sexta-feira, 29 de junho de 2018

Mais Sombras...

Sombras coloridas
(ou: como curtir 1 mês com pé engessado!)

Aprende-se a ter paciência, ainda mais, porque o mundo lá fora também não é nada fácil de aturar; a paciência de andar de um lado para o outro em muleta(s), tipo saci pererê; de volta o prazer de ficar a cozinhar; fazer um bolo na cloche (ou patusca); arrumar papelada; colocar a leitura em dia… e que se lixe o resto! Ah e tem também uma coisa boa: os lugares de ‘deficientes’ onde se pode estacionar tranquilamente, mesmo em frente à tasca ou restaurante ou supermercado… um privilégio! (ooops dizem que dá multa na mesma, é necessário ter um dístico)...
E pronto, facto sucedido, só é preciso saber lidar com a falta de sorte que às vezes acontece, e com a qual não se conta.
Por falar nisso, até anda com sorte, ganhou de presente mais um livro superinteressante “A arte subtil de saber dizer que se f*da” (uma abordagem contraintuitiva para viver uma vida melhor). Recorrendo a um estilo brutalmente honesto, o autor mostra-nos que o caminho para melhorar a nossa vida requer aprender a lidar com a adversidade. Aconselha-nos a conhecer os nossos limites, e a aceitá-los, pois no momento em que reconhecemos os nossos receios, falhas e incertezas, podemos começar a enfrentar as verdades dolorosas e a focar-nos no que realmente importa. Que se f*da lá o pensamento positivo nesta sociedade contaminada por grandes doses de treta e de expectativas ilusórias em relação a nós próprios e ao mundo.
Pois, veio mesmo a calhar. Na verdade, já há algum tempo ela é autodidata na arte de ligar o botão QSF - em situações deprimentes ou de stress ridículo - sobretudo quando nos calha ter que levar com gente dementada. Já deixou de dar importância ao que e a quem não interessa. Pois as coisas (e pessoas) só têm mesmo a importância que a gente lhes der.
“Notas sobre ela”
E assim está ela ‘enclausurada’ e tanto pensa: cinquenta e duas semanas tem um ano e tinha que ficar com um pé engessado uma semana antes de ir, pela primeira vez, passear com as amigas de cruzeiro! Como é que o seu Universo justifica uma parvoíce deste tipo? Ela tenta encontrar sinais, pois gosta de imaginar explicações para tudo. Estaria na altura de parar um pouco, refletir, mudar algo que não está bem na sua vida? Quem sabe? Espera descobrir.


Tão ativa costuma ser no seu dia-a-dia, e senhora-do-seu-nariz, agora depende de alguém que possa trazer-lhe as compras, chegar-lhe as coisas em casa etc. E são justamente estas situações que mostram quem está sempre presente, quem é Amigo/a de verdade!
Entretanto, enquanto o verão demora em chegar, prostrada em casa, já se imagina a dar uns bons mergulhos logo que for possível, sem sair da água boa (espera) na praia, a 200m… A sua mente não pára, o corpo exige repouso mas aquela cabeça… ai melhor dormir, para esquecer! 
(sem musiquinha boa, isso é que não)

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Futebolices

Nem acredito.
Ontem, no 2º jogo deste Mundial 2018 (contra Marrocos), dei comigo a ouvir o relato durante a minha hora de almoço, uma vez que não havia uma TV por perto. Ou nem me importei em ver se havia… “Até eu, Brutus?” pensei. 
Lembro-me de, antigamente, ver o meu pai sempre de radinho de pilha colado ao ouvido a escutar tudo que era jogo, ele que sempre viveu no meio do desporto. E eu detestava esse ruído de relatos…
O que está a acontecer, será a febre contagiante do nosso atual reizinho CR? Só ainda não cheguei ao ponto de querer uma selfie com ele AhAhAh Mas quase estive tentada a adicionar o Jorge Mendes no FB. Mesmo, nem acredito!
Mas porque é que na nossa sociedade o futebol tem assim tanta importância?
Cada vez que se liga a televisão para ver o telejornal há sempre alguma noticia sobre futebol. Divulgam jogos e campeonatos, e depois destes, falam da violência gerada entre os adeptos dos vários clubes.
O futebol começou por ser apenas um simples jogo para passar o tempo, utilizado como diversão. Hoje em dia é levado tão a sério que pode provocar até mortes e destruição, não causadas propriamente pelos jogadores, mas sim pelos seus adeptos. Estes, quando lutam por um clube, parece que estão a lutar pela própria vida. O seu clube é ‘o maior’ e ai de quem diga o contrário, não aceitam, e as pessoas de outros clubes por perto são o seu pior inimigo.
Quando há jogos importantes são cada vez maiores as medidas de segurança, há polícia de intervenção por todo o lado; os adeptos que “amam” o futebol do “seu” clube com jogadores que ganham milhões por mês - e, se calhar, eles chegam ao dia 20 e já nem 1 euro têm para dar de comer aos filhos - parecem animais selvagens à solta que precisam de alguém que os controle, pois nem sequer têm a noção do certo e do errado.
Afinal, o futebol une ou separa pessoas? Que doideira vai por aí!
Até eu, ao menos no Mundial gosto de apoiar o país onde nasci, e pronto! Penso que não tem nada de mal. E gosto de ver a multidão unida e divertida, de todas as cores, idades, e nacionalidades, reunindo-se para assistir aos jogos em grandes ou pequenos espaços. Uma moda, e em que muitos aproveitam e ainda fazem bom negócio.
Concluindo, afinal gosto é de FESTA, não há mal nenhum nisso. Ou há? Claro que não. Com gente civilizada e equilibrada, nada é para o mal, a VIDA tem outro sabor, multicolor. 
Viva Portugal!

terça-feira, 19 de junho de 2018

Os SE's da Vida

E se ela não tivesse ido lavar o carro naquele dia de manhã, antes de ir para o trabalho?
E se a caca das gaivotas não fosse tão cáustica, importar-se-ia ela em andar com o carro cagado? (não, e evitaria o acidente!)
E se ela não se importasse em molhar os pés ao lavar o carro de havaianas? Não as trocaria por umas sandálias altas de plataforma, e não escorregaria estatelando-se no chão…

E SE…? Pois é… SHIT happens sometimes
Doeu muito, pensou que ia passar rápido, mas não; horas em hospital no dia seguinte saindo de lá com o pé engessado, perdendo os dias de férias ‘diferentes’ que se aproximavam. As amigas ficariam desconsoladas, sem a sua companhia, paciência… Assim é a vida… 

Como explicar as coisas que nos acontecem...? Simplesmente aceitar, e bola pra frente!
Costuma-se dizer “era pra ser, nada é por acaso”… “você colhe o que planta”... 
E ela plantou um tombo daqueles em véspera de férias? Será que a gente sempre colhe o que semeia? Por que alguns factos acontecem? Têm um porquê de acontecer? E qual é a maneira correta de interpretar esses factos? A perspectiva de cada um de nós frente a uma determinada situação cria a sua própria realidade e molda as suas crenças.
Há coisas que nada se pode fazer para evitar, não temos o controlo sobre tudo e todos, e talvez isso seja até bom. Há que alimentar crenças vencedoras, crenças saudáveis... Isso permitirá que a vida seja mais leve. 
Se há alguém como eu que busca sempre um porquê em tudo, gosta de refletir sobre as escolhas, feitas ou por fazer... vamos então escolher ser positivos, vislumbrar o lado bom nas batalhas; refiro-me aos conflitos que a nossa mente sempre enfrenta.
Nada de acostumar-se, ou acomodar-se... Se está bom, façamos mais para que fique incrível. Se algo vai mal, vamos ter coragem para mudar e seguir em frente. E não deixemos os "ses" da vida nos dominarem.
Fácil de falar, não é mesmo?
Como sucede com a maioria dos conselhos, o difícil é pô-los em prática, pois exige forte domínio sobre a nossa imaginação e sobre o fluxo das nossas ideias. É preciso disciplina para tudo na vida, inclusive para, aos poucos, fazer valer a nossa vontade e apagar as ideias - lembranças, ressentimentos, tudo o que não interessa e ficou para trás - decorrentes da tentação sempre presente de permanecermos no confortável papel de vítimas impotentes. 
Há muita gente assim, infelizmente, mas quem conseguir abrirá um novo portal para o caminho da FELICIDADE.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Encontrei uma oração

Nesta altura da vida faço minha esta oração, uma antiga bênção no idioma nauatle (i.e. mexicano ou asteca) que trata de perdão, carinho, desapego e libertação.
Achei profundamente lindo o texto!

“Eu liberto os meus pais do sentimento de que já falharam comigo. Quem tiver filhos, que os liberte da necessidade de trazerem orgulho para os pais. Que possam escrever os seus próprios caminhos de acordo com os seus corações, que sussurram o tempo todo aos seus ouvidos.
Eu liberto o meu parceiro da obrigação de me completar. Não me falta nada, aprendo com todos os seres o tempo todo.
Agradeço aos meus avós e antepassados que se reuniram para que hoje eu respire a vida. Libero-os das falhas do passado e dos desejos que não cumpriram, conscientes de que fizeram o melhor que puderam para resolver as suas situações dentro da consciência que tinham naquele momento. Eu os honro, amo-os e reconheço inocentes.
Eu me desnudo diante dos seus olhos, por isso eles sabem que eu não escondo nem devo nada além de ser fiel a mim mesma e à minha própria existência que, caminhando com a sabedoria do coração, estou ciente de que cumpro o meu projeto de vida, livre de lealdades familiares visíveis e invisíveis que possam perturbar a minha Paz e Felicidade, que estas sim são as minhas únicas responsabilidades.
Eu renuncio ao papel de salvadora, de ser aquela que une ou cumpre as expectativas dos outros. Aprendendo através, e somente através do AMOR, eu abençoo a minha essência, o meu modo de expressão, mesmo que alguém possa não entender-me.
Eu entendo a mim mesma, porque só eu vivi e experimentei a minha história; porque me conheço, sei quem sou, o que eu sinto, o que eu faço e por que faço. Me respeito e me aprovo.
Eu honro a Divindade em mim e em você. Somos LIVRES.”
Namastê!

quinta-feira, 7 de junho de 2018

JUNHO

Emoções, o alimento da Alma
Quero ainda falar sobre junho, um mês que costuma antever grandes emoções, como as festas dos santos populares, este ano novamente o mundial de futebol (mais loucura), a chegada do tão desejado verão (emoção para alguns, pois há quem prefira o frio)… e que sempre começa com a homenagem à Criança logo no seu primeiro dia!
E que tempo é este, frio, chuvoso, cinzento; onde anda o nosso SOL, famoso privilégio deste cantinho à beira-mar plantado? Parece que este ano a prima vera nos fugiu, que desclassificada, mas então que venha logo o Sr. Verão, que a maioria de nós espera com ansiedade, seja para o que for e onde quer que seja que vamos desfrutá-lo.
Aproveitei o feriado religioso, o dia da criança e o fim de semana para ir a Aldeia visitar uma família que prezo muito. Sim, e é mesmo com letra grande, é Aldeia e é Formosa! O lugar onde um dia nasceu  uma criança, no seio de uma família como tantas outras, com todos os defeitos e virtudes. Aí foi crescendo com muitos sonhos, e ganhou traumas também. Eram outros tempos, outras mentalidades, e os pais não faziam a mínima ideia das emoções que podem causar numa criança. Ainda hoje, muitos não sabem. Mais tarde, tornou-se um jovem inconformado com tudo, tornou-se praticamente um outsider quando se mudou para a cidade grande, porém sem perder o gosto e a vontade de voltar àquela aldeia tão tranquila sempre que tivesse oportunidade.
Tornou-se homem, tirou o curso da sua preferência, ganhou uma profissão, dessa havia dúvidas se era do seu gosto. Os anos passaram, com muitas emoções pelo caminho, às quais nunca se ajustou muito bem. Não havia paz dentro de si e, consequentemente, era uma pessoa problemática gerando intranquilidade ao seu redor. Sempre que tinha oportunidade, lá estava ele a contar o seu maior trauma de infância, entre outros eventualmente. Quem ouvia, sentia a frustração e a sua grande tristeza.
Apesar do seu bom coração, como a tanta boa gente, faltava-lhe o combustível da vida, o Amor, o verdadeiro, aquele que todos querem sentir e nem sempre é fácil ou atingível. Muitas desilusões acontecem sempre pelo caminho, pois a maioria de nós tem a tendência para criar expectativas… e são só baldes de água fria. Mesmo assim, essa criança grande ainda ambicionava um dia voltar à sua aldeia, depois de herdar alguma parte dos terrenos da família, talvez construir uma casita à sua maneira com todo o espaço com o qual sempre sonhara… Mas a Vida prega-nos partidas, essa criança partiu de repente e prematuramente aos 56 anos de idade, repousando agora alguns palmos abaixo da terra, a poucos metros da casa dos seus pais já de provecta idade…
Foram estas emoções que eu vivi em poucos dias. Visitei a sua campa e fiquei a pensar (ainda mais!) que raio é esta passagem pela Terra...Inesperadamente tudo acaba, e o que levamos daqui? Sonhos por concretizar, emoções mal resolvidas ou mal vividas, que acabam por nos infernizar anos a fio, e, mais cedo ou mais tarde, matar-nos.
Quanta gente existe emocionalmente doente? Nem nos passa...Como essa pessoa, conheço outras que contam histórias tão tristes, tão antigas, e não conseguem sair delas. Ficou tudo entranhado na alma. As alegrias são mínimas comparadas com toda a escuridão que as persegue. Pessoas que não fizeram amizades, não têm gosto em ler um livro (dizem que já sabem, já leram tudo), não fazem voluntariado, não caminham um pouco diariamente pois se queixam que (já) dói tudo...claro! Gostariam apenas que alguém lhes lavasse o cérebro, mas como?  
Quem os rodeia sente-se impotente, ao ver tanta frustração e traumas acumulados, sem conseguirem ‘mover uma palha’ para mudar algo, anos a fio, a começar por si próprio/a. E então… espera-se a Outra Vida, porque nesta já nada encanta…?
Penso eu que, se cada um de nós não souber ser psicanalista de si próprio, não há nem psiquiatra ou psicólogo que ajude. Ou se houver, será uma sorte, além de todos os custos associados a essa possível ajuda (para quem pode)…
Como lidar com as emoções, para alimentarmos correta e conscientemente a nossa alma? 
Não há emoções más e boas, pois todas têm a sua importância, e uma das regras essenciais é saber interpretá-las e vivê-las adequadamente, identificar os seus benefícios e os seus efeitos secundários, para que assim a nossa alma seja sã e possamos viver em harmonia connosco e com quem nos relacionamos.
É preciso parar um pouco e perguntar: “Como me sinto perante esta situação?”, “O que sinto perante esta pessoa?”, “O que me diz este sentimento, esta emoção?”. Estas perguntas levam a uma viagem pelo nosso interior e por todos os processos que vivemos diariamente para que possamos então identificar a reação que determinada emoção está a causar na nossa alma, se estará a nutri-la ou a adoecê-la.

Quando uma determinada relação (seja qual for o contexto) não é promotora de felicidade e bem-estar, está a adoecer a nossa alma, pois funciona como um alimento com reduzido valor nutricional que ingerimos incessantemente e que a curto ou longo prazo irá originar uma doença ou um mal-estar constante. Não devemos esperar que a doença se instale, devemos terminar a ingestão de determinadas emoções provenientes dessas relações, logo no momento em que começa a causar incómodo e sensações menos positivas.

As nossas emoções são o alimento da nossa alma e por isso devemos escolher e ingerir as que potenciam a nossa saúde, as que promovem a nossa felicidade, por exemplo o que sentimos nos momentos que nos fazem sorrir, chorar de alegria, nos momentos de amor e amizade. Quando abraçamos, beijamos, quando cuidamos, quando amamos e somos amados estamos a alimentar a nossa alma com emoções positivas e nutritivas. 
Quando vivemos com raiva, medos, angústia, desconfiança, mentira, magoamos e somos magoados, estamos a adoecer a nossa alma com emoções menos positivas e nada nutritivas.

Vamos fazer as nossas escolhas, tentando compreender as nossas emoções. Vamos transformar a nossa vida e, de modo consciente e saudável, alimentar a nossa alma e a nossa essência harmoniosa, para que sejamos mais felizes!
É o que desejo a todos os seres vivos, a quem me aprecia, ou me segue aqui, talvez comungando do mesmo sentimento, da mesma emoção…
"Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais,
me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos...
"
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 30 de maio de 2018

De louco, todos temos um pouco

Eu, inclusive, estou nesta de mente, por agora.

E lembrei-me de um texto interessante escrito por um amigo que me segue, e vou surpreendê-lo, ou não, ao partilhar (de novo) aqui algo seu…rs… É que me revejo em muita coisa que ele escreve, e tenho prazer em compartilhar.

Mesmo com loucuras, mesmo com aquele olhar de louco que todos nós temos de vez em quando, devemos olhar o mundo com mistério porque ele é bem aquilo que nós vemos, ou como ele é, realmente.
Porque temos sempre alguma loucura dentro de nós.
E do lado de fora há mistérios que por ser de difícil entendimento quase que nos leva à loucura.
Basta atentarmos, pararmos e olharmos o que nos rodeia para sentirmos que estamos a viver numa sociedade doente.
Temos a pura destruição na Síria... são humanos a destruírem-se. Na Venezuela... no Brasil ... em países de África e da Ásia.
Enfim...
O horror dos horrores!
Só o facto de sabermos isso, já é sermos lúcidos e percebermos que somos loucos, uns produtos loucos de uma sociedade humana louca e doente.
Mesmo assim, vou preferir a loucura, uma loucura boa para ser lúcido ...
Pelo menos, enquanto não estiver doente!
Parei... parei, interiorizei e pensei os porquês.
Conheço, também, algumas pessoas assim, cheia de horrores dentro delas... fariam o mesmo que se assiste de mais atroz nesse mundo que entra em autodestruição.
Bastava terem o poder e palco, porque tudo o resto já existe dentro delas.
Procurei as razões, saber os motivos e tentar explicar porque é que há gente que sente orgulho e se sente radiante em mostrar sempre a parte pior do seu lado "sombrio".
Há sempre muitas dúvidas em mim... tentar perceber.
Mas há motivos, basta pensar e saber os porquês de se ser assim.
Essas pessoas não gostam do lado sombrio de si próprias.
O que só por si já é negativo e preocupante, porque as suas próprias sombras as assustam e delas se afastam por as perseguirem, sabendo que são elas mesmo que são a sua origem, por serem o permeio entre a luz e a sombra.
Leva-as às piores motivações de fazerem o mal e quanto pior mais se satisfazem.
Creio que conhecemos pessoas assim. Eu conheço!
Porém, todos nós temos o nosso lado sombrio.
Temos que saber e aprender a rejeitar o mau, o que é negativo, porque se não o fizermos, o lado sombrio de nós mesmos projeta-se no escuro com fortes linhas de maldade e fraqueza.
Saber escolher... porque os nossos passos são isso mesmo, movimentos controlados que nos fazem andar por caminhos de aventuras ou desventuras.
Carl Jung definia isso como sendo a sombra de nós mesmo.
A não ser que se queira ser esse lado mau, ter esse lado sombrio da vida, e que não se procure terapia...
Ser um bom louco e terapeuticamente aceitável era erguer a sombra para atravessarmos para o nosso lado bom. Sempre daria um pouco de luz à sombra.
Talvez assim vivêssemos mais confortáveis connosco mesmo e seríamos mais confiáveis aos outros.
Era o reforço do bem!”

E termino com este abaixo, belíssimo, muito conhecido, mas vale sempre a pena reler, desejando muita LUZ para todos nós, para melhor conhecermos as nossas sombras. 
Dependendo dos temas que surgirem, ou caso a minha mente fique preguiçosa, talvez só volte aqui em julho, mas sempre a tempo de estar comigo e com vocês. Bjssss

“É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou.
Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou.
É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel.
É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras.
Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força.
Para todo fim, um recomeço. “
(In "O Pequeno Príncipe")

terça-feira, 29 de maio de 2018

Essencial: MENTE (sã)…

A mente que nos mente
    “A mente é uma força poderosa. Ela pode escravizar ou fortalecer-nos. Ela pode mergulhar nas profundezas da miséria ou levar-nos ao êxtase. Há que saber usar o seu poder com sabedoria. Quando filtrarmos somente os pensamentos positivos, a nossa vida começará a mudar”.
       “A questão não é o que os olhos veem, mas o que a mente percebe.”
     “A mente, como a matemática, não mente. Mente quem fizer mau uso de uma ou de outra. Da mesma forma que tanta gente exercita o corpo para ficar bonito ou elegante, por que não exercitar a mente?”
      "Metade dos nossos erros na vida vem do facto de que sentimos quando deveríamos pensar, e pensamos quando deveríamos sentir."


… e finalMENTE consigo vir aqui mandar uns bitaites, e fazer-vos pensar, como eu, se quiserem (claro). Tanto há para falar sobre a nossa mente tão complicada. E será que a dos homens é menos complexa que a das mulheres? É que há uns a queixar-se “a mulher diz sim quando quer dizer não, e não quando quer dizer sim, não sabemos como lidar com elas…”
E se a mente (nos) mente muitas vezes é porque não a usamos devidamente. E se não é bem usada, é por isso que anda tudo destrambelhado. Neste mundo chato em que cada um quer ser dono da verdade à sua maneira, é curioso observar a variedade de mentes (ou dementes?) que por aí há: muitas doentes; umas curiosas, outras bondosas; outras perigosas ou perversas, maquiavélicas, e… como destrinçá-las, para podermos acautelar-nos? Como ajudar pessoas que vivem com uma mente atormentada uma vida inteira, sonhando ter paz algum dia…?
A nossa mente vê a vida da forma como foi formatada, pela sociedade em que nascemos, pelos nossos criadores, traumas, experiências boas e outras menos boas, medos que passamos, e tendências biológicas e culturais. Cada mente interpreta os acontecimentos através de uma lente específica. Cada uma é diferente e única. Ninguém nunca vai conseguir ter a mesma experiência de vida que nós temos, nem nunca vamos conseguir transmiti-la em palavras. 
Cada pessoa é especial e ÚNICA no universo! Cada um de nós tem a SUA história.
E um dos maiores problemas nas relações humanas está em querer que os outros se submetam às nossas visões idiossincráticas, sigam os nossos preceitos, compartilhem os nossos valores e crenças, e se curvem diante dos nossos desejos. Inclusivamente, acho que a maioria de nós ouve o outro não com o intuito de compreender, mas apenas com a intenção de retrucar.
Por que há pessoas com vidas difíceis, relações complexas e infelizes? Onde quer que vão só encontram problemas, e nunca soluções. Sempre têm o “azar” de encontrar pessoas completamente diferentes, e “todos” são maus… Ignoram que as generalizações que fazem convergem num único ponto: elas próprias! Pessoas cuja mente foi formatada de uma forma inadequada, com problemas, visões distorcidas ou algum “bug”...?

E é por isso que a mente nos mente. Constantemente ela nos oferece a sua própria realidade, baseada nos seus enganos e erros. E assim vivemos ‘de olhos vendados’, incapazes de experimentar a realidade como ela é verdadeiramente.
Todos procuram erradicar o mal fora, no mundo exterior, quando o mal está dentro de cada um de nós. O mal é a mente distorcida e descontrolada, desta forma roubando-nos a paz interior e a felicidade.
E em troca, dá-nos apenas sofrimento quando mal usada.

O que acontece quando alguém faz algo errado ou contra a lei? A punição é ir para a solitária, ou seja, o pior castigo que o ser humano conseguiu conceber para punir uma pessoa é deixá-la sozinha com ela mesma, acompanhada apenas da sua própria mente!

O ser humano quer dominar as entranhas do imenso universo e a intimidade do pequeno átomo, mas comete um grave erro ao não explorar o mais importante de todos os espaços: a sua própria mente! Para poder compreender, finalmente, porque é que, no auge da indústria do lazer, nunca fomos tão tristes; no apogeu da psicologia, nunca fomos tão stressados e deprimidos; na era da informação, nunca formámos tantos repetidores de dados… Para descobrir, com grande surpresa, algumas armadilhas na sua engrenagem mental que conspiram contra a sua liberdade de escolha; para perceber que faz guerras porque facilmente constrói inimigos na sua mente; sofre pelo futuro porque não tem no presente um caso de amor com a sua própria existência… Verá que traumas não são sentenças de morte, que crises são oportunidades, lágrimas são nutrientes para novos capítulos… E, acima de tudo, perceberá que o tempo da escravatura não terminou nas sociedades democráticas. Nesse dia, talvez perceba que o ser humano só é verdadeiramente livre no teatro social se primeiramente o for no teatro psíquico…”

(in “Armadilhas da Mente”).

terça-feira, 15 de maio de 2018

O que fazemos da vida

Já que falei de cabelos brancos, e também da sociedade que é feita de pessoas, cada uma mais diferente do que a outra, aproveito para abordar o assunto de gente idosa abandonada ou maltratada. Especialmente quando se aproxima o inverno há notícias frequentes sobre idosos que vivem na solidão etc. e tal… Não contesto que possa acontecer com uma grande franja da população idosa, o que não aceito é que os idosos sejam vítimas da solidão. O que penso deste tema tão polémico, e de acordo com o que me vou apercebendo, é que muitos idosos que vivem isolados estão apenas a viver em consonância com aquilo que foram durante a vida ativa.

Pessoas egoístas, com muito mau-feitio, desconfiadas, que entraram em conflito com família, amigos e vizinhos, quantas há? E depois, naturalmente, acabam isoladas de todos. Quem está para aturar pessoas assim?!

Quanto à família, supostamente, é para amar-se ou aguentar-se uns aos outros, ou, se for possível, as duas emoções em simultâneo, não se abandona. Ademais, não creio que pessoas educadas com amor e cuidados vão repudiar quem as gerou ou quem as criou. Pode até acontecer, mas serão a exceção.
Assim como são exceções as pessoas idosas que vivem em aldeias que entretanto foram
abandonadas, seja por emigração, seja por morte dos habitantes mais velhos. Esses casos são realmente dramáticos, e a solidão dessas pessoas, de facto, muito desoladora. Contudo, nos casos que ouvimos na televisão, os idosos normalmente vivem em centros urbanos, em prédios, com vizinhos ao lado. Não me parece que a indiferença das pessoas da cidade seja pretexto para justificar estas situações. E estatísticas são sempre duvidosas.

A solidão, por si mesma, não faz vítimas; as pessoas é que se vitimizam, isolando-se, numa forma de viver egocêntrica, virando costas a tudo e todos. Por isso, não será de estranhar quando a sociedade lhes responde da mesma forma. 

E já agora que falo em vitimização, essa é coisa que me tira do sério! Até o que acontece por acaso, não é por acaso que acontece. A vida é um eco, não é mais do que a materialização da energia que emanamos, e a muita gente custa acreditar nisso. Por experiência própria, sei o que é lidar com quem tem a síndrome da autovitimização (ou do coitadismo), e dói mais ainda quando são os nossos seres amados a sofrer desse mal. Pessoas com enorme potencial, mas que assumem um papel dramático e autopunitivo na vida, autoprogramando-se para o fracasso. Coitadistas costumam dar logo nas vistas, são renitentes à mudança, dificilmente saem da sua zona de conforto (ou da cepa torta, como antes se dizia), são repetitivos, cansativos, pessimistas. Muito difícil conviver com a miserabilidade do ser humano.

A propósito: adivinhando as minhas preferências literárias, um amigo recente teve a simpatia de oferecer-me um livro de Augusto Cury “Armadilhas da Mente” que nos leva numa fascinante viagem pelos complexos labirintos da psique humana. Uma mulher multimilionária e atraente, com argúcia e inteligência acima da média, nada lhe falta, porém, vítima de crise existencialista ou das suas próprias emoções, sofre horrores para conseguir encontrar-se com ela própria. Não é feliz de maneira nenhuma e inveja a felicidade de quem a rodeia, pessoas sem praticamente nada, que apenas sorriem sem motivo… Aconselho a leitura.
https://www.youtube.com/watch?v=UgAFcvIw8J4
Tenham uma ótima semana, e boas leituras! 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Minhas cãs

Com o estatuto que a idade me dá, tenho vindo a ficar vaidosa com o meu cabelo, gosto dele, e até cabeleireiras costumam elogiá-lo. Às vezes penso em fazer um corte radical, mudar de “ares”, mas logo desisto. Não se deve mexer quando algo tá bom, que ainda estraga. Os brancos estão a invadir, há quem me diga que parecerei mais jovem se o pintar, mas cansei. O fim do ritual quase mensal, ou de dois em dois meses, horas a fio sentada na cadeira do salão, funciona como uma libertação para todas aquelas que, como eu, não têm preconceitos e detestam “pinturas”. Hoje, quanto menos produtos precisarmos, melhor. A praticidade virou um lema de gente livre, desencanada. Há quase um ano tenho estado a livrar-me de coisas químicas ou tinturas, e vê-se cada vez mais mulheres aderindo ao branquinho.
Preconceito ridículo esse de associar qualquer coisa à idade. No homem acham charmoso o grisalho, mas nas mulheres não. As cãs podem até envelhecer um pouco, mas se a gente vai ter que ‘branquear’ mais dia, menos dia, então vamos encarar isso numa boa. Nunca me importei com essa de “vou fazer 40, vou fazer 50”... Não faz a mínima diferença para mim, a vida flui naturalmente. A partir de certa idade comecei a achar-me bonita, continuo a achar, e sempre me acharei. Quando me olho ao espelho, vejo uma pessoa feliz e linda, porque me acho bonita pelo que sou e pelo que sinto.
Assim quero tê-las...
Quantos de nós teremos o privilégio de envelhecer? De chegar a possuir os lindos cabelos brancos? Quantos de nós viveremos o suficiente para conhecer os netos ou bisnetos (quem os tiver)? Ser velho é um presente dado pelo Universo para aqueles que sabem aproveitar o dom da Vida.
Que alcancemos o equilíbrio e a dosagem certa de tudo, que os cabelos brancos brindem à nossa sabedoria tão magnífica, que os nossos olhos brilhem e a nossa voz saia vibrante de tanta história para contar. Mas se, por ironia do destino, não conseguirmos ser felizes, ou se a esperança for embora, pelo menos sonhemos. Nada nos torna tão vivos e lúcidos do que sonhar.
Porque ainda que o meu corpo envelheça, os meus lábios diminuam, os meus cabelos brancos aumentem, diminua ou aumente qualquer outra parte do corpo, enquanto houver VIDA haverá SONHOS... E enquanto estes existirem, manter-me-ei para sempre JOVEM...

quarta-feira, 9 de maio de 2018

FB vs vida real

Aqui estou eu, só porque alguém sentirá falta de me ler… Nem que seja apenas uma ou duas pessoas, já valerá a pena ter escrito, e ter nascido AhAhAh. Não é preguicite aguda, é mesmo porque o dia só tem 24 horas e não me chegam para nada: são passeios, é querer iniciar um novo livro, é dormir, é fazer caminhadas… entre outros mil afazeres de uma mulher em desassossego!
O calor já se faz sentir, finalmente, e parece que já posso arrumar casacos, kispos, meias, botas, cachecóis (sem pó) etc. E até o humor começa a melhorar, é que ando tão sem paciencia para imbecilidade, coisas fúteis e afins…
Deem-me mas é música que eu gosto!

Não desisto do Facebokas - existe  melhor barómetro da atual estupidez humana do que as redes sociais? - porque me diverte mais do que chateia (por enquanto) e é onde ‘encontro’ (quando me apetece) reunidas quase todas as minhas amizades, onde poderei ler mensagens ternas e inspiradoras de alguém que sente prazer em escrever-nos todos os dias…
É muita gente a falar do que sabe e não sabe, a mostrar (ou a querer ser) aquilo que não é; diariamente são postadas lapalissadas, e eu mesma não hesito em ir meter nojo também, de vez em quando, respondendo a algumas delas...

Um dia calhei de ler “Vivemos na era do desinteresse. Nada prende”. Fez-me pensar, e repliquei “…é reflexo da sociedade em que vivemos”, e a pessoa (talvez ressabiada pelo que já sofreu na vida) pareceu discordar, pois respondeu de imediato “Reflexo das pessoas!…Gosto muito desses argumentos, a culpa é da sociedade... As prioridades das pessoas é que se alteraram, essa é que é essa!”… e eu continuei a argumentar “… mas afinal o que será a sociedade, não são as pessoas?!…”; e a família devia ser a base da mesma…e que há prioridades que nos obrigam a escolher…quantas famílias sobrevivem a custo hoje em dia? (…) Enfim, parámos por aqui, assunto profundo que dá pano para mangas, e no Bokas são só bitaites!
Sem falar das futebolices, e da politiquice… Não ligo nada a 22 homens correndo atrás de uma bola para metê-la na baliza, sou apenas simpatizante do clube da minha terra, e a única coisa que entendo é que (dependendo da sorte e do esforço árduo, individual e/ou coletivo) às vezes ganha-se, outras perde-se. Como em tudo na vida. Logicamente fica-se meio tristinho, mas alguém me paga para ser torcedora fanática do clube…? Não há necessidade de vir a público meter nojo e espicaçar os que perderam, ou ganharam, com argumentos e factos passados (verídicos ou não), poupem-me!
Até gosto de ver os torcedores felizes em foto de família numa cor só, ou com amigos, fazendo a festa, atirando foguetes e apanhando as canas. Um ano azul, outro será verde, outro será vermelho… todos são gloriosos a seu tempo...kkk
Por acaso alguém é sempre bom e ganha o tempo todo? Algum menos corrupto do que outro? Parece que só os cachecóis de uns ganham poeira, os dos pseudo bons ou gloriosos não, nunca!… Que atitudes ridículas, nem se dão conta, e só dá para ver o nível de cada um….
Haja paciência para tanta idiotice (e canalhada) neste mundo que se diz moderno e civilizado, tão desinteressante às vezes… Por essas e outras, até já estive a ponto de desamigar certos seres fanáticos que constam da minha lista de amizades, virtuais e não só. Apenas quero rodear-me de seres que se orgulhem da sua sanidade mental num mundo tresloucado...como eu me orgulho! Pronto, falei e disse. Sem paciência.
Tem razão o Papa Francisco quando diz:
“Uma doença grave é a da tagarelice, da maledicência, dos mexericos. Começa muitas vezes de forma muito simples, porventura apenas ‘com dois dedos de conversa’, mas depois apodera-se da pessoa fazendo que esta se torne ‘semeadora da discórdia´, como Satanás, e em muitos casos homicida a sangue-frio da fama dos outros. Sim, porque o próximo também se pode matar com a língua. 
É possível falar-se de ‘terrorismo da tagarelice’, porque este falatório assemelha-se à ação do terrorista: com a língua lança a bomba, destrói os outros, e depois vai-se embora como se nada fosse, com toda a tranquilidade.” 
Papa Francisco, «Deus é Jovem», Lisboa, Planeta, 2018, pp. 43-44.

“Ninguém precisa apagar a luz do vizinho para iluminar a própria casa (Chico Xavier)