quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Agora sobre o desamor

Já passaram os dias alusivos ao amor (ou aos namorados), podemos começar então a falar do desamor que, esse sim, mata! (não é o amor que mata). Analisando bem as coisas, as pessoas não sofrem por amor, sofrem por falta dele. E quem sente essa falta desde a nascença ou a infância, o caso torna-se ainda mais grave.
“A falta de amor é a pior de todas as pobrezas” (Madre Teresa de Calcutá)
Conheço uma Pessoa que várias vezes lamenta o facto de ter nascido, e é muito triste ter que ouvi-la a repetir a sua história. Nitidamente é de uma carência que fica difícil de colmatar. Quando despoletava a segunda guerra mundial, nasceu do segundo casamento da mãe viúva já com netos, tornando-se o patinho feio maltratado por todos, pelos "filhos da mãe", como ela diz. Sem esquecer que, devido a uma doença contraída pouco depois de ter nascido, quase foi enterrada, mas conseguiu ser salva quando o pai decidiu apalpar-lhe o pulso e reparou que ainda estava viva. 
Péssimas recordações da extrema pobreza em tempo de guerra e de ter vivido ao deus-dará, pois os pais iam diariamente à sua vida para ganhar uns tostões, e ela ficava pela rua à mercê de tudo e todos. "Felizmente não dei em prostituta", comenta ela". Sem saber como, ainda conseguiu estudar até à quarta classe, mas foi retirada da escola logo a seguir, para servir de criada na casa dos filhos da mãe.
Agora, já quase nos seus oitenta anos, exausta com a vida que lhe calhou, às vezes pergunta “por que tinha eu de viver, por que não me deixaram ir?” (…)
Ainda pequenita, se chorava a lamentar-se, punham-na em casa de uma tia onde o tio a assediava. Era obrigada a esconder-se no sótão quando a tia saía para ir às compras, e como entretanto não fazia o serviço de casa, era ainda insultada e maltratada quando aquela chegasse e visse as coisas por fazer.  Viveu esse tormento calada, pois se abrisse a boca para queixar-se de algo, ainda levava porrada na certa…(e fala-se tanto de pedofilia agora, quando sempre houve, uma tristeza!)…
E assim, aos pontapés daqui e dali, essa criança foi crescendo, sem saber o que era ambiente familiar nem afetos...Aos 17 anos, idade de conhecer ou encontrar o Amor (para a maioria dos adolescentes), apareceu-lhe o homem que viria a ser aquele com quem poderia construir o lar que nunca tinha tido, era mais velho do que ela uns oito anos. Casaram-se, e logo na noite de núpcias houve problemas que a marcaram para toda a vida. Ao fim de nove meses nascia o filho mais velho de quatro, ou cinco (um morrera à nascença) …
Levou uma vida dura de trabalho e consumição para criar quatro filhos com a ajuda do parco salário do marido, nunca teve tempo (nem vontade) de olhar para ela própria e cuidar de si. O sexo era por obrigação, uma coisa suja, num casamento “acomodado” que durou quatro décadas… naquele tempo era assim…

Um dia ficou viúva, ainda “nova”, antes dos 60 anos de idade, e jurou que não “aturava” mais homem nenhum! Estava no seu direito.
Porém, começou a queixar-se de solidão. Quando afinal sempre tinha sido tão sozinha, pelo que conta, só que agora tinha tempo para reparar no mundo à sua volta, com os filhos criados e cada um na sua vida. Não tinha feito amizades, e agora dificilmente se adapta a alguém, pois os outros sempre têm defeitos (incompatíveis com os dela, provavelmente), ou seja, dá-se a toda a gente (segundo ela), acaba desiludida ou insatisfeita, e não se dá com ninguém… Todas as máscaras (de bravura, força etc.) caíram de repente, caiu também em si, e a seguir vieram os ataques de pânico, a ansiedade, entre outras maleitas, uma coisa aflitiva que preocupa os filhos. Estes não podem estar junto dela o tempo todo, cada um vai sempre que pode para fazer um pouco de companhia ou levar a dar um passeio. 
Entretanto, a solidão e as lembranças que não a largam (sempre as más, infelizmente) vão fazendo dela uma senhora amarga, sem sentido de humor, sem alegria, sem gosto pela vida nem por nada. Os filhos até são amigos dela mas, se estão longe, não lhe servem de nada, na sua ideia, são como estranhos quando fala deles para qualquer pessoa. É a sensação que fica quando a ouvimos falar. Devia estar feliz por eles, se têm saúde, boa aparência, e todos formados.
E os dias, anos... vão passando, naquela ânsia de um dia ainda ganhar algum dinheiro através dos concursos de televisão, raspadinhas ou euromilhões, e então irá fazer 'tanta coisa'... inclusivé, ajudar os filhos, coitadinhos (...)
Uma senhora (ainda) bonita, com muitas qualidades, que podia estar agora "liberta" e tentar ser feliz, fazer voluntariado, cuidar dela própria… nada a satisfaz, há sempre desculpas, ou inicia algo e logo desiste… A única alegria (aparentemente) é reunir os filhos de vez em quando à volta da mesa para comer ou celebrar algum aniversário, com noras e netos (apenas dois)… para ela isso é dar afetos, e ai de quem a contrarie! Mal se senta à mesa para poder estar a servir os “convidados”,  nem que algum deles parta logo a seguir ao repasto. E no final, quando já todos partiram, com a cozinha toda desarrumada, senta-se no sofá, estafada, à espera da vontade para limpar tudo. E assim se sente “feliz” por ter recebido os filhos em casa, nem que fosse por uns minutos, ou uma horita, dando-lhes de comer.
Uma família na qual mal se nota a afetividade. Entre irmãos não se nota nenhuma cumplicidade nem interesse de uns pelos outros. 
Serão filhos do desamor, alguém já pensou nisso? Depois de o marido falecer é que começou a contar aos filhos toda a triste história da sua vida conjugal, com pormenores que na verdade já não interessam nada, e que até deviam ser esquecidos, pois não contribuem para a felicidade de ninguém, nem dela.

Esta é uma história triste que conheço, entre tantas outras que há por esse mundo, claro. 
Assim como conheci alguém que em criança já tinha o sonho de ser artista; um dia fez algo errado e o pai quis castigar o menino, colocando as suas mãos sobre um cepo e ameaçando decepá-las caso fizesse mais asneiras. Nesse instante viu-se maneta para o resto da vida, e o seu sonho de artista já era, pobre criança. Em adulto falava disso algumas vezes, foi um trauma que ficou e fez dele um ser inconformado e artista frustrado, infelizmente. 
Crianças amadas tornam-se adultos que sabem amar. 
O amor desta senhora pelos seus filhos é estranho, lembra-me aquele tema "dividir para reinar", pois até parece que não se importa muito se os irmãos se dão ou não uns com os outros, o que interessa é que todos "olhem por ela", e eles tentam... 
Se os pais soubessem o mal que fazem aos filhos com certas coisas que (não) dizem ou fazem…podia-se evitar a existência de tanta gente destrambelhada neste mundo. Porém, ninguém nasce ensinado, cada um dá ou transmite o que pode e o que sabe. 
Até pra ser flor é preciso ter sorte: algumas nascem pra enfeitar a vida; outras, a morte! 

Dá pena ver tanta gente com uma vida triste e amargurada, sem gosto por nada, e como é possível acudir?

Não há dúvida de que o Amor representa o centro da nossa existência e dele depende a nossa sanidade mental. Pais felizes fazem filhos mais felizes, e vice-versa, o que promove uma família unida, trazendo saúde e harmonia para todos, inclusive para o ambiente social em que se vive. Às vezes o ser humano age de modo inconsciente, impulsionado por carências que mal compreende, e assim deambula pelo mundo na tentativa de preencher um vazio interior que não entende e, inevitavelmente, cai numa série de complicações. 
Para evitar isso, seria melhor parar e pensar (ou ouvir os outros), assumir a carência e ir à farmácia comprar uns potes de vitamina, ou seja: aprender a cuidar de si próprio(a), em vez de culpar o mundo (ou os outros) por tudo o que de mal acontece.

No fim das contas, se formos verdadeiros, acabaremos rodeados por quem bastará à nossa felicidade e nossa urgência em ser feliz, pois o AMOR reinará.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ai Amore Amore

Hoje é dia 13, dia de sorte para quem gosta deste número, a lua esteve cheia, dia de recordar alguém que já partiu para outra dimensão e aposto que hoje gostaria de estar fazendo 58 (=13) anos.
É também véspera do dia dos namorados.

Reza assim no livro sagrado:
“O homem é filho de Deus, que é Amor, e que foi feito por amor e para amar.”
Sem querer entrar no campo da religião, pois Deus poderá ser o Universo ou a (nossa) Natureza, Amor portanto só pode ser a nossa essência. Se assim não for, seguramente algo irá correr mal ao longo da vida. Porém, como para tudo há regras, com ou sem exceção, e subjetividade, devo ressalvar: quase todos nascemos ou fomos feitos do Amor ou, em princípio, assim é que deveria ser…

nAMORar é tão bom, e faz bem! Neste dia do Amor (14/2) jogará também o Benfica, vai ser então um dia todo virado pro vermelho, mas em mim continua a correr o sangue azul (e branco) da terra invicta que me viu nascer e que foi eleita, pela terceira vez, melhor destino europeu. Mal ficam ou ficarão as consortes, emburradas, que em vez de terem um jantar à luz de velas, levam é com jogo na Luz (eu a imaginar)… ahah


AMOR: até os bichinhos gostam! E com tantos donos (ou mais as donas) a chamar amor ao seu bichinho de estimação, até este irá ter algum miminho especial nessa data. Neste assunto de amores, devo ser mesmo fraquinha, pois não me imagino a acordar cedo para levar o cãozinho à rua, levá-lo(a) a passear em dias/noites de inverno, ou a apanhar os seus cocós pelo caminho. Esse sim deve ser amor de verdade de quem “quanto mais conhece o ser humano, mais gosta dos animais”…
Falando sério, por mais que não queiramos ligar a datas, é quase impossível ficar indiferente às decorações românticas nas lojas da cidade, nos centros comerciais e restaurantes, resistir aos apelos comerciais na TV, rádio, internet, nas revistas, filmes alusivos à data que nos encantam (até a segunda parte do filme ‘50 sombras de Grey’ nesta altura me pareceu mais amoroso do que erótico…), ou quando alguém nos pergunta pelo namorado…
O facto é que, mesmo sendo esta considerada uma data comercial, todos nós (mais ou menos jovens) desejamos ter alguém ao nosso lado para respeitar e ser respeitado, admirar e ser admirado, mimar e ser mimado, e assim poder participar, cada um ao seu jeito, do Dia dos Namorados. Afinal, fazer coisas a dois sempre é muito mais agradável.
O importante é ser criativo(a) e saber aproveitar esta data para surpreender quem “namoramos" ou com quem “andamos” e, dependendo de cada bolso, irmos comprar um presente, uma singela flor ou um ramo delas, uma joia – nem que seja para nós mesmos! caso não haja ninguém a ocupar o nosso coração - enviar um SMS, despertar o ser amado com um telefonema, preparar-lhe o café da manhã, levar a jantar naquele restaurante especial, ou até pode ser na tasca com petiscos saborosos ou, por que não, simplesmente sentar na areia da praia e ficarem juntos a ver um magnífico por de sol… ah quantas ideias!
O Amor deve acontecer todos os dias, mas sabe bem haver assim um especial, e nota-se que até mesmo os homens, principalmente aqueles que pregam aos quatro ventos que não ligam para essa lamechice, nesta data deixam aflorar a sua sensibilidade, o seu lado romântico e as suas expectativas em ter ou encontrar alguém com quem possam trocar um abraço, muitos mimos, ou que lhes sussurre ao ouvido o famoso “amo-te”. Triste será para os solteiros, ou solitários, que devem perguntar-se o “porquê” de não conseguirem encontrar um parceiro(a) à altura, ou sustentar uma relação a longo prazo.
Para mim, o ideal é nAMORar sempre, todos os dias. Além de saudável, traz energia e entusiasmo pela vida, e o simples facto de dar e receber Amor alimenta a autoestima e conduz o ser humano ao equilíbrio emocional.
Desejo que todos se sintam felizes e amados(as) neste dia e em todos os outros 364 dias do ano e, mesmo que não haja troca de presentes, por qualquer motivo, recebam ao menos um abraço apertado silencioso (ou virtual) que poderá significar mais do que todos os presentes ou palavras do mundo…
Enfim, há que usar a imaginação para tornar este dia especial e ficar para sempre armazenado no pen drive que alimentará o PC do nosso coração.


“O amor não tem regra pois hoje em dia o amor é a exceção!”

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Na boa...

Nas minhas andanças pela internet, dei de caras com outra palavra nova para mim: deboísmo! Parece ser um neologismo criado por um casal brasileiro, e agora surge na internet como uma corrente filosófica cuja regra principal é “viver de boa (de bem) com a vida”.
Os brasileiros são ótimos a inventar palavras. Porém, aqui em Portugal seria mais “naboísmo” (nada a ver com nabos), ou seja: “estar ou viver na boa”!
O casal criou uma página no Facebook e começou a partilhar mensagens que incentivavam o respeito e a calma nas relações entre os usuários das redes sociais.
O bicho-preguiça é considerado a mascote do deboísmo, devido ao sentido de calma e serenidade transmitida pelo mamífero. No entanto, os criadores desta “doutrina” alertam que não se deve confundir os princípios do deboísmo com a preguiça ou o comodismo. O objetivo é enfrentar e debater os problemas ou desafios, mas com respeito, calma e, acima de tudo, paz.
Gosto desta corrente, já me considero uma deboísta, ou naboísta, qualquer coisa. A vida é mesmo para se levar na boa! Algumas características do comportamento de uma pessoa deboísta é o bom humor, a descontração, a paciência e o respeito pela opinião alheia. Sempre, sem stress, sem violência. Seria a salvação da humanidade se fosse praticada por todos. Como diria John Lennon: 'imagine all the people living na boa'. Seria muito "cool", não?

 

Os 10 mandamentos do Deboísmo
caso desejes viver na boa (ou ser deboas, na versão brasileira)

1º: Não tretarás com o próximo. (tretar com: outro verbo que desconhecia = enganar com léria)

2º: Não deixarás pequenos problemas do dia-a-dia atingir-te.

3º: Respeitarás pontos de vista diferentes e criarás opiniões independentes, com base no teu próprio raciocínio e na tua experiência de vida.

4º: Contagiarás o mundo com o deboísmo, fazendo de tudo para não provocar o mal.

5º: Seja qual for a tua natureza sexual, faz amor (não a guerra) e fica na boa, vivendo sempre com aquela sensação de alegria e deslumbramento.
 
6º: Tentarás sempre aprender algo novo e deixarás a mente fluir.

7º: Só tomarás decisões importantes após boas noites de sono e questionarás as tais verdades absolutas.

8º: Escutarás boa música, que tem o poder de te deixar na boa.

9º: Manterás o corpo, a mente e a alma saudáveis, e estarás sempre disposto(a) a perdoar o outro.

10º: Respeitarás a Mãe Terra, pois ela já estava na boa muito antes de existires, e não farás com os outros aquilo que não gostarias que fizessem contigo.


Assina: Lina, a deboísta ou naboísta (e sempre a aprender...)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nostalgia de fim de semana

Sábado 4-2-2017
Escrevo esta data e reparo que é aniversário de uma prima minha, procuro no facebook e…oh carago, já não é minha amiga…ok - ahahah só me rindo com estas modernices (é a cena do tira-e-põe…). Mandei sms, quem sabe ainda tem o mesmo nº de tlm… who cares?
Hoje é sábado, dia de dormir até ser (de) tarde, parece que nunca deixei de ser como era em bebé, diz a minha mãe que não gostava de comer e só queria dormir; ou fui mordida pela mosca tsé-tsé, ou estou mesmo a hibernar… mas o que interessa isso? Importante é que dormir é bão e gosto muito!!!
Dia de fazer a minha caminhada ao acordar, ou andar de bicicleta. Está um dia cinzento, fico nostálgica… Quem disse que estou sozinha? A chuva (pouquinha, passou logo, foi minha amiga) é boa companhia, posso falar com as florzinhas, as árvores, os passarinhos barulhentos, o gatinho que passa também sozinho, ou o cão; digo olá ao menino estranja que parou com o seu triciclo e ficou a olhar para mim… Posso falar com o sol, com as estrelas – as visíveis e as que já partiram – com o mar, as nuvens, comigo mesma…
Quem se queixa de solidão só pode ter algum tipo de dependência… com tanta companhia ao nosso dispor, por que não sentir-nos sempre bem e felizes?… Às vezes me pergunto se serei normal, é que gosto mesmo de ser/estar sozinha. Habituei-me, na boa, porque nasci numa família pequena, tão pequena que até vai desaparecendo… Sendo o ser humano um animal de hábitos, é assim, e há quem se acostume ao desassossego e não se daria bem no meu lugar, por isso o mundo se torna tão interessante, com toda essa diversidade. Que chato seria se todos gostassem só do amarelo… pois aquela teoria poética de que “ninguém é feliz sozinho” dá que pensar.
Quem estipulou que o normal é ter família, com todas aquelas confusões de pais/filhos, avós/netos/sogros e afins, e outros atritos familiares? Costuma-se dizer “é para o que cada um nasceu” e é bem verdade. Há vidas tão confusas, que penso para mim “que sortuda eu sou”!
https://www.youtube.com/watch?v=iWhkCuff9OM
Domingo
Dia com mais sol, percorro a cidade de bicicleta, adoooro! Passei por acaso na feira das velharias e já estava na hora de arrumar. Pensei em uma amiga que provavelmente estaria lá, e estava, mas nem parei. Desde que mudou de endereço, nunca mais deu sinal de vida, e eu também só procuro quem me procura, pois cansa um pouco ser sempre eu a visitar as pessoas.
São assim certas amizades, e certos familiares, mas família temos que a chamar de nossa, não tem outro jeito. 
Porém… o que é isso comparado com as notícias com que somos confrontados constantemente, sobre o facto de, em pouco tempo, uma em cada três pessoas terá cancro… (pudera, com os alimentos cada vez mais contaminados ou plastificados)... ou que há a possibilidade de desaparecerem milhares de pessoas em Portugal (sobretudo, de Lisboa para baixo) devido a sismo ou terramoto, e que os prédios não estão preparados para isso… (e então, o que há a fazer, viajamos todos para Marte?) Ou seja, querem que andemos todos os dias alarmados com tudo e mais alguma coisa, e…daqui a cem anos já ninguém se lembra disso nem do FB ahahaha

Não há nada como uma consciência tranquila, uma vida pacata, e saber que há sempre alguém que nos quer (bem), e está à mínima distância de uma chamada telefónica! 
O resto são “paroles paroles”…  https://www.youtube.com/watch?v=_ifJapuqYiU

"Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é."
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

WTF...

Tenho dúvidas se antigamente eram tempos melhores e agora é que vai de mal a pior, ou se a tendência do ser humano é andar sempre a queixar-se. Se possui algo ou muito, quer mais, e reclama por tudo e por nada; se possui pouco ou quase nada, tem razão para reivindicar, claro. 
As pessoas praticam cada vez mais o umbiguismo. O povo está sujeito a (ou assim escolhe) ser governado por políticos narcisistas, sem escrúpulos, e quando esse narcisismo é maligno, sabemos lá o que nos espera. Uns derrubam muros, vêm outros e constroem-nos, e assim vamos sobrevivendo neste tira-e-põe, 'às cambalhotas', num mundo tão desigual e esquizofrénico… As notícias diárias são do pior, o que nos faz estremecer e questionar se há humanidade: crianças e idosos que são maltratados, violência doméstica nas famílias, homicídios em nome do tal “amor” ou de ideologias, fanatismo, vinganças; políticos que são absolvidos de crimes tão facilmente e depois ainda se aposentam com altas reformas…! 
Assim caminha a mediocridade, gente a endoidecer por toda a parte, até dá medo falar com a pessoa ao lado, ou pena. Quando começará um novo mundo? Já não estaremos cá para (vi)ver…
Fico ciente do que se passa à volta quando vejo a TV ou leio coisas de quem é sensível e sabe escrever, e muito bem, relatando a realidade nua e crua.
“Vivemos numa era de feudalismos inflamados, onde impera o desrespeito, a falta de senso e o vitimismo. Nem os loucos se tratam tão mal, pais que matam os filhos, filhos que matam os pais e por aí fora, a era do salve-se quem puder que se faz tarde (…) Ser-se ignorante é tão fácil, pequeno, mesquinho, culpar alguém é tão prático e dá tanto jeito nesta merda de sociedade que acorda de manhã com a cabeça enfiada nas suas vidinhas de merda e fecham os olhos a tudo. Bate-se nos pais idosos, ou são enfiados no lar dos mortos, são chamados inúteis e come-se-lhes a reforma, culpa-se o mundo, vai e vota-se num palhaço qualquer que lhe promete mais uns trocos para depois calar-lhe a boca a ferro e fogo. Depois chora muito, fica bem a qualquer um, quando eles morrerem, e diz o que já é habitual “era tão boa pessoa”, vou sentir tanto a falta dele(a)…quando teve todas as oportunidades na vida para lhes dar uma vida com dignidade, com amor. 
Ah, mas tenho filhos para dar de comer, pois…pois, etc…iphones ipads, tablets, roupa de marca…e tão pouco amor.
(…) Vá, continuemos a educar os nossos filhos como coitadinhos e a compensá-los pelos traumas que temos e tudo continuará como dantes…fodem-se pais e fodem-se filhos e toda uma sociedade de clones em vias da modernidade obsoleta e proxeneta das novas tecnologias androides.” (texto publicado no FB por uma amiga pessoal, Conceição Bernardino)

“Um nojo que cresce (…) Merda por todo o lado, e mais merda. Merecíamos melhor. Merecíamos que a corrupção fosse punida por quem tem a responsabilidade jurídica e moral para o fazer. (…) É um país ao contrário, que já perdeu os sapatos, calça meias de cores diferentes e nada acontece. Amanhã tudo segue como ontem. Nada acontece a quem compra a liberdade nas traseiras de tudo. Assim é difícil acordar todos os dias. Assim é difícil não querer chamas e fogo e gritos. Feitas as contas, assim é difícil encontrar Portugal.” (Bruno Nogueira, humorista, ator e apresentador da TV portuguesa)


Às vezes é assim, dou por mim a pensar na vida. Não penso numa vida qualquer, penso apenas na minha vida, aquela que é a mais importante de todas. Chamem-lhe egoísmo, alienação, ou… também fiquei umbiguista?! Poderá ser um tipo de defesa pessoal, alguém tem que manter-se “normal” e salvar-se neste mundo doente, seja lá o que for normalidade. Penso que à minha volta nada muda. Compete a mim, a nós, ser o autor de todas as mudanças, para encontrar um pouco de felicidade em cada novo dia. Por sorte, ainda vou conhecendo gente muito boa, amiga, e tenho tendência a pensar positivamente. Agradeço por isso todos os dias.

Numa certa ocasião perguntaram a Mahatma Gandhi quais eram os fatores que destruíam o ser humano. Ele respondeu assim:
"A Política sem Princípios; o Prazer sem Responsabilidade; a Riqueza sem Trabalho; a Sabedoria sem Caráter; os Negócios sem Moral; a Ciência sem Humanidade; e a Oração sem Caridade.
A vida tem-me ensinado que as pessoas são amáveis, se eu for amável; que as pessoas são tristes, se eu estiver triste; que todos me querem bem, se eu quiser o bem deles; que todos são maus, se eu os odiar; que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrir; que há rostos amargurados, se eu estiver amargurado; que o mundo é feliz, se eu for feliz; que as pessoas têm nojo, se eu sentir nojo; que as pessoas são gratas, se eu tiver gratidão.
A vida é como um espelho: se sorrio, o espelho devolve-me o sorriso. A atitude que tomo na vida é a mesma que a vida tomará ante mim. Quem quiser ser amado, que ame"…

A única razão porque és feliz, é porque TU decides seres FELIZ!
 
https://www.youtube.com/watch?v=JSUIQgEVDM4

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Brrrrrrrr


Este frio está a tirar-me a vontade de qualquer coisa: de escrever, de sair… Até se me congelam as ideias, assim. Só apetece é chegar a casa e ir logo pra caminha com a botija de água quente e animar-me com algum livro ou algo interessante que passe na TV, o que é difícil…
E as amigas no Brasil a dizerem-me que não aguentam o calor, ó mundo disforme! É o cérebro delas a derreter lá e o meu a congelar aqui.

É verdade que sempre houve inverno, antigamente as mulheres lavavam a roupa em tanques de água quase a congelar, até lhes aqueciam as mãos… e não se queixavam. Não havia casas com aquecimento, nem dinheiro para pagá-lo; sempre se viveram invernos rigorosos, mas agora os média com falta de assunto(?) passam a vida a falar no frio que faz ou vai fazer, nem nos deixam esquecer disso.

De ano para ano reconheço que estou cada vez mais alérgica ao frio…ou será que nesta terra é pior, por ser mais húmido...? Lembro-me de ter ido à Polónia (em dezembro) e ter levado roupa suficiente com medo de passar frio; estava em casa de um familiar, durante 24 horas aquecida de tal forma que tive de pedir uns calções e T-shirt emprestados, ou ainda teria que andar nua pela casa ufff  
Quando era preciso sair para a rua, até dava gosto vestir-me toda e apanhar com aquele ar frio de neve no rosto... que diferença, nesses países será a conta da luz acessível ao "povo"? aqui é um roubo, só para quem pode, com salários que o permitam... quem não pode, si f... ou seja, passa frio mesmo e reza para chegar logo o calor.

Detesto andar com muita roupa em cima, fico oprimida, contraída… Adoro o tempo quente, se tenho calor posso ir dar um mergulho, ou levar com uma mangueirada, refresco e já está, fico satisfeita… E com o frio? A única opção é encolher-me debaixo dos cobertores e mantas. Ai que saudades das minhas havaianas, de andar com o mínimo de roupa possível e aconselhável...

Nos lugares turísticos, durante o dia, com sol quentinho, em pleno inverno ainda se veem turistas em roupa de verão a passear pela cidade ou sentados nas esplanadas, dá gosto apreciar "os calores" desta gente de diferentes nacionalidades, incluindo a portuguesa, em especial o pessoal jovem, as meninas todas decotadas ou de perninha ao léu, eles de camiseta caveada, viva o calor da juventude!!!

E eu jururu...

Até breve!!!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

As vantagens da PDI

Está um frio do c*c*t* (sim cacete, mesmo) – é o tempo dele, ok, e agora está no pico - mas não aguento, o verão demora muito?
Deixa-me escrever para acalentar o espírito. Costumo ler as “correntes” que me enviam, e apago logo a seguir, pasmada como essa treta volta sempre ao mesmo, e há pessoas que sempre acreditam… Porém, há umas que até fazem algum sentido. Esta tinha um texto interessante que aproveitei e transcrevo, modificando ou acrescentando algo. E sabem que mais? Quando estamos em sintonia com o universo, dificilmente algo nos deixará infelizes, nem a p…a do inverno! 

As vantagens da idade a partir dos 40, 50...

Eu nunca trocaria os seres amados, meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.
Enquanto vou envelhecendo torno-me mais amável para mim e menos crítica de mim mesma.
Eu me torno minha própria amiga…
Eu não me censuro por comer doces a mais, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo supérfluo.
Eu tenho o direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai censurar-me se resolvo ficar a ler ou estar no computador até às 4 horas e dormir até ao meio-dia?
Se me apetecer, dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 70 & 80 e se eu, ao mesmo tempo, quiser chorar por um amor perdido… eu choro!
Poderei fazer o que me der na real gana, por exemplo, andar de minissaia (se achar que me fica bem), passear na praia com um calçãozinho sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros ou do “jet set”… eles também vão envelhecer.
Eu sei que sou às vezes esquecida, mas há algumas coisas na vida que devem mesmo ser esquecidas… recordo-me das coisas valiosas, isso é que importa.
Claro, ao longo dos anos o meu coração foi se partindo… Como é possível um coração não sofrer quando se perde um ente querido, ou quando vemos uma criança sofrer, ou mesmo quando algum animal de estimação tenha desaparecido ou sido atropelado por um carro?
Porém, corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril, e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Sou abençoada por estar vivendo o suficiente para ter os meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos no meu rosto. Muitos nunca riram, pois morreram antes de os seus cabelos virarem prata.
Conforme envelhecemos, é mais fácil ser positivo. Preocupamo-nos menos com o que os outros pensam. Não me questiono mais. Ganhei o direito de estar errada. Se alguém me perguntar, responderei que gosto de ser “velha” e ter cãs… gosto da pessoa que me tornei.
Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estou aqui, não vou perder tempo a lamentar o que poderia ter sido, ou feito, ou preocupar-me com o que será no futuro…
E, se me apetecer, vou comer gelados ou sobremesas todos os dias.
E que as minhas lembranças e amizades perdurem por muitos anos, nunca nos separemos, porque valem a pena, alegram os meus dias!

Uma pessoa que valha a pena não olha só para o corpo ou o rosto do “outro”, pois essas partes envelhecem, aparecem as rugas… um “grande” ser olha o caráter, a bondade, a compreensão do outro (ou outra), independentemente dos seus defeitos.
“Olhos que olham são comuns. Olhos que vêem são raros.”

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

História(s)

Todos os dias se apagam estrelas no nosso mundo para, eventualmente, irem brilhar em outro, que desconhecemos… Nestes dias só se fala da (já esperada) morte de Mário Soares, um senhor político famoso de provecta idade e que tem feito correr muita tinta com opiniões contraditórias, tanto amado como odiado.
Nunca gostei de estudar história, tornei-me assim desconhecedora dos factos históricos para poder entender e discutir algo a respeito, menos ainda gosto de politicar, mas agora apetece-me divagar sobre o assunto. 
Desde sempre ouvi dizer que este foi o senhor culpado por tanta gente - quase um milhão? - retornar à metrópole em 1975 com uma mão à frente e outra atrás. Eu e meus pais, retornados, mas meus 2 irmãos e irmã nasceram em Angola, por isso eram refugiados. Meu pai primeiro, e a seguir a mãe, não foram para lá com a ideia de enriquecer, nem coisa que se pareça, apenas foram em busca de condições melhores de vida à custa do seu trabalho, e que aqui não havia, neste cantinho atrasado. Os dois trabalharam arduamente no dia-a-dia para sustentarem 4 filhos e acabaram forçados a regressar ao seu país de origem, sem poderem trazer dinheiro suficiente para a sobrevivência da família. Minha mãe veio primeiro com os quatro filhos, a mais nova com 1 anito e eu a mais velha com quase 17. Sem casa, sem nada. Por pouco, meu pai era carne para canhão, ou para tubarão, pois estava com dificuldades para embarcar. Eram filas intermináveis de gente desesperada para fugir daquela terra 'sem dono', e mais tarde lá conseguiu, à última hora, por algum “milagre”. Aqui ficámos sujeitos à caridade alheia e às idas ao IARN para as refeições diárias. Eu muito chorei, foi um choque vir para um país tão diferente, e que no entanto era o meu!
Varreu-se-me muita coisa da memória, inexplicavelmente, penso agora que já nem me recordo da forma como voltámos, se de barco ou avião. Tenho que perguntar à minha mãe, ela que sabe e conta tudo, sempre com os mesmos pontos e vírgulas. Até como chegou a rastejar pelas escadas acima com a bebé nos braços, no meio de tiroteio, para entrar em casa. E há também factos "soltos" dos quais me lembro, por exemplo, de um primo em Lisboa que eu tinha acabado de conhecer e que foi um dos que morreram durante o golpe de 25 de novembro de 1975, era o tenente José Coimbra dos Comandos.
Em Portugal, até aos anos 70, vivia-se com muita pobreza, sobretudo nas aldeias, mas também tínhamos família a viver pobremente na cidade. Velhos, crianças e mulheres descalços, sujos, desgrenhados. Sem casas de banho nas casas, sem água canalizada, tomava-se banho de celha quando era possível; a sanita era um buraco improvisado em algum canto do quintal; sem luz elétrica; as pessoas nem conheciam o mar; a maior parte delas não sabia ler nem escrever; não havia jornais nem livros; sem centro de saúde, nem estradas, nem automóveis… Os homens (jovens) ou tinham partido para a guerra, e com sorte voltariam vivos um dia, ou tinham ido para França ou Alemanha.
Segundo as notícias, parece que foi pouca gente ao funeral deste senhor que mereceu honras de estado, três dias de luto nacional, cerimónias dignas de alguém muito importante para o país. Havia menos gente do que eventualmente houve em funerais de outros políticos, ou de gente famosa em outras áreas… Era dia de trabalho, há quem argumente, mas quando os campeões europeus chegaram a Portugal a 11 de Julho 2016 também era dia de trabalho, e nem por isso o país deixou de sair à rua, virou até feriado de repente. Não era, mas parecia. Com Soares não se passou nada disso, daí podermos concluir que só o futebol, o ópio do povo, é que faz mover multidões...
Agora que tenho uma cabecinha pensadora e mesmo sendo leiga em políticas e história, devo ser honesta e pensar que ninguém é obrigado a gostar de Mário Soares, mas é importante reconhecer que podemos escrever o que quisermos acerca dele, e de outros, sem medo de uma PIDE ou de uma KGB a bater-nos à porta, graças à luta a que este senhor persona non grata dedicou a sua vida enquanto outros eventualmente ficaram no bem bom (e ainda reclamam...).
Há quem se dê ao trabalho de publicar agora uma grande manchete - de algum periódico sensacionalista da época? - a citar o que este senhor respondeu sobre o que fazer com os brancos “atirem-nos aos tubarões!”… Verdade? Mentira? Estou sabendo agora, na altura nem me apercebi disso, nem lia, nem me interessava por nada, nem ninguém falava comigo destas coisas…
Como diria o Diácono Remédios (Herman José) “as opiniões são como as vaginas, cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la!” A verdade é que só sente na pele quem passa por elas, e claro, quem não passou por nada daquilo, pode falar por alto o que bem lhe apetecer.
Porém, pensando um bocadinho, pelos vários comentários que vou lendo na diagonal, parece que esse senhor teve que fazer em poucas semanas o que era para ter sido feito em cinco décadas e, evidentemente, isto causou muito sofrimento a muita gente. Obviamente o Dr. Soares cometeu erros, há quem diga que pisou na bandeira portuguesa, que era prepotente, que usou e abusou de recursos públicos para seu proveito pessoal, etc…e qual é o político que não o faz, ou que coloca o Povo em primeiro lugar? Pergunto eu, na minha ignorância. Provavelmente ainda está para nascer…
Talvez muitos o odeiem porque uma boa maioria do povo português assistiu no pós 25 de abril ao enriquecimento descarado de uma certa classe política defensora da liberdade, da igualdade e da democracia à custa dos dinheiros públicos e da própria pseudo democracia da qual foram os progenitores.
Provavelmente, dever-se-ia guardar esse ódio para quem mandou as pessoas para África naquele tempo de miséria, não para quem de lá as tirou. Quem emigra (ainda hoje) para outros países não tem o ódio de Portugal que alguns, poucos ou mesmo muitos, retornados (e não só) ainda sentem. Notou-se agora pelos comentários que lemos, ouvimos, ou abundam nas redes sociais.Todos os seus defeitos e os erros, o tempo e a história se encarregarão de julgar. Vejamos o lado bom das coisas, da história, neste caso. A defesa da liberdade, liberdade que nos permite falar e escrever tudo o que nos vem à cabeça, com ou sem razão, isso o Povo não esquecerá.
Portugal mudou TANTO nestes 40 anos. Dou comigo a imaginar, se nada daquilo tivesse acontecido, como seria se ainda estivéssemos em Angola… estaria melhor do que estou hoje? Apesar de todo e qualquer erro, apesar da descolonização mal feita, apesar dos pesares, 
VIVA A REVOLUÇÃO, O 25 DE ABRIL, SEMPRE!
Passei pelo sofrimento de largar "o meu" lugar paradisíaco, o único que conhecia; os meus pais muito mais sofreram, terem que voltar sem nada depois de todo o trabalho em vão... mas toda a vida foi sempre assim, feita de História(s), e eu bem digo: até para nascer, no país certo, na família certa, é preciso ter sorte! Sempre houve gente corrompida pelo poder e que se dá bem, os que sofrem sem querer, o pobre e o rico, o bem e o mal, o branco e o preto, o doce e o amargo... E amanhe-se quem puder... a vida continua.
Muita gente aproveitou-se de subsídios e tudo o que fosse possível à custa do IARN, estão hoje na maior, outros não souberam mexer-se e continuaram pobrezinhos, recomeçando do zero... entendo que há muita coisa que depende de nós; uns contentam-se com um prato de sopa e um copito de tintol (assistindo ao futebol), outros batalham forte e feio para comerem lagosta regada a Moët & Chandon, e caviar... aliás, alguns nem precisam, é-lhes tudo concedido de bandeja... É o mundo que temos!
Retornados/refugiados: uma ferida que não sara, mas conseguimos viver com ela!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Feicebukiando

O Facebook é um caso de estudo. Já estive para desistir, mas depois pensei melhor. Afinal, através dele comunico com pessoas amigas e queridas que estão bem longe, além de divertir-me, por que não? E continuei. Já ouvi dizer que ia aparecer algo que substituiria essa rede social, mas ainda não vi nada no horizonte!... Grande Zuckerberg!

O Facebokas (nome mais apropriado) dá para partilhar estados de alma, pensamentos e situações que podem acontecer a qualquer comum dos mortais; encontram-se velhas amizades, eventualmente far-se-ão novas, e até pode dar em casamento, ou em vigarices, infelizmente (...); fica-se a saber de mortes e nascimentos, que de outra forma talvez nem soubéssemos... Portanto, faz-nos ficar contentes, tristes, atentos, perplexos…montes de emoções provocadas online
Sentimos quando alguém está tão só (ou quiçá, doente) que vai ali manifestar publicamente o que sente (tipo confessionário); sabemos quando alguém está noivo(a) ou "numa relação” e coloca fotos e mais fotos fantásticas e românticas, nem que passado semanas, dois ou três meses, já tenha sido tudo retirado, até ao próximo status amoroso! 
Estas coisas já não sei se dão pena ou vontade de rir… para quê declarações públicas e virtuais de amor entre um casal, ou dirigidas a um filho ou filha (ainda mais, bebé ou criança)? Soa-me estranho tudo isso, e pode até soar a falso, nomeadamente aquelas juras de amor eterno (enquanto, dura, claro) logo nos primeiros dias… Coisas íntimas são para tratar-se em casa, acho eu. 
Agora, entre amigos é outra coisa, vale a pena trocar declarações ou fofuras com verdadeira amizade, sabe sempre bem ao coração, anima a vida e o ego!
Eu mesma já tive ou tenho a mania das selfies, não passa de um entretenimento e partilha de momentos (a sós ou não) em que nos sentimos felizes ou bonitos (geralmente, mais no feminino)...

Uma vez ou outra há aquele ou aquela que, de repente, já não consta da minha lista de amigos... que surpresa...cansou-se do FB (pode ser, lá terá os seus motivos); ou pior, vejo que continua lá... ooops então cansou-se da minha amizade (?), enfadou-se com algo e nem avisou(?) fico p... da vida com isso, ah sim, então, se a 'amizade' acabou assim, nunca existiu afinal... a pessoa fez-me um favor, desapareceu e não volte. Comigo é assim, perdi a pachorra para gente com pancas, seja quem for, já basta aturar as minhas (rsrs)

Porém, há a parte séria da rede social. Pode-se fazer marketing de produtos, e negócios; serve para denunciar algo que está errado, ou de "barómetro" para tendências e opiniões, ver a formação e/ou educação de cada pessoa que lemos, às vezes é cada pontapé no português com tamanhos erros ortográficos que até dói! Útil para perceber como anda a sociedade, o que mais interessa ao público em geral... 

Outras situações, "hilárias", é quando jovens nos seus 20's adicionam pessoas como eu... que já perdi a paciência para "conversa de chacha". Até adiciono porque vejo primeiro se é amigo de amigo, e confio. E é sempre bem-vindo quem vier por bem... Mas depois lá começa aquele "papo" do costume "Oi tudo bem? gostava de te conhecer... de onde és... que idade tens... podemos ser amigos?... quando tomamos um café" e por aí fora... 
Com respostas monossilábicas (cheia de curiosidade, a ver no que aquilo vai dar), respondo "podia ser tua avó..." rsrs kkkk lol para lá e para cá... até que o rapaz desiste...estes garanhãozitos rapidamente se enfadam e vão à vidinha, ou seja, deixam de ser 'amigos' num simples clique, têm mais para onde se virar! rsrs
"Ciao avozinha sexy" (despediu-se este último)... ahahah

E aprendo...vou parar de adicionar mesmo amigo de amigo... ou pergunto antes ao meu amigo de verdade se vale a pena. Quero ter amizades com interação interessante ou inteligente - além de divertidas, claro - sejam elas virtuais ou reais.
Inté...!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Viva 2017!

2017 está muito melhor do que 2016 !!!! ahahah
Pois é… tempo de balanço…e parece que a crise acabou. Pelo noticiário ouvimos dizer que os portugueses gastaram este ano mais uns bons milhões do que no ano passado pela mesma altura; que se venderam mais carros, e não foram os baratos, são topo de gama mesmo! Também já tinha lido uma notícia de jornal de que Há mais 1300 milionários em Portugal do que há 1 ano”... Entre outras notícias como:
“Angola, um país rico com 20 milhões de pobres”
“Um terço dos portugueses não tem dinheiro para ter uma vida digna”

Que mundo patusco este! Na verdade passo por restaurantes e estão sempre todos cheios, especialmente os caros… isso na cidade grande, onde passei uns dias e já sentia saudade da ‘aldeia’ à beira-mar onde escuto o barulho das ondas enquanto caminho pelas ruas quase desertas…
Uma vez levei mais de uma hora para ir de autocarro da foz à ribeira, um percurso que nem sei se chegará a um quilómetro! Chegaria mais depressa a pé…em hora de ponta, a impressão é que há um carro (ou mais) por pessoa neste país! Continuará aquela ideia do “pobre com mentalidade de rico”…

2016 era noves fora 9 = 0. Um ano muito atribulado com notícias chocantes a nível mundial e não só. Fim de um período desastroso? Agora será 2017, noves fora 1. Quem entende de numerologia, dirá que vai ser um melhor ano, de recomeço, vamos ver, sejamos otimistas e esperemos que sim.
Abro o meu calendário e percorro as anotações do meu pequeno caderno. Desta forma viajo 12 meses, relembrando todas as coisas incríveis que me aconteceram em 2016. Neste ano - devo admitir sem qualquer falsa modéstia e ignorando alguns azaritos - tive muitas coisas boas, superando até algumas expectativas!!! Tive a sorte de ficar num lugar onde me sinto bem, continuei a realizar coisas que faziam parte da minha lista de "a fazer" durante anos, até andei de gôndola na linda cidade de Aveiro, a Veneza portuguesa! Partilhei experiências com pessoas queridas que conheci ou me visitaram. Foi um ano memorável em que os momentos inolvidáveis foram mais que muitos. Uma vénia a todas as pessoas minhas amigas de verdade que são quem os proporciona.

Mário Quintana defende que "O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até ti." Devo estar a cuidar bem do meu jardim, pois sinto que cada pessoa que passa pela minha vida deixa algo dela comigo e leva um pouquinho de mim, essa é a semente. A mais bela responsabilidade de qualquer relação, seja ela de que tipo for, é dar e receber alguma coisa, e é também a prova de que nada acontece por acaso. Portanto, continuem a tratar assim do vosso jardim, amanhã nascerá outra flor, e borboletas não vos faltarão.

Sonhemos que o mundo pode ser sempre melhor. Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetrável e inexpugnavelmente nosso. Mesmo que por vezes as coisas pareçam difíceis e as condições não sejam as melhores, temos de estar sempre presos a esse sonho e à espera do nosso melhor.  
Também eu estou, à espera de mim, algo me diz que posso ser sempre melhor pessoa e contribuir para a felicidade de alguém, se assim (me) quiser.
Coisas que acontecem na vida são o maior exemplo de que, por vezes,  é  preciso perder, para depois se ganhar, e mesmo sem ver, acreditar! 
"Hoje, a semente que dorme na terra
E se esconde no escuro que encerra

Amanhã nascerá uma flor...

É a vida que segue
E não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar...
Creio que a noite
Sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre nos iluminar...
Sei que o melhor de mim
Está para chegar" Mariza

https://www.youtube.com/watch?v=2UDZH_Htpq8