quarta-feira, 15 de março de 2017

19 de março

Está a chegar o dia do PAI e ainda não tinha escrito sobre Ele. 
Fiquei sem o meu aos 40 anos, e ele partiu com 67, tão novo ainda. Tinha entrado na reforma e parece que já nada fazia sentido, então a doença aproveitou-se disso e fez-lhe a vontade… Para quê continuar aqui? São sensações estranhas estas, de não conseguir chorar a perda de um ser amado pois pressente-se que estará a caminho de um lugar melhor, quando este aqui não foi o Éden, nem pouco mais ou menos. Tempos difíceis antigamente, de miséria e de ignorância. Hoje em dia também há disso, mas noutro sentido, é mais a miséria moral e espiritual.
Nos últimos dois anos da doença já andava de hospital em hospital e era tão dolorosa a hora da visita, que palavras dizer, mesmo ele mantendo aquele sorriso e dizendo algumas brincadeiras, para aliviar o ambiente. Quando esteve num hospital perto do meu local de trabalho, ainda conseguia dar uma escapadinha na hora do almoço para ir vê-lo, e foi a última vez num desses dias. Felizmente havia os outros filhos (e a minha mãe, claro) que podiam estar mais tempo junto dele.
O que consigo lembrar do meu Pai? Que fui a sua primeira filha... soube um dia que ele preferia um rapaz, e dizia assim “se vier menina, devolvo-a à fábrica”… mas depois sei que gostou da menina que veio, que era ligada no pai, como são todas as meninas… 
Foi ele quem me ensinou a nadar, pegava em mim e atirava-me ao mar sem dó nem piedade, depois explicava-me como mexer os pés e as mãos, e eu desenrascava-me. Não era muito de acarinhar e pegar ao colo, ninguém pode dar o que nunca teve, mas era um pai divertido e que divertia. Quando lhe elogiavam os filhos, dizia sempre que eram os seus herdeiros...das dívidas! Gostava das coisas mais simples, contentando-se com muito pouco nesta Vida.
Em jovem tinha sido atleta de basquetebol pelo FCP; mais tarde, em Angola, foi treinador e quando eu era adolescente quis por-me também nessa modalidade, ainda treinei algumas vezes, mas a mãe queria-me em casa a ajudar, e desisti...
Atualmente as relações pai/filho ou filha são tão diferentes! Muitos homens são loucos para ser pais, e depois estragam com tantos mimos. Frequentemente vemos o pai a empurrar o carrinho de bebé pela rua, ou a transportar a criança ‘a tiracolo’ aconchegando-a junto ao seu peito no sling, uma prática que remonta à antiguidade e que nos recorda o continente africano e asiático, e que se tornou uma tendência popular na Europa e Estados Unidos. Além de pais-galinhas, agora são pais-cangurus. E com tanta condescendência, parece até que são eles que amam mais os filhos. 
Agora há a 'versão CR', pelas notícias que lemos, de usar barrigas de aluguer em outros países para ter um filho só para si, assim esse pai não terá que dividir com mais ninguém o amor de uma criança; e como será o futuro emocional dessa criatura que não conhece o amor de mãe? Algum dia perguntará por Ela? E o amor de avó ou de tia(s) estará devidamente à altura? Tudo isto me faz pensar, fico perplexa com este mundo moderno.
E, ainda, há aqueles pais desnaturados (uma minoria, creio) que rejeitam um filho, e não sabem o crime que cometem, essa criança nunca vai atinar na vida, conheço caso(s).
Entretanto, não há dúvidas de que a relação que uma mãe e um pai têm com a criança é muito diferente, e isso pode ser saudável, porque os dois complementam-se e ensinam coisas distintas ao filhote. 

Encontrei por acaso uma lista de atitudes clássicas de mãe e pai, cuja autora convida a compartilhar, para rir ou levar na brincadeira, pois  a realidade agora é bem diferente, conforme eu dizia atrás:

A diferença entre ser mãe e ser pai
       ·         A mãe sonha em fazer o quartinho perfeito do bebé, com a combinação de cores ideal.
       ·         O pai perguntará “mas para que raios é necessária tanta mariquice…?!”

·         A mãe acorda sem que o bebé precise de chorar (ela vai lá só para conferir que ele está a respirar!).
       ·         O pai só acorda depois que o bebé já está aos berros por mais de dez minutos (e mesmo assim ele primeiro certifica-se se por acaso a mãe já foi lá resolver o assunto).

·         A mãe vê o filho a chorar com cólicas e até chora junto.
       ·         O pai pendura a criança no braço, quase de pernas para o ar, e fica a andar pela casa (e não é que funciona?).

·         A mãe sente o cheirinho do cocó na fralda a uma distância de 5 metros.
       ·         O pai não sente nem a 30 cm (e, em caso de dúvida, só vai trocar a fralda no final do dia!).

·         A mãe coloca primeiro a papinha na palma da mão para saber se está quente.
       ·         O pai prova com a colher do bebé e ainda aproveita mais umas colheradas (afinal, está tão gostosa!).

·         A mãe leva o bebé a passear com a roupa e a mantinha a combinar.
       ·         O pai esquece-se da manta e ainda coloca uma meia de cada cor.

·         A mãe morre de medo de dar-lhe banho e a criança escorregar.
       ·         O pai acha piada quando o filhote faz caretas ou beicinho pois esteve quase a afundar-se.

·         A mãe se pergunta por que o pai é tão desligado.
       ·         O pai se pergunta por que a mãe é tão stressada.

·         A mãe brinca com o bebé falando de jeito engraçado e fazendo macacadas.
       ·         O pai atira a criança ao ar (e a mãe tem certeza de que o filho vai cair ao chão!).

·         A mãe brinca às escondidas, tapa o rosto com as mãos e diz “cucu!”.
       ·         O pai esconde-se atrás do sofá e dá um susto tão grande, que a criança sai a chorar pela casa!

·         A mãe sai para passear com o bebé no carrinho enquanto pensa na próxima mamada.
       ·         O pai sai a correr com o carrinho para “dar emoção”.

·         A mãe sempre leva uma frutinha quando sai de casa, no caso de o bebé ter fome.
       ·         O pai compra uma sanduíche e deixa o bebé dar uma dentadinha.

·         A mãe vai falar com a coordenadora na escola quando alguma criança bate no seu filho.
       ·         O pai diz ao filho que da próxima vez ele tem que se defender.

·         A mãe deixa o último pedaço do bolo de chocolate para o filho comer.
       ·         O pai chega enquanto o filho está a comê-lo e briga ‘de mentirinha’ (ou não!) pelo pedaço.

·         A mãe diz ao filho que primeiro ele tem que fazer os trabalhos para casa (TPC), depois pode brincar.
       ·         O pai chega a casa e vai jogar à bola com o pequeno, e os TPC ficam para depois!

·         A mãe vê o filho a fazer birra e sai de perto para não esganá-lo.
       ·         O pai põe-se a escutar música rock na sala e simplesmente não ouve mais nada!

·         A mãe levanta-se durante a noite para cobrir o filho.
       ·         O pai pede à mãe uma cobertinha para cobri-lo.

Conclusão: não existe mãe de filho único! Porque, além de cuidar da criança, ela tem ainda outra, do tamanho dela!

terça-feira, 7 de março de 2017

EU, Mulher

Já me esquecia, sou Mulher e amanhã é o “meu dia”. Tenho que escrever algo, assim rapidinho, para comemorar.
Como o Natal, o dia da Mulher é (ou deveria ser) todos os dias… Ela é bicho esquisito, todo mês sangra ahahah https://www.vagalume.com.br/rita-lee/cor-de-rosa-choque.html 
... mas não é só isso, Mulher é coisa boa, uma obra de arte, uma força da natureza, com o dom de gerar e assim (pro)criar humanidade! Muito homem gostaria de ser mulher, creio eu.

Também acho que gosto de ser Mulher, ainda não refleti muito bem sobre isso, apesar de estar inserida numa sociedade machista, em que nos olham de forma diferente, e ainda haver mulheres mal remuneradas em alguns lugares, tendo formação equiparada à dos homens. Porém, as coisas estão a mudar e o Mundo está sendo aos poucos conquistado por nós, Mulheres.  

Já deixaram de ser o sexo frágil. Há quem diga que são lixadas umas com as outras, mas são elas que se organizam e marcam convívios ou jantaradas, cantam e dançam, divertem-se sem parar. Gosto de apreciar ou sentir essa cumplicidade entre amigas de verdade.
São elas que tomam iniciativas e há homens que gostam disso, outros não. Umas têm jeito doce, meigo e maternal, outras nem pouco mais ou menos… Força, garra e altivez são qualidades de umas, outras têm raça feminista ou doçura submissa… 
O que define uma mulher? “Ela é uma substância tal que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova”, aventurou-se Tolstói a dizer. Talvez sim, mas apenas talvez.

Não tem que haver dia pra celebrar-se a existência delas. Exaltá-las é simplesmente comemorar a vida! “E o sexo está nelas, e o mundo está nelas, e a loucura reside nesse mundo” (Vinicius de Moraes).

Um café...por favor!

Tipos de café
Às vezes me divirto quando se trata de pedir um simples café. Já nem sei como pedi-lo para ter a quantidade que irá saber-me bem…Decidi que “3 quartos”, comprido ou quase cheio é o que mais me convém. Se não disser nada, onde não me conhecem, normalmente servem-me uma “italiana”, dou um gole e já desapareceu o café, detesto!

Outros nomes para a dose de cafeína costumam ser: bica, expresso, cimbalino (à moda do Porto), normal, duplo, cheio, curto, com cheirinho, abatanado, em chávena fria ou escaldada, carioca (fraquinho, mais água do que cafeína), com adoçante ou açúcar… coitado(a) de quem serve cafés, dá em louco ao anotar tantos pedidos… e mais: pingo ou garoto (com leite, se for no norte ou no sul, respetivamente), pingado (só com um pinguinho de leite)… e por aí fora; não sei se me esqueci de alguma versão, mas no outro dia pude inteirar-me de uma nova modalidade. 

A fim de ter um fim-de-semana diferente, fui dar um passeio de comboio até à capital. Como ainda não tinha tomado o meu pequeno-almoço, fui até à carruagem com bar, onde pedi a minha meia de leite. Estava como eu gosto, escurinha, ou seja, com mais café do que leite, servida em copo descartável, mas, devido ao balançar da locomotiva o “barman” improvisado serviu-mo meio desajeitado, segurando o copo com 3 dedos, um dos quais dentro da bebida quente. Vi aquilo e senti nojo, mas não falei nada. Podia exigir que me servisse outro em condições, ou... pediria o livro de reclamações “a bordo”? Decidi que aguentava e me calava e pensei “o que não me mata só me fortalece”… 
Além disso, serviu para escrever este blog, acrescentando uma outra modalidade às que já conhecia: o “café com dedo”!

Esta história (minha) é verídica, mas há outra - por que motivo se chama “bica” em Lisboa - desconhecendo se é lenda ou se corresponde à realidade:

Porque se diz BICA!
"Porque na primeira pastelaria que abriu em Lisboa (A Brasileira), as pessoas não estavam habituadas a beber café, e pensavam que este era para beber tal e qual como era servido (ou seja, sem açúcar). Como é fácil de imaginar, as pessoas não gostavam do sabor. Para avisar as pessoas, o responsável do estabelecimento, escreveu um cartaz que dizia “Beba Isto Com Açúcar”.

As pessoas habituaram-se e começaram a chamar o café de BICA pois eram as iniciais do cartaz."

sexta-feira, 3 de março de 2017

Dieta(s) bla-bla-bla

Socorro, já não sei o que comer…!
Dieta sem glúten, sem laticínios, sem açúcar, sem carne… e quem já comeu de tudo toda a vida, agora faz o quê, fica desconsolado(a)? 
Somos bombardeados por montes de notícias do género:

Se pensa que a doença de Alzheimer é uma doença genética, prepare-se para uma boa surpresa: não é. Em "Cérebro de Farinha", o Dr. David Perlmutter (o único neurologista dos EUA que é membro da Associação de Nutricionistas Americanos)  revela um dos segredos mais bem guardados da medicina: os hidratos de carbono destroem o cérebro. E podem conduzir à demência, depressão, PHDA, epilepsia, ansiedade, dores de cabeça crónicas, diminuição da líbido e muito mais. Esqueça os seus genes. O destino do seu cérebro é ditado por aquilo que come todos os dias. As doenças degenerativas são causadas em primeiro lugar por inflamações, que têm origem no consumo de alimentos hipercalóricos, sobretudo os que contêm glúten ou elevado teor de açúcares. Felizmente, podemos contrariar a decadência natural do nosso cérebro. Uma dieta rica em proteínas e “boas gorduras” é a solução ideal. Não apenas o protege de doenças, como estimula o crescimento de novas células cerebrais independentemente da idade que temos – seja aos 40 ou aos 80 anos, vamos sempre a tempo de renovar a nossa massa cinzenta.”

Somos o que comemos, e o que comemos vai nos matando aos poucos, caramba!

Jane Plant, uma professora britânica, tendo sobrevivido ao cancro, decidiu escrever um livro a falar sobre os malefícios dos produtos lácteos, dando o exemplo das chinesas que apresentam a menor taxa de índice de cancro de mama no mundo.
Na publicação, ela aconselha a comer mais alimentos de origem vegetal e menos carne vermelha, açúcar, sal e gordura. Porém, as sugestões mais radicais são que, ao excluir totalmente produtos lácteos como queijo, leite, manteiga e iogurte, poderemos travar com sucesso uma luta contra a doença, impedindo que as células cancerígenas cresçam e se espalhem.

Comer muita fruta, verduras e legumes, trocar a carne vermelha pela branca, substituir refrigerantes por sumos naturais ou chás, abusar das fibras…todas estas teorias viraram uma espécie de mantra dos nutricionistas. Até dos grelhados já ouvi falar mal! No entanto, todos os alimentos, por mais saudáveis que possam parecer, têm os seus aspetos negativos, ou seja: comer bem também pode fazer mal.

Em suma: não existe alimento perfeito. Tudo depende do estado (debilitado) de alguma parte do organismo de cada pessoa, e até pode-se passar mal com um sumo ou uma barra de cereais! Portanto, vamos mas é comer de tudo um pouco, de modo equilibrado, e conseguiremos driblar a doença… espero que assim seja.

Ou você é feliz, ou você faz dieta. Porque as duas coisas ao mesmo tempo, não dá!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Novo mundo

A caminho de "admirável"? Veremos... 
É curioso apreciar como o mundo se transforma a ritmo vertiginoso e até nos assustamos, onde é que isto vai parar? Gente da minha idade até se sente do tempo dos dinossauros, tais são as mudanças que vão acontecendo ao longo dos últimos anos.
Quando crianças, aprendemos tudo “bonitinho” e “certinho”, como a seguir os 10 mandamentos, a respeitar tudo e todos, a casar virgem e para toda a vida, com promessas de estarem juntos na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, etc. - homem-mulher (que outro jeito?) - para muitos, aprender era uma coisa, e na prática era outra coisa, há de tudo! Aparentemente tudo corria normalzinho, seja lá o que for (a)normalidade.
Parece que, de repente, tudo começou a “sair do armário”. Já ninguém quer ser normalzinho? Olhamos em volta, em especial através da TV ou das revistas e/ou jornais, e não entendemos mais nada. Então no mundo artístico é que se nota demais, um casa-separa a toda a hora, e no caso da homossexualidade, abundam exemplos que se banalizam. Qualquer dia, anormal será ainda haver um casal homem-mulher, ou as crianças terem pai e mãe ainda juntos… Os casamentos desfazem-se “na maior”, um homem já com netos troca a sua mulher por outra 20 ou 30 anos mais nova e recomeça outra vida, nova família… tudo na boa, fácil, tudo normal!
Dá que pensar muito. Sobre a homossexualidade, será que de tanto ouvir agora “ame-se” a pessoa acaba buscando um ser do mesmo género, com quem se dá ou identifica melhor, homem com homem, mulher com mulher, sei lá! Divagando…e não só, constatando! (ainda no outro dia tinha ao meu lado no cinema duas jovenzitas apaixonadas, comendo pipocas de braço dado). Começam cedo, vê-se muito e não me choca.

Encontrei estes dias, por acaso, a notícia sobre uma ex modelo brasileira que fez sucesso nos anos 80 (quando lá vivi). Agora está com 60 anos e continua um mulherão, diferente aspeto claro, mas tudo no sítio e durinho. Depois de casamentos e namorados, assumiu há dois anos uma relação com uma garota vinte e oito anos mais jovem. Está mais feliz do que nunca e com mais prazer sexual, diz ela.

Curiosidade também é ela confidenciar “Nunca imaginei envolver-me com uma mulher. Não sei se posso considerar-me gay e dizer para você que gosto de mulher. O que sei é que gosto do jeitinho dela, me apaixonei, independente de ser homem ou mulher (…) Tento olhar para ver se reparo mais em homem ou mulher, para saber o que sou, mas não me sinto nem atraída por nenhum dos dois. Se um dia terminasse com ela, eu não sei te dizer.”.
Pois, é aquela história “nunca digas, desta água não beberei”… estas coisas deixam-me a pensar e costumo brincar “deve ser bom, pois quem vai já não volta”… a quantidade de gente que tem mudado “não está no gibi”… e, sendo difícil encontrar homens bonitos, quando os vemos até já podemos imaginar tudo (salvo ‘raras’ exceções, caramba!)…

“… me apaixonei por ela, independente de ser mulher ou homem", isto diz tudo e para mim faz sentido. Há quem acredite que se nasce gay (por exemplo, a companheira dela assume-o) mas penso que, no fundo, procuramos é quem se identifique connosco, nos ame incondicionalmente e preencha a nossa vida. Que nos faça sorrir e viver a vida pacificamente. Não é pedir muito, no entanto há muita gente do sexo oposto incapaz disso, infelizmente, muitas vezes cria é mais problemas… 
Diz quem estuda o assunto que, “de um modo geral, todos somos gays, potencialmente bissexuais ou pansexuais ou andróginos. Potencialmente somos tudo, depois escolhemos aquilo que melhor casa com a gente. Se uns querem curtir apenas uma parte das energias yang e yin  que todos somos, tudo bem. Se outros querem curtir o contrário do que indicariam os seus genitais, ou então querem misturar, ou até ainda nem sabem bem o que desejam, ok, também tudo bem. Qual o problema? Qual o dano que essa pessoa faz? Ela está se reconhecendo, se procurando, tentando aprimorar as suas condições para fazer o caminho da sua própria aprendizagem por este mundo. E isso, tão elementar, parece não ser fácil.”

A mim já nada me surpreende e aceito tanta coisa diferente, que pode ser explicada. Porém, sei que há pessoas intransigentes, fundamentalistas, e daí gerar tanta confusão neste mundo.

“A minha alma não tem barba”
Outro caso impressionante que deu bastante que falar: o caso da austríaca Conchita Wurst, 25 anos, causando um impacto arrasador quando surgiu com um estiloso vestido de cauda longa e profusa barba aparada para vencer, em Copenhaga, a 59ª edição do tradicional concurso de canção Eurovision, conquistando o público de 37 países votantes não só pela extravagância, mas também pelo seu inquestionável talento musical. Quando ainda era um jovem de 22 anos, a “mulher barbuda” decidiu criar uma figura artística que teria a colossal tarefa de provocar e questionar os conservadores valores austríacos, reivindicando com as suas atuações públicas o direito de ser diferente num mundo ainda povoado de absurdos preconceitos, batizando o seu alter-ego de Conchita Wurst, uma mulher de barba e rosto angelical.
Com o prémio nas mãos ela disse: “Não foi uma vitória apenas minha. Foi a vitória de todos aqueles que acreditam num futuro de paz, sem discriminação e baseado na tolerância e no respeito".

Ele/ela teve a criatividade e a ousadia de juntar num mesmo corpo um homem e uma mulher para dizer ao mundo alguma coisa do tipo “Escutem, não sou nem homem nem mulher, ao mesmo tempo que sou homem e sou mulher. Escutem a minha voz, escutem o que eu canto, tanto faz se quem canta tem corpo masculino ou feminino. Eu canto e vivo com a minha alma.” Esse foi o seu trunfo, conseguiu mudar mentalidades e as leis na sua terra natal.


Na realidade, antes de mais nada todos somos um espírito e uma alma. Para quê tantos preconceitos e rotular as pessoas? Vamos deixar os outros curtir as suas mais variadas fantasias e sexualidades e nós façamos o mesmo! Temos que aprender a olhar para além do corpo, não somos o nosso corpo, somos seres de espírito (alma), e o nosso corpo (mesmo que seja um corpão, um avião) é apenas um veículo provisório para andar por este mundo.

Bem... agora farei um intervalo na escrita e nos pensamentos, vou carnavalizar. Divirtam-se, e até ao meu próximo blog!

Engana-se quem pensa que as pessoas mudam. Nada disso, as máscaras é que vão caindo!
https://www.letras.com/elis-regina/87856/

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Agora sobre o desamor

Já passaram os dias alusivos ao amor (ou aos namorados), podemos começar então a falar do desamor que, esse sim, mata! (não é o amor que mata). Analisando bem as coisas, as pessoas não sofrem por amor, sofrem por falta dele. E quem sente essa falta desde a nascença ou a infância, o caso torna-se ainda mais grave.
“A falta de amor é a pior de todas as pobrezas” (Madre Teresa de Calcutá)
Conheço uma Pessoa que várias vezes lamenta o facto de ter nascido, e é muito triste ter que ouvi-la a repetir a sua história. Nitidamente é de uma carência que fica difícil de colmatar. Quando despoletava a segunda guerra mundial, nasceu do segundo casamento da mãe viúva já com netos, tornando-se o patinho feio maltratado por todos, pelos "filhos da mãe", como ela diz. Sem esquecer que, devido a uma doença contraída pouco depois de ter nascido, quase foi enterrada, mas conseguiu ser salva quando o pai decidiu apalpar-lhe o pulso e reparou que ainda estava viva. 
Péssimas recordações da extrema pobreza em tempo de guerra e de ter vivido ao deus-dará, pois os pais iam diariamente à sua vida para ganhar uns tostões, e ela ficava pela rua à mercê de tudo e todos. "Felizmente não dei em prostituta", comenta ela". Sem saber como, ainda conseguiu estudar até à quarta classe, mas foi retirada da escola logo a seguir, para servir de criada na casa dos filhos da mãe.
Agora, já quase nos seus oitenta anos, exausta com a vida que lhe calhou, às vezes pergunta “por que tinha eu de viver, por que não me deixaram ir?” (…)
Ainda pequenita, se chorava a lamentar-se, punham-na em casa de uma tia onde o tio a assediava. Era obrigada a esconder-se no sótão quando a tia saía para ir às compras, e como entretanto não fazia o serviço de casa, era ainda insultada e maltratada quando aquela chegasse e visse as coisas por fazer.  Viveu esse tormento calada, pois se abrisse a boca para queixar-se de algo, ainda levava porrada na certa…(e fala-se tanto de pedofilia agora, quando sempre houve, uma tristeza!)…
E assim, aos pontapés daqui e dali, essa criança foi crescendo, sem saber o que era ambiente familiar nem afetos...Aos 17 anos, idade de conhecer ou encontrar o Amor (para a maioria dos adolescentes), apareceu-lhe o homem que viria a ser aquele com quem poderia construir o lar que nunca tinha tido, era mais velho do que ela uns oito anos. Casaram-se, e logo na noite de núpcias houve problemas que a marcaram para toda a vida. Ao fim de nove meses nascia o filho mais velho de quatro, ou cinco (um morrera à nascença) …
Levou uma vida dura de trabalho e consumição para criar quatro filhos com a ajuda do parco salário do marido, nunca teve tempo (nem vontade) de olhar para ela própria e cuidar de si. O sexo era por obrigação, uma coisa suja, num casamento “acomodado” que durou quatro décadas… naquele tempo era assim…

Um dia ficou viúva, ainda “nova”, antes dos 60 anos de idade, e jurou que não “aturava” mais homem nenhum! Estava no seu direito.
Porém, começou a queixar-se de solidão. Quando afinal sempre tinha sido tão sozinha, pelo que conta, só que agora tinha tempo para reparar no mundo à sua volta, com os filhos criados e cada um na sua vida. Não tinha feito amizades, e agora dificilmente se adapta a alguém, pois os outros sempre têm defeitos (incompatíveis com os dela, provavelmente), ou seja, dá-se a toda a gente (segundo ela), acaba desiludida ou insatisfeita, e não se dá com ninguém… Todas as máscaras (de bravura, força etc.) caíram de repente, caiu também em si, e a seguir vieram os ataques de pânico, a ansiedade, entre outras maleitas, uma coisa aflitiva que preocupa os filhos. Estes não podem estar junto dela o tempo todo, cada um vai sempre que pode para fazer um pouco de companhia ou levar a dar um passeio. 
Entretanto, a solidão e as lembranças que não a largam (sempre as más, infelizmente) vão fazendo dela uma senhora amarga, sem sentido de humor, sem alegria, sem gosto pela vida nem por nada. Os filhos até são amigos dela mas, se estão longe, não lhe servem de nada, na sua ideia, são como estranhos quando fala deles para qualquer pessoa. É a sensação que fica quando a ouvimos falar. Devia estar feliz por eles, se têm saúde, boa aparência, e todos formados.
E os dias, anos... vão passando, naquela ânsia de um dia ainda ganhar algum dinheiro através dos concursos de televisão, raspadinhas ou euromilhões, e então irá fazer 'tanta coisa'... inclusivé, ajudar os filhos, coitadinhos (...)
Uma senhora (ainda) bonita, com muitas qualidades, que podia estar agora "liberta" e tentar ser feliz, fazer voluntariado, cuidar dela própria… nada a satisfaz, há sempre desculpas, ou inicia algo e logo desiste… A única alegria (aparentemente) é reunir os filhos de vez em quando à volta da mesa para comer ou celebrar algum aniversário, com noras e netos (apenas dois)… para ela isso é dar afetos, e ai de quem a contrarie! Mal se senta à mesa para poder estar a servir os “convidados”,  nem que algum deles parta logo a seguir ao repasto. E no final, quando já todos partiram, com a cozinha toda desarrumada, senta-se no sofá, estafada, à espera da vontade para limpar tudo. E assim se sente “feliz” por ter recebido os filhos em casa, nem que fosse por uns minutos, ou uma horita, dando-lhes de comer.
Uma família na qual mal se nota a afetividade. Entre irmãos não se nota nenhuma cumplicidade nem interesse de uns pelos outros. 
Serão filhos do desamor, alguém já pensou nisso? Depois de o marido falecer é que começou a contar aos filhos toda a triste história da sua vida conjugal, com pormenores que na verdade já não interessam nada, e que até deviam ser esquecidos, pois não contribuem para a felicidade de ninguém, nem dela.

Esta é uma história triste que conheço, entre tantas outras que há por esse mundo, claro. 
Assim como conheci alguém que em criança já tinha o sonho de ser artista; um dia fez algo errado e o pai quis castigar o menino, colocando as suas mãos sobre um cepo e ameaçando decepá-las caso fizesse mais asneiras. Nesse instante viu-se maneta para o resto da vida, e o seu sonho de artista já era, pobre criança. Em adulto falava disso algumas vezes, foi um trauma que ficou e fez dele um ser inconformado e artista frustrado, infelizmente. 
Crianças amadas tornam-se adultos que sabem amar. 
O amor desta senhora pelos seus filhos é estranho, lembra-me aquele tema "dividir para reinar", pois até parece que não se importa muito se os irmãos se dão ou não uns com os outros, o que interessa é que todos "olhem por ela", e eles tentam... 
Se os pais soubessem o mal que fazem aos filhos com certas coisas que (não) dizem ou fazem…podia-se evitar a existência de tanta gente destrambelhada neste mundo. Porém, ninguém nasce ensinado, cada um dá ou transmite o que pode e o que sabe. 
Até pra ser flor é preciso ter sorte: algumas nascem pra enfeitar a vida; outras, a morte! 

Dá pena ver tanta gente com uma vida triste e amargurada, sem gosto por nada, e como é possível acudir?

Não há dúvida de que o Amor representa o centro da nossa existência e dele depende a nossa sanidade mental. Pais felizes fazem filhos mais felizes, e vice-versa, o que promove uma família unida, trazendo saúde e harmonia para todos, inclusive para o ambiente social em que se vive. Às vezes o ser humano age de modo inconsciente, impulsionado por carências que mal compreende, e assim deambula pelo mundo na tentativa de preencher um vazio interior que não entende e, inevitavelmente, cai numa série de complicações. 
Para evitar isso, seria melhor parar e pensar (ou ouvir os outros), assumir a carência e ir à farmácia comprar uns potes de vitamina, ou seja: aprender a cuidar de si próprio(a), em vez de culpar o mundo (ou os outros) por tudo o que de mal acontece.

No fim das contas, se formos verdadeiros, acabaremos rodeados por quem bastará à nossa felicidade e nossa urgência em ser feliz, pois o AMOR reinará.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ai Amore Amore

Hoje é dia 13, dia de sorte para quem gosta deste número, a lua esteve cheia, dia de recordar alguém que já partiu para outra dimensão e aposto que hoje gostaria de estar fazendo 58 (=13) anos.
É também véspera do dia dos namorados.

Reza assim no livro sagrado:
“O homem é filho de Deus, que é Amor, e que foi feito por amor e para amar.”
Sem querer entrar no campo da religião, pois Deus poderá ser o Universo ou a (nossa) Natureza, Amor portanto só pode ser a nossa essência. Se assim não for, seguramente algo irá correr mal ao longo da vida. Porém, como para tudo há regras, com ou sem exceção, e subjetividade, devo ressalvar: quase todos nascemos ou fomos feitos do Amor ou, em princípio, assim é que deveria ser…

nAMORar é tão bom, e faz bem! Neste dia do Amor (14/2) jogará também o Benfica, vai ser então um dia todo virado pro vermelho, mas em mim continua a correr o sangue azul (e branco) da terra invicta que me viu nascer e que foi eleita, pela terceira vez, melhor destino europeu. Mal ficam ou ficarão as consortes, emburradas, que em vez de terem um jantar à luz de velas, levam é com jogo na Luz (eu a imaginar)… ahah


AMOR: até os bichinhos gostam! E com tantos donos (ou mais as donas) a chamar amor ao seu bichinho de estimação, até este irá ter algum miminho especial nessa data. Neste assunto de amores, devo ser mesmo fraquinha, pois não me imagino a acordar cedo para levar o cãozinho à rua, levá-lo(a) a passear em dias/noites de inverno, ou a apanhar os seus cocós pelo caminho. Esse sim deve ser amor de verdade de quem “quanto mais conhece o ser humano, mais gosta dos animais”…
Falando sério, por mais que não queiramos ligar a datas, é quase impossível ficar indiferente às decorações românticas nas lojas da cidade, nos centros comerciais e restaurantes, resistir aos apelos comerciais na TV, rádio, internet, nas revistas, filmes alusivos à data que nos encantam (até a segunda parte do filme ‘50 sombras de Grey’ nesta altura me pareceu mais amoroso do que erótico…), ou quando alguém nos pergunta pelo namorado…
O facto é que, mesmo sendo esta considerada uma data comercial, todos nós (mais ou menos jovens) desejamos ter alguém ao nosso lado para respeitar e ser respeitado, admirar e ser admirado, mimar e ser mimado, e assim poder participar, cada um ao seu jeito, do Dia dos Namorados. Afinal, fazer coisas a dois sempre é muito mais agradável.
O importante é ser criativo(a) e saber aproveitar esta data para surpreender quem “namoramos" ou com quem “andamos” e, dependendo de cada bolso, irmos comprar um presente, uma singela flor ou um ramo delas, uma joia – nem que seja para nós mesmos! caso não haja ninguém a ocupar o nosso coração - enviar um SMS, despertar o ser amado com um telefonema, preparar-lhe o café da manhã, levar a jantar naquele restaurante especial, ou até pode ser na tasca com petiscos saborosos ou, por que não, simplesmente sentar na areia da praia e ficarem juntos a ver um magnífico por de sol… ah quantas ideias!
O Amor deve acontecer todos os dias, mas sabe bem haver assim um especial, e nota-se que até mesmo os homens, principalmente aqueles que pregam aos quatro ventos que não ligam para essa lamechice, nesta data deixam aflorar a sua sensibilidade, o seu lado romântico e as suas expectativas em ter ou encontrar alguém com quem possam trocar um abraço, muitos mimos, ou que lhes sussurre ao ouvido o famoso “amo-te”. Triste será para os solteiros, ou solitários, que devem perguntar-se o “porquê” de não conseguirem encontrar um parceiro(a) à altura, ou sustentar uma relação a longo prazo.
Para mim, o ideal é nAMORar sempre, todos os dias. Além de saudável, traz energia e entusiasmo pela vida, e o simples facto de dar e receber Amor alimenta a autoestima e conduz o ser humano ao equilíbrio emocional.
Desejo que todos se sintam felizes e amados(as) neste dia e em todos os outros 364 dias do ano e, mesmo que não haja troca de presentes, por qualquer motivo, recebam ao menos um abraço apertado silencioso (ou virtual) que poderá significar mais do que todos os presentes ou palavras do mundo…
Enfim, há que usar a imaginação para tornar este dia especial e ficar para sempre armazenado no pen drive que alimentará o PC do nosso coração.


“O amor não tem regra pois hoje em dia o amor é a exceção!”

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Na boa...

Nas minhas andanças pela internet, dei de caras com outra palavra nova para mim: deboísmo! Parece ser um neologismo criado por um casal brasileiro, e agora surge na internet como uma corrente filosófica cuja regra principal é “viver de boa (de bem) com a vida”.
Os brasileiros são ótimos a inventar palavras. Porém, aqui em Portugal seria mais “naboísmo” (nada a ver com nabos), ou seja: “estar ou viver na boa”!
O casal criou uma página no Facebook e começou a partilhar mensagens que incentivavam o respeito e a calma nas relações entre os usuários das redes sociais.
O bicho-preguiça é considerado a mascote do deboísmo, devido ao sentido de calma e serenidade transmitida pelo mamífero. No entanto, os criadores desta “doutrina” alertam que não se deve confundir os princípios do deboísmo com a preguiça ou o comodismo. O objetivo é enfrentar e debater os problemas ou desafios, mas com respeito, calma e, acima de tudo, paz.
Gosto desta corrente, já me considero uma deboísta, ou naboísta, qualquer coisa. A vida é mesmo para se levar na boa! Algumas características do comportamento de uma pessoa deboísta é o bom humor, a descontração, a paciência e o respeito pela opinião alheia. Sempre, sem stress, sem violência. Seria a salvação da humanidade se fosse praticada por todos. Como diria John Lennon: 'imagine all the people living na boa'. Seria muito "cool", não?

 

Os 10 mandamentos do Deboísmo
caso desejes viver na boa (ou ser deboas, na versão brasileira)

1º: Não tretarás com o próximo. (tretar com: outro verbo que desconhecia = enganar com léria)

2º: Não deixarás pequenos problemas do dia-a-dia atingir-te.

3º: Respeitarás pontos de vista diferentes e criarás opiniões independentes, com base no teu próprio raciocínio e na tua experiência de vida.

4º: Contagiarás o mundo com o deboísmo, fazendo de tudo para não provocar o mal.

5º: Seja qual for a tua natureza sexual, faz amor (não a guerra) e fica na boa, vivendo sempre com aquela sensação de alegria e deslumbramento.
 
6º: Tentarás sempre aprender algo novo e deixarás a mente fluir.

7º: Só tomarás decisões importantes após boas noites de sono e questionarás as tais verdades absolutas.

8º: Escutarás boa música, que tem o poder de te deixar na boa.

9º: Manterás o corpo, a mente e a alma saudáveis, e estarás sempre disposto(a) a perdoar o outro.

10º: Respeitarás a Mãe Terra, pois ela já estava na boa muito antes de existires, e não farás com os outros aquilo que não gostarias que fizessem contigo.


Assina: Lina, a deboísta ou naboísta (e sempre a aprender...)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nostalgia de fim de semana

Sábado 4-2-2017
Escrevo esta data e reparo que é aniversário de uma prima minha, procuro no facebook e…oh carago, já não é minha amiga…ok - ahahah só me rindo com estas modernices (é a cena do tira-e-põe…). Mandei sms, quem sabe ainda tem o mesmo nº de tlm… who cares?
Hoje é sábado, dia de dormir até ser (de) tarde, parece que nunca deixei de ser como era em bebé, diz a minha mãe que não gostava de comer e só queria dormir; ou fui mordida pela mosca tsé-tsé, ou estou mesmo a hibernar… mas o que interessa isso? Importante é que dormir é bão e gosto muito!!!
Dia de fazer a minha caminhada ao acordar, ou andar de bicicleta. Está um dia cinzento, fico nostálgica… Quem disse que estou sozinha? A chuva (pouquinha, passou logo, foi minha amiga) é boa companhia, posso falar com as florzinhas, as árvores, os passarinhos barulhentos, o gatinho que passa também sozinho, ou o cão; digo olá ao menino estranja que parou com o seu triciclo e ficou a olhar para mim… Posso falar com o sol, com as estrelas – as visíveis e as que já partiram – com o mar, as nuvens, comigo mesma…
Quem se queixa de solidão só pode ter algum tipo de dependência… com tanta companhia ao nosso dispor, por que não sentir-nos sempre bem e felizes?… Às vezes me pergunto se serei normal, é que gosto mesmo de ser/estar sozinha. Habituei-me, na boa, porque nasci numa família pequena, tão pequena que até vai desaparecendo… Sendo o ser humano um animal de hábitos, é assim, e há quem se acostume ao desassossego e não se daria bem no meu lugar, por isso o mundo se torna tão interessante, com toda essa diversidade. Que chato seria se todos gostassem só do amarelo… pois aquela teoria poética de que “ninguém é feliz sozinho” dá que pensar.
Quem estipulou que o normal é ter família, com todas aquelas confusões de pais/filhos, avós/netos/sogros e afins, e outros atritos familiares? Costuma-se dizer “é para o que cada um nasceu” e é bem verdade. Há vidas tão confusas, que penso para mim “que sortuda eu sou”!
https://www.youtube.com/watch?v=iWhkCuff9OM
Domingo
Dia com mais sol, percorro a cidade de bicicleta, adoooro! Passei por acaso na feira das velharias e já estava na hora de arrumar. Pensei em uma amiga que provavelmente estaria lá, e estava, mas nem parei. Desde que mudou de endereço, nunca mais deu sinal de vida, e eu também só procuro quem me procura, pois cansa um pouco ser sempre eu a visitar as pessoas.
São assim certas amizades, e certos familiares, mas família temos que a chamar de nossa, não tem outro jeito. 
Porém… o que é isso comparado com as notícias com que somos confrontados constantemente, sobre o facto de, em pouco tempo, uma em cada três pessoas terá cancro… (pudera, com os alimentos cada vez mais contaminados ou plastificados)... ou que há a possibilidade de desaparecerem milhares de pessoas em Portugal (sobretudo, de Lisboa para baixo) devido a sismo ou terramoto, e que os prédios não estão preparados para isso… (e então, o que há a fazer, viajamos todos para Marte?) Ou seja, querem que andemos todos os dias alarmados com tudo e mais alguma coisa, e…daqui a cem anos já ninguém se lembra disso nem do FB ahahaha

Não há nada como uma consciência tranquila, uma vida pacata, e saber que há sempre alguém que nos quer (bem), e está à mínima distância de uma chamada telefónica! 
O resto são “paroles paroles”…  https://www.youtube.com/watch?v=_ifJapuqYiU

"Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é."
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

WTF...

Tenho dúvidas se antigamente eram tempos melhores e agora é que vai de mal a pior, ou se a tendência do ser humano é andar sempre a queixar-se. Se possui algo ou muito, quer mais, e reclama por tudo e por nada; se possui pouco ou quase nada, tem razão para reivindicar, claro. 
As pessoas praticam cada vez mais o umbiguismo. O povo está sujeito a (ou assim escolhe) ser governado por políticos narcisistas, sem escrúpulos, e quando esse narcisismo é maligno, sabemos lá o que nos espera. Uns derrubam muros, vêm outros e constroem-nos, e assim vamos sobrevivendo neste tira-e-põe, 'às cambalhotas', num mundo tão desigual e esquizofrénico… As notícias diárias são do pior, o que nos faz estremecer e questionar se há humanidade: crianças e idosos que são maltratados, violência doméstica nas famílias, homicídios em nome do tal “amor” ou de ideologias, fanatismo, vinganças; políticos que são absolvidos de crimes tão facilmente e depois ainda se aposentam com altas reformas…! 
Assim caminha a mediocridade, gente a endoidecer por toda a parte, até dá medo falar com a pessoa ao lado, ou pena. Quando começará um novo mundo? Já não estaremos cá para (vi)ver…
Fico ciente do que se passa à volta quando vejo a TV ou leio coisas de quem é sensível e sabe escrever, e muito bem, relatando a realidade nua e crua.
“Vivemos numa era de feudalismos inflamados, onde impera o desrespeito, a falta de senso e o vitimismo. Nem os loucos se tratam tão mal, pais que matam os filhos, filhos que matam os pais e por aí fora, a era do salve-se quem puder que se faz tarde (…) Ser-se ignorante é tão fácil, pequeno, mesquinho, culpar alguém é tão prático e dá tanto jeito nesta merda de sociedade que acorda de manhã com a cabeça enfiada nas suas vidinhas de merda e fecham os olhos a tudo. Bate-se nos pais idosos, ou são enfiados no lar dos mortos, são chamados inúteis e come-se-lhes a reforma, culpa-se o mundo, vai e vota-se num palhaço qualquer que lhe promete mais uns trocos para depois calar-lhe a boca a ferro e fogo. Depois chora muito, fica bem a qualquer um, quando eles morrerem, e diz o que já é habitual “era tão boa pessoa”, vou sentir tanto a falta dele(a)…quando teve todas as oportunidades na vida para lhes dar uma vida com dignidade, com amor. 
Ah, mas tenho filhos para dar de comer, pois…pois, etc…iphones ipads, tablets, roupa de marca…e tão pouco amor.
(…) Vá, continuemos a educar os nossos filhos como coitadinhos e a compensá-los pelos traumas que temos e tudo continuará como dantes…fodem-se pais e fodem-se filhos e toda uma sociedade de clones em vias da modernidade obsoleta e proxeneta das novas tecnologias androides.” (texto publicado no FB por uma amiga pessoal, Conceição Bernardino)

“Um nojo que cresce (…) Merda por todo o lado, e mais merda. Merecíamos melhor. Merecíamos que a corrupção fosse punida por quem tem a responsabilidade jurídica e moral para o fazer. (…) É um país ao contrário, que já perdeu os sapatos, calça meias de cores diferentes e nada acontece. Amanhã tudo segue como ontem. Nada acontece a quem compra a liberdade nas traseiras de tudo. Assim é difícil acordar todos os dias. Assim é difícil não querer chamas e fogo e gritos. Feitas as contas, assim é difícil encontrar Portugal.” (Bruno Nogueira, humorista, ator e apresentador da TV portuguesa)


Às vezes é assim, dou por mim a pensar na vida. Não penso numa vida qualquer, penso apenas na minha vida, aquela que é a mais importante de todas. Chamem-lhe egoísmo, alienação, ou… também fiquei umbiguista?! Poderá ser um tipo de defesa pessoal, alguém tem que manter-se “normal” e salvar-se neste mundo doente, seja lá o que for normalidade. Penso que à minha volta nada muda. Compete a mim, a nós, ser o autor de todas as mudanças, para encontrar um pouco de felicidade em cada novo dia. Por sorte, ainda vou conhecendo gente muito boa, amiga, e tenho tendência a pensar positivamente. Agradeço por isso todos os dias.

Numa certa ocasião perguntaram a Mahatma Gandhi quais eram os fatores que destruíam o ser humano. Ele respondeu assim:
"A Política sem Princípios; o Prazer sem Responsabilidade; a Riqueza sem Trabalho; a Sabedoria sem Caráter; os Negócios sem Moral; a Ciência sem Humanidade; e a Oração sem Caridade.
A vida tem-me ensinado que as pessoas são amáveis, se eu for amável; que as pessoas são tristes, se eu estiver triste; que todos me querem bem, se eu quiser o bem deles; que todos são maus, se eu os odiar; que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrir; que há rostos amargurados, se eu estiver amargurado; que o mundo é feliz, se eu for feliz; que as pessoas têm nojo, se eu sentir nojo; que as pessoas são gratas, se eu tiver gratidão.
A vida é como um espelho: se sorrio, o espelho devolve-me o sorriso. A atitude que tomo na vida é a mesma que a vida tomará ante mim. Quem quiser ser amado, que ame"…

A única razão porque és feliz, é porque TU decides seres FELIZ!
 
https://www.youtube.com/watch?v=JSUIQgEVDM4