dizia “stop” e fazia-se a pontuação. Ela adorava jogar ao stop, e mais tarde era o vício das palavras cruzadas ou de jogar scrabble. Exercitava-se o corpo, a memória, a criatividade.

"Stop"
Hoje conclui que andar à volta das palavras foi sempre a sua preferência. As mesmas palavras que ainda a provocam e a fazem digitar (coisa moderna) sobre qualquer tema que lhe agrade. Atualmente, com quase seis décadas em cima dá-lhe para querer ‘recuperar’ memórias (que fugiram), tentando descortinar o que ficou para trás ou o que foi acontecendo ao longo do tempo até chegar ao presente momento. Essas divagações ocupam-lhe a mente, dão-lhe gozo, e o seu único objetivo é fazer anotações, relacionar factos e chegar a conclusões, entender por que se diz que “nada acontece por acaso” (ou “estava escrito”).

Jogo da macaca
Ainda falando de coisas do passado, lembra-se do que o pai contava da juventude dele. Por exemplo, os seus brinquedos de criança eram carrinhos feitos com caixas de sapatos; mais tarde, já adulto, gostava de andar à noite pelo bairro onde morava enrolado num lençol branco e divertia-se a assustar as pessoas. Ela fica a imaginar a reação delas ao virar de uma esquina e deparar com um fantasma daquele tamanho! “Pobretes, mas alegretes”, eram assim as pessoas antigamente. Como não tinham nada, de nada sentiam falta. Que diferença para hoje em dia: tem-se tudo e espera-se sempre mais; e anda tudo frustrado, com ou sem dinheiro. Há muita gente que parece (ou é) aparvalhada; drogas sedativo-hipnóticas e ansiolíticas vendem-se mais do que nunca, sendo legais! Até dá dó, que stress! Mais valia fumarem umas ganzas, para quem gostar. É que naquele tempo não havia a sádica TV mostrando o horror e a tragédia, todos os dias e em todo o lado.

Então, prosseguindo, essa menina cresceu numa espécie de redoma, pois o mundo lá fora era uma coisa má, perigosa, era preciso ter muito cuidado. E foi crescendo, tímida, ‘parolinha’; nunca passou pela sua cabecinha achar-se bonita ou feia, nem sabia como falar ou onde colocar as mãos quando combinava um encontro com alguém... Consegue lembrar-se do primeiro namorico, com um rapaz alguns anos mais velho, conheceu-o nas matinés de domingo, ele era o ‘lanterninha’, aquele que mostrava o lugar às pessoas que iam chegando ao cinema. Começava a película e logo a seguir ele sentava-se ao lado dela, e então era “o filme” deles… Quando os pais (mais a mãe…) souberam, apesar de contrariada (a mãe), achou melhor dar autorização para ele vir ‘namorá-la’ em casa, sentados no sofá rodeados dos irmãos. Já nem se lembra do que falavam, ou se falavam. Não durou muito a história de nAMORico,  pois havia críticas contínuas de que ele era baixote, ou seja, era mais baixo do que ela. E assim terminaram as matinés, e a troca de ‘amassos e beijinhos’ no escurinho do cinema…
A vidinha continuava. De repente, a Revolução. A Liberdade. (O que é isso?). O regresso à Metrópole. (O que é isso, onde fica?). Vida a recomeçar do zero. Não foi fácil, mas o tempo sara tudo. Termina os estudos no liceu com poucas mas boas amizades, que perduram até hoje. Às vezes era necessário mentir em casa, para poder sair, ou nunca poderia relacionar-se com as pessoas que um dia viriam a ser as suas amigas.
Já nos seus 18 anos (e sem saber se era linda ou não), parece que lhe era difícil namorar, ou sentir-se atraída por alguém. Nos tempos modernos, ainda frequentam o infantário e já perguntam às criancinhas se têm namorado – que horror.
Ela era mais do estilo de sentir amor platónico, de ficar a sonhar com algum rapaz bonitinho, mas que “não era para o seu bico”, normalmente atleta. Sempre viveu em ambiente desportivo, o pai tinha sido jogador de básquete num clube importante, para onde voltou passados muitos anos, para ser funcionário; era ele que fornecia o equipamento aos atletas, sempre que iam jogar. E lá tinha que ser um jogador a ‘roubá-la’ do seio familiar. Tudo foi acontecendo assim como que ‘de repente’ na sua vida. Saiu de casa à revelia; aquela não era uma família normal, não se falava, concordava ou discordava. Melhor “bazar”…talvez naquele tempo seria essa a mentalidade, e cada um passa aos seus o que sabe e o que pode, a mais nada sendo obrigado. O lema dos pais era “enquanto estás debaixo do meu teto, sou eu que mando”… e ela se mandou…para outras paragens, a milhas de distância!
A partir daí, era o mundo todo à sua frente e já não precisava esconder-se dele. Passou a ser proibido proibir. Agora era ‘livre’, sem sequer pensar no assunto, fosse lá o que isso fosse… E lá foi se amanhando, muita coisa era surpresa, coisas boas, outras más, novas amizades, e agora entende que é assim que se faz uma vida, "acontecendo"...
O seu primeiro relacionamento durou quase sete anos, e desistiu. Sem saber como, era forte para tomar decisões, nem que fosse à custa de muitas lágrimas. Inconscientemente, sabia que merecia (o) melhor, não lhe servia qualquer coisa. Continuou só durante anos, mais tarde voltando a casar e a desistir. Entretanto (no tempo das vacas gordas) teve uma oferta para trabalhar numa boa empresa, onde esteve mais de uma década e onde teve oportunidade de fazer novas e boas amizades. A seguir veio o desemprego, e as gordas nunca mais voltaram. Para sua felicidade, as amizades permaneceram. 
Perto dos 48 anos terminou um curso superior, aproveitando o tempo livre.
Nunca lhe faltaram amores, paixões, tesões, mas não se sentia tratada e amada como merecia, e isso a frustrava. Houve quem a desiludisse bastante, mas a vida sempre nos compensa de alguma maneira, felizmente. Uns roubam, outros dão-nos. 
‘De ramo em ramo’, balançando mas sem cair, o carrossel da VIDA continua a girar e é “gritar” ou “relaxar e gozá-la”. Não pode queixar-se, há vidas bem piores. E tudo serve para aprender e evoluir. A vida foi lhe ensinando a dizer adeus às pessoas que ama, sem as tirar do seu coração. Não se arrepende de nada. Sem saber e sem notar, estava desse modo desenvolvendo a autoestima, rumo à maturidade.
Muitos anos passados, praticamente a outonear, nunca reprimiu a criança interior que habita nela. Sente que é uma pessoa que vive com a leveza de uma criança e, simultaneamente, com responsabilidades de adulta. Ri-se de si própria e dos dramas que já vivenciou, do ridículo das situações, enfim: VIVE! Tem pena de quem só existe. Mas aprendeu também que só se pode ajudar a quem nos pede ajuda, não vale a pena sofrer pelos outros, é sofrimento inútil.

Era uma vez… uma mulher/menina que continua a sentir-se amada, desejada, mas agora “na paz”. A época dos impulsos arrebatadores parece terminada. Acredita que a vida é apenas o AGORA; o passado já era, mas às vezes é preciso reportarmo-nos a ele para se compreender o presente e projetar o futuro…e este, é o momento seguinte! Pensa que…talvez continue sendo aquela de sempre: adora a magia dos momentos de sedução. O resto dá muito trabalho, e mágoas!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A gringa sem sol

Ir à terra natal não a encanta. Não há nada aí que lhe provoque alegria, bem pelo contrário, às vezes. Certas ruas e locais fazem-na recordar coisas tristes. A oportunidade de poder ver algum familiar ou alguns amigos, isso sim, vale a pena. Calcorreia praticamente todo o centro da cidade a ver o que há de novidades, muitos turistas como sempre, em fim de verão, ou desde que a cidade se tornou património mundial.

Para seu desconsolo, no primeiro dia (domingo) em que decidiu ir passear, a tarde ficou cinzenta, e depois começou a chover, aquela chuva miudinha que parece insignificante, mas que molha e a roupa molhada faz ficar com frio. 
Fim do passeio num instante. Melhor voltar para um lugar acolhedor, ou para casa. Ainda assistiu ao final de um desfile de motas e motociclos antigos na grande avenida.
Enquanto esperava um familiar que ia passar pela baixa e poderia levá-la para casa, abrigou-se sob o alpendre de uma grande loja. De repente ouviu alguém ao lado dizer “de passagem pelo Porto?” ela olhou e disse de imediato “sim...” e ficou a olhar, se o rapaz a conhecia e ela nem sabia quem era… ele continuou “french or english?” então percebeu… lá estava ela a ser confundida com uma gringa… como sempre… até na sua terra natal! E respondeu “do Porto mesmo!”….e riram-se!



Era uma vez...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sexualidades

Sonho sexualizado

De repente, ela acordou de um sonho e, perplexa, ficou a pensar que tinha sonhado com algo que não costuma corresponder à sua realidade. Estava algures desfrutando de um momento carinhoso, erótico mesmo, com outra moça, bem mais jovem. Trocavam beijos quentes, mordiscadelas e afins, sentadas uma atrás da outra, encaixadas, talvez fosse à beira-mar. A moça mais jovem era muito linda.
Por que se sonha com algo que “não tem nada a ver”?! Comentava ela com uma amiga que a visitava. Nunca passou pela sua cabeça ter um relacionamento amoroso ou sexual com outro ser do mesmo género, apesar de não ter qualquer tipo de preconceito. Aliás, até achava mais excitante dessa forma do que entre dois seres masculinos. Vai lá saber por quê! 
Curiosamente (na vida real), nesse mesmo dia, mais tarde, descendo no elevador deparou com uma menina aparentando ter uns 15 anitos e era linda, toda perfeita, olhos verdes, boca sensual, um corpo a insinuar-se num conjunto de top e calção curtinho. Podia ser esta a menina do meu sonho, pensou ela.
(...)
Ao ouvir esta história sonhada, lembrei-me de algo que li um dia sobre sexualidades.
Numa explicação breve, a autora do texto – claro, só podia ser brasileira, pois no Brasil é que há os nomes adequados para tudo, praticamente - “ensinava” que neste mundão em que vivemos há 3 tipos de pessoas:

1. As alossexuais: aquelas que sentem atração sexual por outras pessoas. Elas olham para alguém > acham a pessoa atraente > ficariam com essa pessoa.

2. As demissexuais: aquelas que só sentem atração sexual por outras pessoas caso tenham algum tipo de ligação emocional / psicológica / intelectual.

- Cenário a) Ela olha uma pessoa > não sente nada. Pode ficar com essa pessoa? Pode, mas não sentirá nada, nem isso lhe dará prazer algum. Há quem se esforce e curta mesmo assim. Porém, a experiência poderá ser tanto indiferente como incómoda, do tipo de a pessoa esforçar-se e no final sentir-se como um pedaço de carne “abatido”.

- Cenário b) Uma pessoa olha para outra > conhece essa pessoa > as duas conversam > elas criam uma ligação (afeto) > essa pessoa passa a ser atraente para o demissexual.

3. As assexuais: aquelas que não sentem atração sexual de forma nenhuma! Até poderão apaixonar-se, mas jamais sentirão atração por alguém.

E…imagino quantas mais palavras haverá para definir algo nesta área, neste mundo cada vez mais (a)variado... Ainda há o poliamor, do qual me apetecerá falar, ou escrever um dia… 
Desta forma eu, demissexual assumida, vou adicionando novas palavras ao meu dicionário, ainda mais agora que se discutem coisas nunca antes vistas (pelos vistos), como a “identidade de género”…


(vivendo e aprendendo, sempre!)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Não me apetece nada


Ao mesmo tempo que abro o meu blogue e quero pensar no próximo tema, e escrever o que me passa pela cabeça, “não me apetece” fazer nada, nem pensar em nada. Este pensamento contraditório é irónico e, simultaneamente, o texto vai crescendo quase sem eu dar por isso.
Todos os dias temos as nossas rotinas e há dias mais rotineiros do que outros, isto é, fazemos tudo automaticamente, quase sem ter de pensar no que fazemos. Por exemplo, o ato de vestirmo-nos... O ato de entrar para o carro e conduzir... Nos primeiros meses de condução (maçaricos ainda) tudo mete medo e nos preparamos muito bem, abanando o manípulo das mudanças, ajeitando o banco e ajustando o espelho retrovisor, antes de ligar a ignição. Depois desta rotina praticada umas “150 vezes” já quase entramos no carro de olhos fechados e pomo-lo a funcionar. Convém depois é abrir os olhos… especialmente quase ao chegar às passadeiras.
Aliás, aproveitando o “correr da pena”, nesta terra acontece algo raro: os carros esperam minutos antes mesmo de verem os peões a querer atravessar. Como pedestre (ou peona) reparo nisso e acho graça – dá até vontade de desfilar - mesmo assim, fico atenta e deixo-os passar antes de mim, se quiserem. Tenho tempo. Mas não querem. 
Como condutora, às vezes quase atropelo alguém, pois não estou acostumada e parece que eles aqui (os peões) se sentem donos e senhores, os “number one”, e praticamente exigem que o condutor adivinhe que vão atravessar, e reclamam quando quase passo por cima. Eu hein?!

Bem, sempre aprendendo novas “culturas”, pedestres e outras… acho que o que posso retirar de tudo isto é que, apetecendo ou não, com mais ou menos preguiça, as coisas vão acontecendo e vão-se fazendo… tudo num piscar de olhos. E não me apetece escrever mais…

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Coisas caricatas e aceboladas

Há uma coisa que me tira do sério e até costumo entrar em discussão (e reviro os olhos) por causa disso: por que raio as pessoas não usam uma cebola inteira ao cozinhar, e depois a outra metade tem que andar na geladeira a dar ‘cheirinho’, servindo ainda como um potencial íman para as bactérias, segundo dizem…(?) 

Se eu gosto de cebola (e de alho) - e sei que é tão boa para a saúde, repleta de diversos agentes anticancerígenos, poderoso antioxidante que protege o nosso organismo de doenças e do envelhecimento precoce - por que não hei-de usá-la logo toda, na sopa, no refogado, em qualquer tipo de cozinhado…
Serei eu a maníaca? As pessoas têm dificuldade em entender o meu ponto de vista e riem-se, mas sou assim. Riam à vontade, mas quando algo faz sentido para mim, não há quem me demova das ideias enraizadas! (algumas amigas que me leiam se lembrarão bem do que falo ahaha)

Porém… o que é essa ninharia (e outras) comparando com o mundo caótico em que se vive, pronto a explodir em qualquer momento, havendo loucos a governá-lo; relações familiares disfuncionais; crianças que desaparecem; a fome de alguns povos contrastando com as grandes riquezas; incêndios (neste país) que anualmente vão matando pessoas, e a esperança de quem deseja um mundo melhor para os seus filhos e netos. Difícil de entender estes atos assassinos, entre outros divulgados diariamente na imprensa….

E penso: feliz de quem consegue alhear-se de tudo isso. De quem conseguir ir ao baú da paz interior e retirar ‘meio quilo’ dela…juntar-lhe um mar ou rio tranquilo, com ou sem pôr do sol maravilhoso, ou uma planície verdejante, uma sombra e um banco para descansar. Atirar para a água o stress dos dias loucos, na areia enterrar as preocupações e os contratempos, nas nuvens cinzentas do céu esconder as tristezas… fechar os olhos e respirar fundo, sentir o cheiro a mar ou a verde, e quando for abri-los acontecer algo mágico: um sentimento benéfico de PAZ!

Façam o favor de ser felizes, espalhem magia, e curtam a cebola INTEIRA! 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A roda da vida

Outono da vida chegando?

Ufff está acabando a época estival. Começo a mudar de ideias, que as minhas estações preferidas serão a primavera e o outono, que está quase, já entra este mês. Posso dizer que sobrevivi ao verão, que canseira! Sem lugar para estacionar a viatura durante dois meses, em especial quando se vai às compras e é preciso carregar sacos para casa… Fim do stress.

O Outono chegou, viva! Vamos comemorar (e bebemorar, claro) a chegada da estação das folhas secas, que se desprendem das árvores e caem na terra, as cores pastel extravasando a moldura do nosso olhar. Será tempo de recato, de alguma nostalgia reflexiva, mas também de serenidade. Eventualmente recomeçam as questões existenciais da vida, por que estou aqui, a que vim, para onde vou, será que construí algo de jeito, deixarei um dia boas lembranças para quem cruzou o meu caminho?
Tempo de redefinir o sentido da vida, redescobrir e moldar o nosso «eu», rechear a vida de novos sentidos. Tempo de colheita e de alegria, de olhar para trás e ver quanta coisa boa já se fez…
A busca de sentido é que preenche o caminho que liga do nascimento à morte, num percurso mais ou menos longo, mas ao qual nenhum de nós consegue fugir.
Tenho boas amigas que já completaram os 60 anos de idade, eu estou a caminho, já faltou mais. Será que é nesta faixa etária que começa o 'outono da vida'? Então, melhor começar a gostar mesmo desse outono. Não ando nem um pouco preocupada com a idade, só se sente 'velho' quem quer… E eu quero é acordar todos os dias com objetivos, por mais simples que sejam, substituir lembranças pelo futuro - que é hoje / este momento - fragilidade por força, solidão por circulo de amizades!

Por vezes sinto-me estranha. Não por viver qualquer crise de identidade, ou por algum acontecimento com poder de despersonalização. Simplesmente começo a sentir-me cansada, de (não raras vezes) falar para pessoas que não entendem a mesma linguagem que eu. Ou seja, encontram-se em planos vibratórios diferentes do meu, e tenho que ter muita paciência. E são pessoas queridas para mim. Dou comigo a fugir, a procurar o silêncio, o momento em que mesmo que o pensamento voe à velocidade da luz estou a sós comigo e «curto» o meu SENTIR.

Será que (sem querer, e sem senti-lo) já entrei no outono da vida estando a refletir nestas coisas? Talvez, mas também porque é a vida… no outono. Tempo de nos afogarmos no sofá, de nos cobrirmos com uma manta de lã e nos deixarmos embalar pelo crepitar de uma fogueira, entregando-nos ao conforto de uma vida saboreada. 
Só por que estamos bem. Porque sim.

"Com 1 ano sucesso é conseguir andar.
Aos 3 anos sucesso é não fazer xixi nas calças.
Aos 12 anos sucesso é ter amigos.
Aos 18 anos sucesso é ter carta de condução.
Aos 20 anos sucesso é fazer sexo.
Aos 35 anos sucesso é ter dinheiro.
Aos 50 anos sucesso é ter dinheiro.
Aos 60 anos sucesso é fazer sexo.
Aos 70 anos sucesso é ter carta de condução.
Aos 75 anos sucesso é ter amigos.
Aos 80 anos sucesso é não fazer xixi nas calças.
Aos 90 anos sucesso é conseguir andar".


Assim é a vida. Não levamos nada dela.
Então... para quê perder tempo a pensar em coisas negativas e outras sem sentido?

Todos terão o mesmo destino, independentemente da condição financeira e da classe social.
Portanto, vamos amar mais, brincar mais, perdoar mais, e aproveitar mais a vida!
Sucesso É Ser Feliz!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

SOLidão

Muita tinta corre sobre a dor da solidão. 
Porém, dependendo de como a encararmos, a solidão pode ser um bem, ou um mal.
Quando nos cansamos da raça (des)humana, não há nada como estar só. E hoje, melhor do que nunca, até entendo quem ande tão virado para os bichinhos e faça deles a sua família!

Muitas pessoas evitam ficar muito tempo sozinhas, por medo da solidão, quantas vezes se sujeitando a humilhações, se necessário for... 
A solidão está associada a sentimentos negativos, como insegurança, baixa autoestima e falta de esperança. E não se cura com o amor dos outros. Cura-se com amor próprio. 
E agora dar a entender isso a quem padece desse mal, que a solidão é um estado de espírito? 

Estar sozinho pode ser uma experiência muito boa! Na sozinhez (a solidão boa) temos a oportunidade de parar e refletir na vida, e assim escolher o melhor caminho a seguir (para cada um). 

Nunca tivemos tanta forma de comunicar, no entanto, nunca a solidão gritou tão alto, quer em jovens quer em idades avançadas. O que fazer? Fico impotente perante alguém que padece deste mal... quem me dera todo mundo pudesse entender que estar só pode ser bom... tanta gente que prefere estar mal acompanhada!
https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=OpSTmf4vbSo
TORNE-SE UM
Primeiro fique sozinho.
Primeiro comece a divertir-se sozinho.
Primeiro amar a si mesmo.
Primeiro ser tão autenticamente feliz, que se ninguém vem, não importa; você está cheio, transbordando.
Se ninguém bate à sua porta, está tudo bem – Você não está em falta.
Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.
Você está em casa.
Se alguém vier, bom, belo.
Se ninguém vier, também é bom e belo.
Em seguida, você pode passar para um relacionamento.
Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.
Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.
E a pessoa que viveu em sua solidão será sempre atraído para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente, porque o mesmo atrai o mesmo.
Quando dois mestres se encontram – mestres do seu ser, de sua solidão – felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.
Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.
E eles não exploram um ao outro, eles compartilham.
Eles não utilizam o outro.
Em vez disso, pelo contrário, ambos tornam-se UM e desfrutam da existência que os rodeia.
Osho

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ode ao Gato

Eu e meu gato (que não tenho)
Com a loucura que agora há pelos bichinhos, e como já dizia Alexandre Herculano “quanto mais conheço a raça humana, mais estimo os animais”… lembrei-me da fofura dos gatos, aos quais não resisto quando passo por eles na rua, falo que nem uma tonta com aquela vozinha de quem fala com bebés… e levaria para casa, se pudesse! é que um miau massageia a alma! Podia ter um ou uma companhia (fe)lina, sim podia, mas nada mais seria a mesma coisa, lá se ia a minha liberdade, que prezo muito. Porque isto de ter um bichinho de estimação tem muito que se lhe diga… não é só trazer para casa, pôr no colo, trocar ‘rom-rons’ e miminhos, e o resto? Ah pois é!
E sendo o gato um ser essencialmente livre, não será possível possui-lo, então melhor optar por sermos parceiros…já me imagino com ele (ou ela, outra gata) a trocar arranhadelas, a espreguiçar-nos juntos logo pela manhã, e sem sair da cama durante horas, em papo furado…
https://www.youtube.com/watch?v=mqe48UIdZsQ

 Ode ao Gato
Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino. 

José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos" 

Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos.

E eu diria diferente “Quanto mais conheço o ser humano, menos tenho vontade de ser altruísta”… mas há sempre as exceções, o que me deixa mais feliz! 
Miauuuuuu

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Pensamento(s)

Somos o que comemos e o que pensamos
Em que pensas? (pergunta diariamente o facebokas) e dou comigo a refletir sobre essa questão… Há coisas que nos deixam tristes, se nos pusermos a pensar nelas. E daí comecei a cogitar… logo na escola primária deveriam incluir uma nova disciplina “aprender a pensar” (além da de nutrição), ou seja: aprender como exercer algum controlo sobre o que pensamos. Isso significa estarmos suficientemente conscientes para escolher no que prestar atenção e escolher como construir conhecimento a partir da experiência, pois se não conseguirmos exercer esse tipo de escolha, a vida vai passando (correndo) e cada vez será mais complicado.
Controlar os pensamentos, além de necessário, é fundamental para ter-se uma boa qualidade de vida.
Claro que isso não é nada fácil, longe disso. A maioria das pessoas, em algum momento das suas vidas diárias, passam por sentimentos de ódio, de raiva, de frustração, de culpa, etc. e cabe simplesmente a cada um de nós saber controlar esses pensamentos.

Dá muita tristeza ver pessoas que, aparentemente, tendo tudo para viver uma vida tranquila, são criaturas sem paz, ansiosas, sempre vendo o lado negativo das coisas, criando um inferninho constante em seu redor e (inconscientemente) gostariam de empurrar os outros para lá também. E só fazem é afastar, pois tornam-se ‘pesadas’, dificilmente criarão amizades; e depois queixam-se de solidão, claro, o que torna tudo pior.
E o que podemos fazer? Nada! Pessoas desequilibradas emocionalmente nem se dão conta do seu estado e não estão dispostas a ouvir dos familiares ou pessoas amigas o que há para dizer. Elas mesmo têm que decidir tratar-se e, se tiverem possibilidades, talvez prefiram pagar workshops, ir a consultas em clínicas da mente, fazer regressão a vidas passadas ou hipnose, reiki’s, meditação… agora há uma infinidade de técnicas e/ou modernices com o intuito de curar a mente, tudo caríssimo e ainda com lista de espera! Falta saber se realmente funcionam, se a pessoa volta curada ao fim de um ano, o tempo de tratamento normalmente necessário, dizem.
Acredito que seja muito difícil curar sofrimento entranhado desde a nascença (normalmente, desde o ventre da progenitora) que deixa traumas e origina patologias psíquicas, como: fobias, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, transtornos de pânico, etc.

É incrível como os nossos pensamentos nos influenciam e nos definem mais do que qualquer coisa na nossa vida e, portanto, são diretamente responsáveis pela nossa felicidade / tranquilidade / alegria. Temos sempre tendência a pensar que, se tivéssemos mais recursos - por exemplo: dinheiro, tempo... - todos os nossos problemas estariam resolvidos, chegando assim a tão almejada felicidade. Por que então existem tantas pessoas que, apesar de possuírem diversas riquezas materiais, ainda assim são infelizes? E por que existem pessoas que, apesar de quase não possuírem recursos, ainda assim vivem as suas vidas com alegria e felicidade? Pois… falta aquela sensação de estar bem consigo mesmo e com o mundo.

Temos nos habituado a ouvir a expressão “somos o que comemos”, porque a comida é uma
das necessidades mais básicas do ser humano, além de muito importante no fator saúde e doença. Contudo, creio que seremos igualmente o que pensamos, por isso vale a pena manter os bons pensamentos.

Se estou com raiva, por que estou a senti-la? Como me sentiria no lugar da outra pessoa? Essa culpa é minha mesmo ou alguém está a atribuí-la a mim e eu estou a deixar?
Isso é realmente tão importante assim para eu entrar em stress?
Buscar a raiz das nossas emoções pode ser um bom começo para levar-nos a refletir sobre elas e sobre o quanto estamos a deixar-nos ser levados, porque: ou controlamos as nossas emoções ou elas é que nos vão controlar! Como quase tudo na vida, essa deve ser uma batalha diária, que tentaremos vencer pouco a pouco, dia a dia, com a certeza de que a cada passo estamos mais próximos dos nossos objetivos.
Tanta gente que sofre e se ilude porque antes de tudo não se amou primeiro. Porque viveu uma vida inteira atrás de máscaras, enganando-se a si próprio/a e enganando os outros, e quando chegam à idade da velhice nada mais há a fazer, vivem de amargura e solidão; o tempo passou e é irreversível! Pode parecer que amar-se a si próprio seja vaidade ou puro egoísmo, eu penso que se trata mais de sanidade…
Acredito que Universo = Perfeição. Apesar de alguns desequilíbrios ambientais, calor demais, frio demais…o tempo sempre nos afeta, não é verdade? (tinha que dizer isso, apenas um aparte lol). Porém,nada como sentirmo-nos com saúde mental e física, e aceitar que tudo acontece por alguma razão (que o coração desconhece). Até por algum motivo nascemos e estamos aqui…Não deixemos ninguém pisotear nos nossos sentimentos, na nossa moral e na nossa personalidade. Sigamos em frente, sejamos felizes com nós mesmos/as, sem cerimónias, sem pudores e sem preconceitos!

Hoje em dia é muito difícil – ou uma sorte – contar com os outros, muitas vezes até com os da própria família! Há muita gente  sem opinião própria e que se limita a repetir o dia-a-dia aceitando tudo, ou a imitar o comportamento dos demais. Nada de grandes pensamentos, de grandes filosofias. Ficam-se com as vedetas, o futebol, as telenovelas, as revistas cor-de-rosa, com os sorrisos e as caras idiotas da TV. Tudo a pastar, é o que parece às vezes.
Outros fazem da vida uma corrida, em que se atropelam uns aos outros em busca do emprego, do dinheiro, do poder, da carreira. Por isso é que há cada vez mais solidão e doenças mentais. E mais medo. O importante é parecer bem. E aceitar a máquina que nos governa... E assim caminha a mediocridade, e é assim que nos querem, cordeirinhos. Que não usemos a nossa alma = essência. Que não usemos a nossa inteligência. Zombies, é o que parece muita gente.

Tudo pode mudar quando descobrimos (ou pensamos) que é possível ser feliz sozinho/a. E se chegar alguém à nossa vida, que seja para nos transbordar, não apenas completar...


Aceitares-te como és é meio caminho andado para que a realidade não derrote a tua autoestima!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Dias de verão

Parecia que morar em zona balnear era bom, mas nem tudo o que parece é! Pode até ser, mas durante 10 meses do ano. Agora sei por que os locais se piram para longe quando chega esta época. Já não sei o que é estacionar no condomínio desde julho, desisti de tentar, ficando a viatura aprox. a 1km de ondo moro. Aproveitando essa lonjura, acabo por ir a pé para o trabalho, e posso chamar a isso um pequeno luxo hoje em dia. 
Bem podia ser o meu, pois isto aconteceu-me!
Tantos carros bons e empoeirados aparcados dias e dias no mesmo lugar, parece que já conhecem o “tormento” e durante o período de férias nem vão passear só para não perderem a vaga, preferindo ficar pela zona ou a descansar em ‘casa’ (ou no apertamento alugado) na maior parte do tempo. Outros estacionam de qualquer maneira, salve-se quem puder. Desisti. 


Festival da sardinha - no prato ou no pão, ela é rainha em Portimão

Gosto de sardinha, quando é fresquinha e saborosa, apesar de ter muita preocupação com as espinhas. Decidi ir cedo a um restaurante típico e conhecido na zona ribeirinha e que fica perto do palco onde artistas atuam à noite, antes que começasse a formar-se a fila (bicha) do costume nesta época. Detesto ter que esperar em filas para comer, com tanto restaurante em volta, haja pachorra. Para uma pessoa só torna-se fácil conseguir uma mesita ao lado de outras com grandes famílias em volta, ou apenas casais, pelo menos àquela hora que cheguei. Era ver um corre-corre danado dos empregados para satisfazer tanta gente ansiosa por sardinhas, ou por outro qualquer peixinho fresco. Era engraçado ler nas T-shirts deles “se não gostar não pague, e… dê porrada no empregado”. Ahaha alguém ainda pode cair na tentação de não gostar, cuidado. Pedi para tirar uma foto, achei piada. Estava a ver que a TVI me vinha entrevistar outra vez, como aconteceu há poucos anos atrás, nas Fontainhas do Porto. Desta vez escapei. Mas não me importaria, e não deixaria de falar no meu rico São João, que agora estava a comer as que não comi em junho…

Depois era o concerto da Aurea, que atrasou uns 20m e eu já estava cansada de esperar. Gosto desta artista portuguesa, que devia cantar em Português também (carago)! Disse ela quando já devia ir na quarta canção “esta música a seguir fala da primeira vez que me apaixonei” e depois cantou-a em inglês… eu hein…entre as centenas/milhar(es) de pessoas ali presentes, quantas terão entendido a letra?! Eu, com o som demasiado alto e o barulho, quase nada!

Enfim, coisas de verão, em que vale tudo. Agora até homem com homem e mulher com mulher, ao contrário do que Tim Maia cantava :-)  Carpe diem!