quinta-feira, 7 de junho de 2018

JUNHO

Emoções, o alimento da Alma
Quero ainda falar sobre junho, um mês que costuma antever grandes emoções, como as festas dos santos populares, este ano novamente o mundial de futebol (mais loucura), a chegada do tão desejado verão (emoção para alguns, pois há quem prefira o frio)… e que sempre começa com a homenagem à Criança logo no seu primeiro dia!
E que tempo é este, frio, chuvoso, cinzento; onde anda o nosso SOL, famoso privilégio deste cantinho à beira-mar plantado? Parece que este ano a prima vera nos fugiu, que desclassificada, mas então que venha logo o Sr. Verão, que a maioria de nós espera com ansiedade, seja para o que for e onde quer que seja que vamos desfrutá-lo.
Aproveitei o feriado religioso, o dia da criança e o fim de semana para ir a Aldeia visitar uma família que prezo muito. Sim, e é mesmo com letra grande, é Aldeia e é Formosa! O lugar onde um dia nasceu  uma criança, no seio de uma família como tantas outras, com todos os defeitos e virtudes. Aí foi crescendo com muitos sonhos, e ganhou traumas também. Eram outros tempos, outras mentalidades, e os pais não faziam a mínima ideia das emoções que podem causar numa criança. Ainda hoje, muitos não sabem. Mais tarde, tornou-se um jovem inconformado com tudo, tornou-se praticamente um outsider quando se mudou para a cidade grande, porém sem perder o gosto e a vontade de voltar àquela aldeia tão tranquila sempre que tivesse oportunidade.
Tornou-se homem, tirou o curso da sua preferência, ganhou uma profissão, dessa havia dúvidas se era do seu gosto. Os anos passaram, com muitas emoções pelo caminho, às quais nunca se ajustou muito bem. Não havia paz dentro de si e, consequentemente, era uma pessoa problemática gerando intranquilidade ao seu redor. Sempre que tinha oportunidade, lá estava ele a contar o seu maior trauma de infância, entre outros eventualmente. Quem ouvia, sentia a frustração e a sua grande tristeza.
Apesar do seu bom coração, como a tanta boa gente, faltava-lhe o combustível da vida, o Amor, o verdadeiro, aquele que todos querem sentir e nem sempre é fácil ou atingível. Muitas desilusões acontecem sempre pelo caminho, pois a maioria de nós tem a tendência para criar expectativas… e são só baldes de água fria. Mesmo assim, essa criança grande ainda ambicionava um dia voltar à sua aldeia, depois de herdar alguma parte dos terrenos da família, talvez construir uma casita à sua maneira com todo o espaço com o qual sempre sonhara… Mas a Vida prega-nos partidas, essa criança partiu de repente e prematuramente aos 56 anos de idade, repousando agora alguns palmos abaixo da terra, a poucos metros da casa dos seus pais já de provecta idade…
Foram estas emoções que eu vivi em poucos dias. Visitei a sua campa e fiquei a pensar (ainda mais!) que raio é esta passagem pela Terra...Inesperadamente tudo acaba, e o que levamos daqui? Sonhos por concretizar, emoções mal resolvidas ou mal vividas, que acabam por nos infernizar anos a fio, e, mais cedo ou mais tarde, matar-nos.
Quanta gente existe emocionalmente doente? Nem nos passa...Como essa pessoa, conheço outras que contam histórias tão tristes, tão antigas, e não conseguem sair delas. Ficou tudo entranhado na alma. As alegrias são mínimas comparadas com toda a escuridão que as persegue. Pessoas que não fizeram amizades, não têm gosto em ler um livro (dizem que já sabem, já leram tudo), não fazem voluntariado, não caminham um pouco diariamente pois se queixam que (já) dói tudo...claro! Gostariam apenas que alguém lhes lavasse o cérebro, mas como?  
Quem os rodeia sente-se impotente, ao ver tanta frustração e traumas acumulados, sem conseguirem ‘mover uma palha’ para mudar algo, anos a fio, a começar por si próprio/a. E então… espera-se a Outra Vida, porque nesta já nada encanta…?
Penso eu que, se cada um de nós não souber ser psicanalista de si próprio, não há nem psiquiatra ou psicólogo que ajude. Ou se houver, será uma sorte, além de todos os custos associados a essa possível ajuda (para quem pode)…
Como lidar com as emoções, para alimentarmos correta e conscientemente a nossa alma? 
Não há emoções más e boas, pois todas têm a sua importância, e uma das regras essenciais é saber interpretá-las e vivê-las adequadamente, identificar os seus benefícios e os seus efeitos secundários, para que assim a nossa alma seja sã e possamos viver em harmonia connosco e com quem nos relacionamos.
É preciso parar um pouco e perguntar: “Como me sinto perante esta situação?”, “O que sinto perante esta pessoa?”, “O que me diz este sentimento, esta emoção?”. Estas perguntas levam a uma viagem pelo nosso interior e por todos os processos que vivemos diariamente para que possamos então identificar a reação que determinada emoção está a causar na nossa alma, se estará a nutri-la ou a adoecê-la.

Quando uma determinada relação (seja qual for o contexto) não é promotora de felicidade e bem-estar, está a adoecer a nossa alma, pois funciona como um alimento com reduzido valor nutricional que ingerimos incessantemente e que a curto ou longo prazo irá originar uma doença ou um mal-estar constante. Não devemos esperar que a doença se instale, devemos terminar a ingestão de determinadas emoções provenientes dessas relações, logo no momento em que começa a causar incómodo e sensações menos positivas.

As nossas emoções são o alimento da nossa alma e por isso devemos escolher e ingerir as que potenciam a nossa saúde, as que promovem a nossa felicidade, por exemplo o que sentimos nos momentos que nos fazem sorrir, chorar de alegria, nos momentos de amor e amizade. Quando abraçamos, beijamos, quando cuidamos, quando amamos e somos amados estamos a alimentar a nossa alma com emoções positivas e nutritivas. 
Quando vivemos com raiva, medos, angústia, desconfiança, mentira, magoamos e somos magoados, estamos a adoecer a nossa alma com emoções menos positivas e nada nutritivas.

Vamos fazer as nossas escolhas, tentando compreender as nossas emoções. Vamos transformar a nossa vida e, de modo consciente e saudável, alimentar a nossa alma e a nossa essência harmoniosa, para que sejamos mais felizes!
É o que desejo a todos os seres vivos, a quem me aprecia, ou me segue aqui, talvez comungando do mesmo sentimento, da mesma emoção…
"Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais,
me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos...
"
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 30 de maio de 2018

De louco, todos temos um pouco

Eu, inclusive, estou nesta de mente, por agora.

E lembrei-me de um texto interessante escrito por um amigo que me segue, e vou surpreendê-lo, ou não, ao partilhar (de novo) aqui algo seu…rs… É que me revejo em muita coisa que ele escreve, e tenho prazer em compartilhar.

Mesmo com loucuras, mesmo com aquele olhar de louco que todos nós temos de vez em quando, devemos olhar o mundo com mistério porque ele é bem aquilo que nós vemos, ou como ele é, realmente.
Porque temos sempre alguma loucura dentro de nós.
E do lado de fora há mistérios que por ser de difícil entendimento quase que nos leva à loucura.
Basta atentarmos, pararmos e olharmos o que nos rodeia para sentirmos que estamos a viver numa sociedade doente.
Temos a pura destruição na Síria... são humanos a destruírem-se. Na Venezuela... no Brasil ... em países de África e da Ásia.
Enfim...
O horror dos horrores!
Só o facto de sabermos isso, já é sermos lúcidos e percebermos que somos loucos, uns produtos loucos de uma sociedade humana louca e doente.
Mesmo assim, vou preferir a loucura, uma loucura boa para ser lúcido ...
Pelo menos, enquanto não estiver doente!
Parei... parei, interiorizei e pensei os porquês.
Conheço, também, algumas pessoas assim, cheia de horrores dentro delas... fariam o mesmo que se assiste de mais atroz nesse mundo que entra em autodestruição.
Bastava terem o poder e palco, porque tudo o resto já existe dentro delas.
Procurei as razões, saber os motivos e tentar explicar porque é que há gente que sente orgulho e se sente radiante em mostrar sempre a parte pior do seu lado "sombrio".
Há sempre muitas dúvidas em mim... tentar perceber.
Mas há motivos, basta pensar e saber os porquês de se ser assim.
Essas pessoas não gostam do lado sombrio de si próprias.
O que só por si já é negativo e preocupante, porque as suas próprias sombras as assustam e delas se afastam por as perseguirem, sabendo que são elas mesmo que são a sua origem, por serem o permeio entre a luz e a sombra.
Leva-as às piores motivações de fazerem o mal e quanto pior mais se satisfazem.
Creio que conhecemos pessoas assim. Eu conheço!
Porém, todos nós temos o nosso lado sombrio.
Temos que saber e aprender a rejeitar o mau, o que é negativo, porque se não o fizermos, o lado sombrio de nós mesmos projeta-se no escuro com fortes linhas de maldade e fraqueza.
Saber escolher... porque os nossos passos são isso mesmo, movimentos controlados que nos fazem andar por caminhos de aventuras ou desventuras.
Carl Jung definia isso como sendo a sombra de nós mesmo.
A não ser que se queira ser esse lado mau, ter esse lado sombrio da vida, e que não se procure terapia...
Ser um bom louco e terapeuticamente aceitável era erguer a sombra para atravessarmos para o nosso lado bom. Sempre daria um pouco de luz à sombra.
Talvez assim vivêssemos mais confortáveis connosco mesmo e seríamos mais confiáveis aos outros.
Era o reforço do bem!”

E termino com este abaixo, belíssimo, muito conhecido, mas vale sempre a pena reler, desejando muita LUZ para todos nós, para melhor conhecermos as nossas sombras. 
Dependendo dos temas que surgirem, ou caso a minha mente fique preguiçosa, talvez só volte aqui em julho, mas sempre a tempo de estar comigo e com vocês. Bjssss

“É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou.
Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou.
É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel.
É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras.
Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força.
Para todo fim, um recomeço. “
(In "O Pequeno Príncipe")

terça-feira, 29 de maio de 2018

Essencial: MENTE (sã)…

A mente que nos mente
    “A mente é uma força poderosa. Ela pode escravizar ou fortalecer-nos. Ela pode mergulhar nas profundezas da miséria ou levar-nos ao êxtase. Há que saber usar o seu poder com sabedoria. Quando filtrarmos somente os pensamentos positivos, a nossa vida começará a mudar”.
       “A questão não é o que os olhos veem, mas o que a mente percebe.”
     “A mente, como a matemática, não mente. Mente quem fizer mau uso de uma ou de outra. Da mesma forma que tanta gente exercita o corpo para ficar bonito ou elegante, por que não exercitar a mente?”
      "Metade dos nossos erros na vida vem do facto de que sentimos quando deveríamos pensar, e pensamos quando deveríamos sentir."


… e finalMENTE consigo vir aqui mandar uns bitaites, e fazer-vos pensar, como eu, se quiserem (claro). Tanto há para falar sobre a nossa mente tão complicada. E será que a dos homens é menos complexa que a das mulheres? É que há uns a queixar-se “a mulher diz sim quando quer dizer não, e não quando quer dizer sim, não sabemos como lidar com elas…”
E se a mente (nos) mente muitas vezes é porque não a usamos devidamente. E se não é bem usada, é por isso que anda tudo destrambelhado. Neste mundo chato em que cada um quer ser dono da verdade à sua maneira, é curioso observar a variedade de mentes (ou dementes?) que por aí há: muitas doentes; umas curiosas, outras bondosas; outras perigosas ou perversas, maquiavélicas, e… como destrinçá-las, para podermos acautelar-nos? Como ajudar pessoas que vivem com uma mente atormentada uma vida inteira, sonhando ter paz algum dia…?
A nossa mente vê a vida da forma como foi formatada, pela sociedade em que nascemos, pelos nossos criadores, traumas, experiências boas e outras menos boas, medos que passamos, e tendências biológicas e culturais. Cada mente interpreta os acontecimentos através de uma lente específica. Cada uma é diferente e única. Ninguém nunca vai conseguir ter a mesma experiência de vida que nós temos, nem nunca vamos conseguir transmiti-la em palavras. 
Cada pessoa é especial e ÚNICA no universo! Cada um de nós tem a SUA história.
E um dos maiores problemas nas relações humanas está em querer que os outros se submetam às nossas visões idiossincráticas, sigam os nossos preceitos, compartilhem os nossos valores e crenças, e se curvem diante dos nossos desejos. Inclusivamente, acho que a maioria de nós ouve o outro não com o intuito de compreender, mas apenas com a intenção de retrucar.
Por que há pessoas com vidas difíceis, relações complexas e infelizes? Onde quer que vão só encontram problemas, e nunca soluções. Sempre têm o “azar” de encontrar pessoas completamente diferentes, e “todos” são maus… Ignoram que as generalizações que fazem convergem num único ponto: elas próprias! Pessoas cuja mente foi formatada de uma forma inadequada, com problemas, visões distorcidas ou algum “bug”...?

E é por isso que a mente nos mente. Constantemente ela nos oferece a sua própria realidade, baseada nos seus enganos e erros. E assim vivemos ‘de olhos vendados’, incapazes de experimentar a realidade como ela é verdadeiramente.
Todos procuram erradicar o mal fora, no mundo exterior, quando o mal está dentro de cada um de nós. O mal é a mente distorcida e descontrolada, desta forma roubando-nos a paz interior e a felicidade.
E em troca, dá-nos apenas sofrimento quando mal usada.

O que acontece quando alguém faz algo errado ou contra a lei? A punição é ir para a solitária, ou seja, o pior castigo que o ser humano conseguiu conceber para punir uma pessoa é deixá-la sozinha com ela mesma, acompanhada apenas da sua própria mente!

O ser humano quer dominar as entranhas do imenso universo e a intimidade do pequeno átomo, mas comete um grave erro ao não explorar o mais importante de todos os espaços: a sua própria mente! Para poder compreender, finalmente, porque é que, no auge da indústria do lazer, nunca fomos tão tristes; no apogeu da psicologia, nunca fomos tão stressados e deprimidos; na era da informação, nunca formámos tantos repetidores de dados… Para descobrir, com grande surpresa, algumas armadilhas na sua engrenagem mental que conspiram contra a sua liberdade de escolha; para perceber que faz guerras porque facilmente constrói inimigos na sua mente; sofre pelo futuro porque não tem no presente um caso de amor com a sua própria existência… Verá que traumas não são sentenças de morte, que crises são oportunidades, lágrimas são nutrientes para novos capítulos… E, acima de tudo, perceberá que o tempo da escravatura não terminou nas sociedades democráticas. Nesse dia, talvez perceba que o ser humano só é verdadeiramente livre no teatro social se primeiramente o for no teatro psíquico…”

(in “Armadilhas da Mente”).

terça-feira, 15 de maio de 2018

O que fazemos da vida

Já que falei de cabelos brancos, e também da sociedade que é feita de pessoas, cada uma mais diferente do que a outra, aproveito para abordar o assunto de gente idosa abandonada ou maltratada. Especialmente quando se aproxima o inverno há notícias frequentes sobre idosos que vivem na solidão etc. e tal… Não contesto que possa acontecer com uma grande franja da população idosa, o que não aceito é que os idosos sejam vítimas da solidão. O que penso deste tema tão polémico, e de acordo com o que me vou apercebendo, é que muitos idosos que vivem isolados estão apenas a viver em consonância com aquilo que foram durante a vida ativa.

Pessoas egoístas, com muito mau-feitio, desconfiadas, que entraram em conflito com família, amigos e vizinhos, quantas há? E depois, naturalmente, acabam isoladas de todos. Quem está para aturar pessoas assim?!

Quanto à família, supostamente, é para amar-se ou aguentar-se uns aos outros, ou, se for possível, as duas emoções em simultâneo, não se abandona. Ademais, não creio que pessoas educadas com amor e cuidados vão repudiar quem as gerou ou quem as criou. Pode até acontecer, mas serão a exceção.
Assim como são exceções as pessoas idosas que vivem em aldeias que entretanto foram
abandonadas, seja por emigração, seja por morte dos habitantes mais velhos. Esses casos são realmente dramáticos, e a solidão dessas pessoas, de facto, muito desoladora. Contudo, nos casos que ouvimos na televisão, os idosos normalmente vivem em centros urbanos, em prédios, com vizinhos ao lado. Não me parece que a indiferença das pessoas da cidade seja pretexto para justificar estas situações. E estatísticas são sempre duvidosas.

A solidão, por si mesma, não faz vítimas; as pessoas é que se vitimizam, isolando-se, numa forma de viver egocêntrica, virando costas a tudo e todos. Por isso, não será de estranhar quando a sociedade lhes responde da mesma forma. 

E já agora que falo em vitimização, essa é coisa que me tira do sério! Até o que acontece por acaso, não é por acaso que acontece. A vida é um eco, não é mais do que a materialização da energia que emanamos, e a muita gente custa acreditar nisso. Por experiência própria, sei o que é lidar com quem tem a síndrome da autovitimização (ou do coitadismo), e dói mais ainda quando são os nossos seres amados a sofrer desse mal. Pessoas com enorme potencial, mas que assumem um papel dramático e autopunitivo na vida, autoprogramando-se para o fracasso. Coitadistas costumam dar logo nas vistas, são renitentes à mudança, dificilmente saem da sua zona de conforto (ou da cepa torta, como antes se dizia), são repetitivos, cansativos, pessimistas. Muito difícil conviver com a miserabilidade do ser humano.

A propósito: adivinhando as minhas preferências literárias, um amigo recente teve a simpatia de oferecer-me um livro de Augusto Cury “Armadilhas da Mente” que nos leva numa fascinante viagem pelos complexos labirintos da psique humana. Uma mulher multimilionária e atraente, com argúcia e inteligência acima da média, nada lhe falta, porém, vítima de crise existencialista ou das suas próprias emoções, sofre horrores para conseguir encontrar-se com ela própria. Não é feliz de maneira nenhuma e inveja a felicidade de quem a rodeia, pessoas sem praticamente nada, que apenas sorriem sem motivo… Aconselho a leitura.
https://www.youtube.com/watch?v=UgAFcvIw8J4
Tenham uma ótima semana, e boas leituras! 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Minhas cãs

Com o estatuto que a idade me dá, tenho vindo a ficar vaidosa com o meu cabelo, gosto dele, e até cabeleireiras costumam elogiá-lo. Às vezes penso em fazer um corte radical, mudar de “ares”, mas logo desisto. Não se deve mexer quando algo tá bom, que ainda estraga. Os brancos estão a invadir, há quem me diga que parecerei mais jovem se o pintar, mas cansei. O fim do ritual quase mensal, ou de dois em dois meses, horas a fio sentada na cadeira do salão, funciona como uma libertação para todas aquelas que, como eu, não têm preconceitos e detestam “pinturas”. Hoje, quanto menos produtos precisarmos, melhor. A praticidade virou um lema de gente livre, desencanada. Há quase um ano tenho estado a livrar-me de coisas químicas ou tinturas, e vê-se cada vez mais mulheres aderindo ao branquinho.
Preconceito ridículo esse de associar qualquer coisa à idade. No homem acham charmoso o grisalho, mas nas mulheres não. As cãs podem até envelhecer um pouco, mas se a gente vai ter que ‘branquear’ mais dia, menos dia, então vamos encarar isso numa boa. Nunca me importei com essa de “vou fazer 40, vou fazer 50”... Não faz a mínima diferença para mim, a vida flui naturalmente. A partir de certa idade comecei a achar-me bonita, continuo a achar, e sempre me acharei. Quando me olho ao espelho, vejo uma pessoa feliz e linda, porque me acho bonita pelo que sou e pelo que sinto.
Assim quero tê-las...
Quantos de nós teremos o privilégio de envelhecer? De chegar a possuir os lindos cabelos brancos? Quantos de nós viveremos o suficiente para conhecer os netos ou bisnetos (quem os tiver)? Ser velho é um presente dado pelo Universo para aqueles que sabem aproveitar o dom da Vida.
Que alcancemos o equilíbrio e a dosagem certa de tudo, que os cabelos brancos brindem à nossa sabedoria tão magnífica, que os nossos olhos brilhem e a nossa voz saia vibrante de tanta história para contar. Mas se, por ironia do destino, não conseguirmos ser felizes, ou se a esperança for embora, pelo menos sonhemos. Nada nos torna tão vivos e lúcidos do que sonhar.
Porque ainda que o meu corpo envelheça, os meus lábios diminuam, os meus cabelos brancos aumentem, diminua ou aumente qualquer outra parte do corpo, enquanto houver VIDA haverá SONHOS... E enquanto estes existirem, manter-me-ei para sempre JOVEM...

quarta-feira, 9 de maio de 2018

FB vs vida real

Aqui estou eu, só porque alguém sentirá falta de me ler… Nem que seja apenas uma ou duas pessoas, já valerá a pena ter escrito, e ter nascido AhAhAh. Não é preguicite aguda, é mesmo porque o dia só tem 24 horas e não me chegam para nada: são passeios, é querer iniciar um novo livro, é dormir, é fazer caminhadas… entre outros mil afazeres de uma mulher em desassossego!
O calor já se faz sentir, finalmente, e parece que já posso arrumar casacos, kispos, meias, botas, cachecóis (sem pó) etc. E até o humor começa a melhorar, é que ando tão sem paciencia para imbecilidade, coisas fúteis e afins…
Deem-me mas é música que eu gosto!

Não desisto do Facebokas - existe  melhor barómetro da atual estupidez humana do que as redes sociais? - porque me diverte mais do que chateia (por enquanto) e é onde ‘encontro’ (quando me apetece) reunidas quase todas as minhas amizades, onde poderei ler mensagens ternas e inspiradoras de alguém que sente prazer em escrever-nos todos os dias…
É muita gente a falar do que sabe e não sabe, a mostrar (ou a querer ser) aquilo que não é; diariamente são postadas lapalissadas, e eu mesma não hesito em ir meter nojo também, de vez em quando, respondendo a algumas delas...

Um dia calhei de ler “Vivemos na era do desinteresse. Nada prende”. Fez-me pensar, e repliquei “…é reflexo da sociedade em que vivemos”, e a pessoa (talvez ressabiada pelo que já sofreu na vida) pareceu discordar, pois respondeu de imediato “Reflexo das pessoas!…Gosto muito desses argumentos, a culpa é da sociedade... As prioridades das pessoas é que se alteraram, essa é que é essa!”… e eu continuei a argumentar “… mas afinal o que será a sociedade, não são as pessoas?!…”; e a família devia ser a base da mesma…e que há prioridades que nos obrigam a escolher…quantas famílias sobrevivem a custo hoje em dia? (…) Enfim, parámos por aqui, assunto profundo que dá pano para mangas, e no Bokas são só bitaites!
Sem falar das futebolices, e da politiquice… Não ligo nada a 22 homens correndo atrás de uma bola para metê-la na baliza, sou apenas simpatizante do clube da minha terra, e a única coisa que entendo é que (dependendo da sorte e do esforço árduo, individual e/ou coletivo) às vezes ganha-se, outras perde-se. Como em tudo na vida. Logicamente fica-se meio tristinho, mas alguém me paga para ser torcedora fanática do clube…? Não há necessidade de vir a público meter nojo e espicaçar os que perderam, ou ganharam, com argumentos e factos passados (verídicos ou não), poupem-me!
Até gosto de ver os torcedores felizes em foto de família numa cor só, ou com amigos, fazendo a festa, atirando foguetes e apanhando as canas. Um ano azul, outro será verde, outro será vermelho… todos são gloriosos a seu tempo...kkk
Por acaso alguém é sempre bom e ganha o tempo todo? Algum menos corrupto do que outro? Parece que só os cachecóis de uns ganham poeira, os dos pseudo bons ou gloriosos não, nunca!… Que atitudes ridículas, nem se dão conta, e só dá para ver o nível de cada um….
Haja paciência para tanta idiotice (e canalhada) neste mundo que se diz moderno e civilizado, tão desinteressante às vezes… Por essas e outras, até já estive a ponto de desamigar certos seres fanáticos que constam da minha lista de amizades, virtuais e não só. Apenas quero rodear-me de seres que se orgulhem da sua sanidade mental num mundo tresloucado...como eu me orgulho! Pronto, falei e disse. Sem paciência.
Tem razão o Papa Francisco quando diz:
“Uma doença grave é a da tagarelice, da maledicência, dos mexericos. Começa muitas vezes de forma muito simples, porventura apenas ‘com dois dedos de conversa’, mas depois apodera-se da pessoa fazendo que esta se torne ‘semeadora da discórdia´, como Satanás, e em muitos casos homicida a sangue-frio da fama dos outros. Sim, porque o próximo também se pode matar com a língua. 
É possível falar-se de ‘terrorismo da tagarelice’, porque este falatório assemelha-se à ação do terrorista: com a língua lança a bomba, destrói os outros, e depois vai-se embora como se nada fosse, com toda a tranquilidade.” 
Papa Francisco, «Deus é Jovem», Lisboa, Planeta, 2018, pp. 43-44.

“Ninguém precisa apagar a luz do vizinho para iluminar a própria casa (Chico Xavier)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

FelicIDADEs

Boatos
Na era de ou da informação desenfreada, mal de quem acredita em tudo, é que é tanta (des)informação – ou seja: falsa, na maioria das vezes - que acabamos por não acreditar em mais nada; incluindo a treta das correntes via redes sociais (antes era por e-mail mesmo), de qualquer teor, em que eu (naive tantas vezes já fui) apago logo ou passo-as somente a quem mas enviou, e fica por aí mesmo. Sorte ou falta dela, que volte à origem, haja pachorra!
Mi engana ki eu gosto!
Mas ler um boato como este a seguir não desagrada de todo, convenhamos (recebido por whatsApp):

*FINALMENTE  UMA  NOTÍCIA  BOA* 
*OMS reclassifica conceito de Jovem / Idoso*

Anteriormente, uma Instituição Inglesa  (Friendly  Society Act) definiu, em 1875, que "Idosos" eram indivíduos a partir de 50 anos...

Diante da evolução da qualidade dos alimentos, das atividades físicas, hoje praticadas pela maioria das pessoas, e do avanço do número de pessoas que escolheram melhorar a alimentação, o que deu mais qualidade, e aumentou a expectativa de vida das pessoas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez uma nova avaliação do conceito de “ser Jovem, ter Meia-idade, e ser Velho”:

01)  *Menor de idade:*  0 a 17 anos;

02)  *Jovens:*  18 a 65 anos;

03)  *Meia Idade:*  66 a 79 anos;

04)  *Idosos:*  80 a 99 anos;

05)  *Idosos de Longa Vida:*  maiores de 100 anos.

Que felicIDADE, sermos JOVENS mais tempo! Porém, a verdade é que, com o passar dele (do tempo), ou dessa coisa chamada idade, acontece uma coisa BOA, entre outras: vamos nos conhecendo cada vez melhor, e aos outros que nos rodeiam. Isto é, para alguns, porque há gente que gosta de enganar-se ou distorcer a realidade, (in)conscientemente, mas já sabemos que neste mundo nunca nada é 100% perfeito.

Por exemplo, vou descobrindo que sou desorganizada e desorientada. Desorganizada porque fico em stress '1 semana antes' só para fazer uma malita e ausentar-me alguns dias em passeio, modo mini férias. Que horror. 
Sou desorientada porque mesmo com GPS ou com a indicação prévia de um lugar, e se na dúvida tiver que escolher, sigo sempre para o lado errado…

Acontece, pois... Ninguém é perfeito, e eu faço parte dessa imperfeição, apesar de meu nome ser “nobody”…
Bom fim de semana, que se espera já seja primaveril, com ou sem chuvinha, para “regar o juízo”…:D


segunda-feira, 16 de abril de 2018

TEMPO, Mudanças, o Antes e o Depois

Este fim de semana tivemos uma sexta-feira 13 que era simultaneamente o dia do Beijo. Sorte de quem os tem, beijos bons e gostosos, todos os dias; azarito de quem não beija nem é beijado, ou apenas terá amostras de beijitos… É que meio-termo não aprecio, ou é ou não é!

Se agora há o dia de tudo, por que não do beijo também? 365 dias não chegam então para tanta coisa que faz parte da nossa vida! Dos beijos é todos os dias, como dos filhos, dos pais, enfim… quem inventou estas coisas deve ter tido o objetivo de nos deixar a pensar que coisas boas existem, no meio de tantas feias ou maléficas. 

Não me recordo de Antes haver este tipo de lembranças, o dia de tudo… era um dia a seguir ao outro e já está. Empurrando a vida com a barriga, muita gente, muitas vezes. O Antes já está tão longínquo que, de repente, parece que o planeta virou ao contrário e estamos agora a ver coisas nunca antes vistas.

Antes:
Os filhos vinham ‘sem querer’, às dezenas (não havia anticoncepcional), o homem era o sustento do lar, mulher não precisava trabalhar. Os filhos ajudavam em casa e mais tarde seguiam ou não a arte do pai; desde cedo, cada um ia trabalhar e ganhar a vida, ninguém pensava em tirar cursos e, por mais que os filhos mostrassem habilidades, “não faziam mais do que a sua obrigação”…As famílias mantinham-se assim unidas.

Atualmente:
A família anda desmembrada, cada um para seu lado a fazer pela vida. O casal pensa primeiro em ter uma situação desafogada para decidir ter um filho ou, no máximo, três (se tiver posses, claro); a criança nasce e já pertence ao clube favorito do pai, tem conta bancária a crescer para, aos 18, já poder ter a vida feita, comprar um carro bom ou apartamento. Olha que maravilha! E muitos ainda se queixam, andam em psicólogos, por algum motivo será, exigindo tudo e mais alguma coisa, pois “não pedi para nascer”, dizem eles… Muitos ainda se casam e, se não der certo, voltarão na boa para casa do pai ou da mãe, ou dos dois (se ainda coabitarem) e querem é continuar a ter a “papinha toda feita.”
Evidentemente há exceções, mas reza a história atual que é mais ou menos isto.

Relação pais/filhos: hoje em dia até se tornou exagero. Qualquer ‘traquezito’ que a princesinha ou pequeno príncipe derem, é a coisa mai’ linda e mais cheirosinha que existe no mundo. E assim crescem as crianças, e eu fico a imaginar a futura humanidade, com essa autoestima tão elevada que por aí vai, teremos um mundo melhor, ou continuará a haver gente mal cheirosa a governar-nos como se não passássemos de meros números…?
Antes: A mulher chegava à idade casadoira e ai dela se não se casasse! Seria logo apelidada de tudo e mais alguma coisa, ou se não tivesse filhos…

Atualmente: Mulheres optam pela ‘produção independente”, escolhem o homem lindo e rico (de preferência, juntar o útil ao agradável) e vai de fazer um filho, quer seja consentido ou não, a lei depois obriga o progenitor a assumir, se necessário for… e querem continuar livres, deixando o filho nos pais para continuar a curtir, etc. e viva a liberdade!

Além da produção independente, ainda há agora também elas na paranoia pelos jogos de futebol, que antes era só apanágio do sexo masculino. Ficam até mais incomodativas do que eles hahaha

Antes: Levávamos um livro quando queríamos ir para a sanita ‘relaxar’…nem que fosse do Tio Patinhas!

Atualmente: Andamos sempre com o telemóvel a tiracolo, e até nesse momento de privacidade (bem ou mal) cheirosa vamos dando uma olhada nas novidades/fofocas, futilidades, sem perder pitada. Que stress!

Imensas coisas poderiam ser aqui enumeradas quanto às diferenças 'repentinas' num período de aprox. 40/50 anos, correndo o risco de tornar-se uma lista inacabável e exaustiva.

Ainda sobre o Antes e o Depois, às vezes me pergunto se o mundo era mais feliz antigamente, quando não havia carro para cada elemento da família, não havia telemóvel para saber se o familiar chegava a horas ou não, e por aí fora… Como é que se vivia sem este stress? Era possível que não houvesse solidão de idosos, como tanto se fala hoje em dia…a família estaria sempre reunida, então eram tempos de felicidade, temos que concluir.
A solidão é uma ‘doença’ dos tempos modernos. Cada um para seu lado, vivendo egocentricamente e falando para as máquinas.

O texto a seguir, cujo autor desconheço, mas parece pertencer a alguém brasileiro, relata a verdade nua e crua dos dias de hoje. Obviamente, há sempre exceções.

“Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Tinha pena dos avós que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa. Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguer, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilingue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim. Frequentou as melhores escolas. Entrou nas melhores faculdades. Passou no processo seletivo dos melhores estágios. Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão. E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam durante a vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar. Ninguém os podia deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que era necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas… sabe como é? Prioridades. Acabavam sempre ficando, ao invés de sempre ir. Essa geração tentava convencer-se de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo. Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada, e comprimidos para dormir. Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer destacar-se na equipa? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspetiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram ao aniversário de um velho amigo porque ficaram até às 2 da manhã no escritório. Aos 35 não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado. Às vezes choravam no carro e, descuidadamente, começavam a perguntar-se se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias num hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos ‘amigos’.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro. Só não tinha controlo do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando. Só não percebia que a juventude se estava escoando entre os dedos e que os bónus do final do ano não comprariam os anos de volta.”

E resumindo, tinha que vir hoje aqui blogar apenas para não deixar em branco o dia do tão apetecido beijo, que foi sexta passada e será todos os dias, apesar de me faltarem...Quem está longe das pessoas amadas é assim (azarito). Até outro dia!
“Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.”
 António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." 

terça-feira, 10 de abril de 2018

BBB

É admirável quem tem sempre matéria ou conteúdo para nos animar (ou não) todos os dias, comentadores de rádio, blogueiros, facebukianos e afins…não parece nada fácil, haja inspiração e inteligência qb… Eu às vezes páro, sem saber o que mais inventar (no bom sentido), mas não desisto, claro. Insisto, isso sim.
Neste meu ‘slow blogging’ (aos poucos, e sem querer repetir-me), acabei de encontrar um rascunho datado de janeiro, que parece ter ficado por publicar… estranho… ando  a perder coisas pelo caminho, mas desde que não perca qualidades, tudo bem... Pois aqui vai agora.

Vida BBB

É assim que deve ser a vida: Boa Bonita e Barata! Fiquei inspirada para vir blogar, depois de um dia lindo, solarengo, apesar de frio. Durante as minhas caminhadas ou passeios de bicicleta penso em tanta coisa, do passado, presente e futuro. Alguns textos que leio no Facebokas, de amigos - virtuais ou não - também são inspiradores para mim.
Penso que o Universo é maravilhoso e só precisamos estar tranquilos e atentos para entender as mensagens, por que motivo conhecemos certas pessoas, ou por que nos acontecem determinadas coisas… ou como de repente estamos a fazer algo que seria impensável há uns anos atrás…
Esta nossa vida é curiosa e pelo caminho tenho encontrado pessoas lindas, sem as quais não seria feliz, agradeço todos os dias; e também por outras – algumas, calhaus com dois olhos – que têm o poder de mostrar-nos o que não queremos para nós. O balanço é positivo, por isso me sinto abençoada. É porque mereço, ora!
Gostei de um texto escrito e partilhado por um amigo, sobre a vida de antes e de agora (citado no meu blogue “proibido proibir”). Quanta diferença existe, porém a vida não deixa de ser interessante. Pertenço a uma geração da descoberta da liberdade e isso deu muito gozo, e muita alienação também. Há sempre quem não saiba respeitar os seus próprios limites. Hoje em dia todos se julgam livres, ou querem sê-lo, mas tudo não passa de ilusão, basta estar ligado “ao sistema” e são só regras e obrigações! E somos continuamente enganados.
Sinto-me especial nesta minha vidinha BBB. Não é qualquer pessoa que gosto de acompanhar, tem que ser especial, quase igual a mim. Ou não vai aturar-me, e vice-versa. Considero-me da geração nem-nem, nem jovem nem velha. Não é fácil entender isto. Há gente que se entrega à idade com todas as suas convenções, e isso para mim não existe. A idade é um conceito que alguém decidiu inventar, pois podemos encontrar pessoas velhas com 18 anos, e gente alegre e jovem aos 90!
Pode ser um tema interessante, o “antes e depois”. Mais escreverei a seguir, mal arranje tempo. Beijo-vos..

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Estorinha de segunda-feira

Apesar de às vezes encontrar-se com pessoas amigas, adorar ir dançar e curtir no meio de gente estranha e alegre, desde a tarde até à noite de uma tarde de domingo, na maior parte do seu tempo - bem ocupado (diga-se de passagem) - ela vai preferindo estar em sua própria companhia; lá anda ela por aí com os seus devaneios, pensamentos vários e simultâneos… (seria bom parar de pensar e ficar apenas no “nada”?… conseguir ignorar o que nos rodeia…deve ser uma paz!)
Imagina que deve haver quem a ache estranha, quem se der ao trabalho de reparar: a maior parte do tempo sozinha por aí, faça chuva ou faça sol, deve ter algum defeito, só pode, pensarão… então não é também o que lhe vem logo à mente quando se apercebe que há um novo vizinho a morar só, no mesmo piso? Hmmm homem só, entra e sai… estranho! E parece estrangeiro…
Afinal, somos todos ‘farinha do mesmo saco’, todos estranhos, pensa ela. Todos temos pensamentos acerca dos outros, e que nem sempre correspondem à realidade. Fantasiamos sempre muita coisa, quantas vezes errada. Quem é louco para preferir estar sozinho? Ela, por exemplo! Pois parece que a maioria das pessoas opta por estar mal acompanhada do que viver só. E os outros, serão os misantropos? Algum ou alguns motivos terão para andarem sós. Ou nasceram estranhos, ou já levaram muita 'pancada' da vida e da gente, e agora só querem é PAZ!

E o que interessa isso? Cada um seja o que quiser ser. Há quem diga que quanto mais velhos somos, também maiores se tornam as probabilidades de encontrarmos a pessoa da nossa vida ou, pelo contrário, de ficarmos sozinhos para sempre. Temos uma sensibilidade tão mais educada, damos tanta importância a pormenores, que depois não se chega lá com marketing e publicidade enganosa. Apenas com transparência.

AMAR dá muito trabalho, exige tempo, dói. Porém, não existe nada que valha mais a pena do que encontrar aquela pessoa em cujos braços poderemos adormecer, tranquilamente, como faz um bebé no colo da sua mãe. 
Na falta desse amor, contentemo-nos com o maravilhoso amor/amizade

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa.
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêm.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração parte-se.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.
Os filhos seguem a sua vida como lhes ensinaram (ou não).
MAS...os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos km estão entre eles.
Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por nós, intervindo em nosso favor e nos esperando de braços abertos, abençoando a nossa vida!
E quando a velhice chega, não existe coisa melhor do que um "papo" entre velhos amigos/as... as histórias e recordações dos tempos ou momentos vividos juntos, das viagens, das férias, das noitadas, dos "engates"...Ahh!!! tempo bom que não volta mais...
Não volta, mas pode ser lembrado numa boa conversa numa espreguiçadeira em tempo de lazer, debaixo da sombra de uma árvore, deitados na rede de uma varanda confortável ou numa esplanada de um barzinho ou restaurante, regada a bom vinho, não com desconhecidos mas com velhos amigos.
Quando iniciámos esta aventura chamada VIDA, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam mais adiante, nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros. 
Triste de quem não fez amizades, seja por que motivo for... 

(dedico este texto a quem sente a minha ausência do blogue, então hoje tinha que vir aqui citar e escrevinhar algo...)